quarta-feira, 30 de junho de 2021

Os impactos que mataram mamutes há 30.000 anos

Uma das melhores surpresas destas pesquisas foi totalmente inesperada:

Enquanto pesquisava a trajetória do meteoro/meteoritos de Cheliabinsk para verificar seu eventual alinhamento em relação a Tunguska, observei centenas de lagos ovais, todos orientados na direção nornordeste.

Ora, isso é caracterísitico de uma rajada de impactos, mas essa orientação não coincidia com nenhum dos radiantes estudados para a fragmentação do cometa Encke...

Então me lembrei do estudo sobre presas de mamute e ossos de bisão com fragmentos de meteoritos incrustados.

Esses ossos foram datados e alguns se relacionam ao evento de Younger Dryas, a rajada descrita em Gobekli Tepe. 

Mas outros ossos e presas foram datados em 30.000 há 34.000 anos atrás, muito velhos para se encaixarem naquele evento.

Voltei àquele estudo (publicado abaixo) e descobri que os fósseis de mamutes foram recuperados da região do lago Sithylemenkat, no Alaska, América do Norte, com uma cratera de impacto confirmada e batizada de Avak, na região — os ossos de bisão foram descobertos na Sibéria, sem maiores detalhes quanto à localização.

Seguem trabalhos de pesquisa sobre os fragmentos de meteorito incrustados:

[falta condensar]
Presas de mamutes mostram chuva de meteoritos

Rex Dalton

Nature, 12 de dezembro de 2007

Fragmentos semelhantes a balas do que se pensa ser uma chuva de meteoritos antiga foram encontrados incrustados em presas de mamutes e ossos de bisões.

A descoberta dos buracos de 2,5 milímetros deixados pelos meteoritos abre uma janela para um evento de impacto que se pensa ter acontecido no Alasca e na Rússia dezenas de milhares de anos atrás. E poderia fornecer uma maneira totalmente nova de mapear os impactos do espaço.

Os fragmentos, encontrados em sete presas de mamute e no crânio e chifres de um bisão siberiano, correspondem à composição geoquímica dos meteoritos de ferro. 

"Acreditamos que os micrometeoritos tenham sido causados pela explosão de um meteoro 30.000 a 34.000 anos atrás", diz Richard Firestone, coautor do estudo e químico do Lawrence Berkeley National Laboratory, na Califórnia. "Acreditamos que uma onda de material meteórico pulverizou a região".


Algumas presas estão salpicadas com centenas de fragmentos, que queimaram sulcos no osso. Todos os pedaços entraram nos ossos nas superfícies voltadas para o céu das presas e do crânio.

Fonte: https://www.nature.com/articles/news.2007.372

[falta condensar]
O mistério das presas gigantescas com recheios de ferro

Ned Rozell

03/06/08

Imagem cedida por Richard Firestone

Partículas de ferro incrustadas cercadas por anéis carbonizados na camada externa de uma presa de mamute do Alasca. A foto no detalhe mostra como um objeto rasgou a presa.

Imagem cedida por Richard Firestone

Uma partícula de ferro incrustada em uma presa de mamute com um anel de queimadura ao seu redor.

Um meteoro gigante pode ter explodido sobre o Alasca há milhares de anos, atirando fragmentos de metal como uma rajada de balas, alguns dos quais ficaram incrustados nas presas de mamutes lanudos e chifres de bisão.

Simultaneamente, uma grande parte do meteoro atingiu o Alasca ao sul de Allakaket, enviando uma nuvem de poeira que escureceu o sol sobre todo o estado e áreas adjacentes, matando a maior parte da vida na área.

Esse é o cenário previsto por Rick Firestone, cientista da equipe do Laboratório National Lawrence Berkeley, na Califórnia. Firestone e seus colegas encontraram presas de mamute e um crânio de bisão com partículas de ferro ricas em níquel de um lado, sugerindo que todos os fragmentos de metal vieram da mesma direção.

A teoria de Firestone surgiu quando seu colega Alan West, de Dewey, Arizona, viu em uma exposição de gemas e minerais em Phoenix uma presa de mamute salpicada de pequenos pedaços de metal. Intrigados, West e Firestone analisaram presas pertencentes ao mesmo comerciante em Calgary.


Photo caption below.


Imagem cedida por Richard Firestone
Partículas de ferro incrustadas cercadas por anéis carbonizados
na camada externa de uma presa de mamute do Alasca.
O detalhe mostra como o fragmento rasgou a presa.
Ao passar um ímã sobre as presas de mamute em Calgary, Firestone e West encontraram sete presas de mamute coletadas em algum lugar perto do rio Yukon e um crânio de bisão da Sibéria que tinha pequenos fragmentos de ferro queimados em sua superfície. Os fragmentos também continham níquel.

"Uma em cada 1.000 presas continha esse material", afirmou Firestone.

Firestone também acha que pode ter encontrado o depósito deixado pelo antigo meteorito, uma cratera de impacto que agora é ocupada por um lago redondo chamado Sithylemenkat, ao longo do rio Kanuti.

"Os riachos que saem do lago são muito ricos em níquel", disse Firestone, referindo-se a um metal associado a meteoritos. "E a forma é consistente com uma cratera de um meteorito que pode ter meio quilômetro de diâmetro — algo bem grande".

Um meteorito tão grande teria incinerado tudo em um raio de 160 quilômetros e poderia ter enterrado os mamutes mais distantes da cratera, preservando as presas atingidas por fragmentos de metal. Firestone disse que a poeira levantada pelo meteoro teria eliminado todos os mamutes que sobreviveram ao impacto do meteoro.

"Provavelmente houve 10.000 anos sem mamutes", disse ele, acrescentando que outros mamutes acabaram migrando de volta para o Alasca.

Photo caption below.
Imagem cedida por Richard Firestone
Uma partícula de ferro embutida em uma presa de mamute 
com um anel de queimadura ao seu redor
Dale Guthrie, um dos poucos especialistas em mamutes do Alasca, disse que acha interessante a teoria de Firestone, mas os cientistas do Alasca que conhecem as crateras de impacto acham que ele provavelmente está desconsiderando que o lago Sithylemenkat é o lugar onde um meteorito gigante caiu cerca de 35.000 anos atrás (a idade aproximada das presas de mamute). 

Os cientistas confirmaram apenas uma cratera de impacto no Alasca, chamada Avak, perto de Barrow — e descobriram apenas cerca de 140 crateras de impacto em todo o planeta.

Buck Sharpton, especialista em crateras de impacto e vice-chanceler de pesquisa da Universidade de Alaska Fairbanks, disse que o lago teria que ter muito mais de 35.000 anos, porque não tem borda associada a crateras de impacto mais recentes e não se parece com uma cratera de impacto. Ele acha que os pedaços de ferro nas presas podem ser cavidades preenchidas "sendo imersas por milênios em poros sedimentares porosos, através dos quais a água rica em ferro penetrou".

Quanto ao lago Sithylemenkat, Gordon Herreid não mencionou um possível impacto meteorológico quando escreveu um relatório de geologia de 1969 no lago para o estado (que ordenou a investigação por causa de possíveis depósitos de níquel lá). Jan Cannon escreveu na revista Science em 1977 que o lago parecia ser a única cratera de impacto visível no Alasca, com base em um estudo de imagens de satélite Landsat. Um ano depois, William Patton, do US Geological Survey, argumentou na Science que geleiras, em vez de meteoritos, haviam criado o lago.

Esta coluna é fornecida como um serviço público pelo Instituto Geofísico da Universidade de Alaska Fairbanks, em cooperação com a comunidade de pesquisa da UAF. Ned Rozell é escritor de ciências no instituto.








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Ora, Cheliabinsk fica na Sibéria e mostra lagos que podem ter sido produzidos por impactos... prolongue a linha seguindo a direção dos eixos maiores dos lagos ovais na região de Cheliabinsk (marcador vermelho à direita na figura), e o que encontramos?




Exatamente o lago Sithylemenkat (marcador vermelho na figura).... rodeado de outra infinidade de lagos dispostos em um padrão semelhante ao que vemos na região de Cheliabinsk, mas menos ovais, o que pode indicar impactos mais verticais:






Somente com a ajuda de astrônomos poderemos saber se essa nova posição está próxima do radiante esperado para uma data tão recuada.

Felizmente, há astrônomos que se dedicam à pesquisa da origem do cometa Encke, mas minha dificuldade é estabelecer contato com eles sem dispor de um email acadêmico.

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Essa rajada inicial também pode ser atribuída à fragmentação do cometa Encke.

Bill Napier propõe que esse evento ocorreu há cerca de 20.000 anos, mas martin Swatman em seu vídeo Prehistory Decoded Part 3 cita o trabalho de pesquisa de D. I. Steel e D. J. Asher, que sugerem que o corpo original que resultou no que hoje conhecemos como cometa Encke foi um asteroide do grupo dos Centauros, conhecido por possuir grandes componentes como o asteroide 10199 Cáriclo, de aproximadamente 250 km.

























Se confirmada essa hipótese, o evento que reduziu a população de mamutes e megafauna na região entre a América do Norte e Sibéria — cerca de 20.000 anos antes de sua extinção definitiva — teria sido um dos primeiros impactos resultantes da fragmentação que resultou no Encke.

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O impacto de Konkan, Índia, contemporâneo de Gobekli Tepe?

Gobekli Tepe na Turquia é possivelmente o mais estudado e interpretado monumento dedicado aos eventos de impacto que deram início ao período Younger Dryas, há 12.900 anos.

Mas há outro conjunto muito interessante de petroglifos, datado aproximadamente da mesma época, mas afastado cerca de 4.000 km: Konkan, Ratnagiri, na província de Maharashtra na Índia.

Conheci esses petróglifos através do vídeo de Kiran Mengale, Konkan Petroglyphs: Mystery of 10,000 year old signs, do qual as imagens abaixo foram extraídas.

Seu vídeo estima uma data de 10.000 anos, mas outras fontes colocam sua origem na casa dos 12.000 anos, sendo portanto contemporâneos de Gobelki Tepe.

E acredito que esta última interpretação seja mais correta, porque a temática dos petroglifos remete diretamente aos eventos aparentemente descritos em Gobekli Tepe e às vitrificações encontradas em Abu Hureyra, nas proximidades.

Petroglifos como o candelabro, que também pode ser interpretado como uma entidade alada:

O candelabro também aparece associado a outra figura recorrente em Konkan:

O que esta figura próxima ao candelabro faz lembrar?

Para mim, parece o cogumelo atômico da arma desconhecida usada por Gurkha, e o efeito do Brahma-astra lançado por Arjuna, ambos descritos no Mahabharata.

E há outras figuras que remetem à nuvem em forma de cogumelo:

Esta parece associada a uma cratera e talvez um impacto rasante...

Mas há uma descrição ainda melhor de uma explosão de alta energia (inverti a figura em relação ao vídeo para melhor clareza):
Esta descrição de um sol no centro de uma nuvem-cogumelo se elevando do solo com ondas de choque ao seu redor é a melhor representação que já vi de uma explosão de vários kilotons:

Até mesmo o círculo de fogo abaixo da cabeça do cogumelo foi representado no petroglifo... 

Ou são criatividade e coincidência extremas, ou simplesmente o desenho foi feito habilmente por uma testemunha ocular de um momento ímpar na história da humanidade.

Lembra-se daquela passagem do Mahabharata, o livro sagrado hindu?


"Gurkha voando em sua rápida e poderosa Vimana, disparou um único projétil carregado com todo o poder do universo. Uma coluna incandescente de fumaça e fogo tão brilhante quanto mil sóis se levantou em todo o seu esplendor… era a arma desconhecida, um raio de ferro, um mensageiro gigantesco da morte, que reduziu a cinzas toda a raça dos Vrishnis e dos Andhakas... os cadáveres estavam tão queimados que eram irreconhecíveis."

Nos anos 60, várias pessoas notaram a similaridade dessa descrição das armas celestiais com bombas nucleares.

Ajudou a descrição de que eram lançadas por veículos voadores pilotados por entidades poderosas e incompreensíveis — daí para a tese dos deuses-astronautas foi um pulo.

Naquela época, não se conhecia a dinâmica dos impactos de asteroides e sua capacidade de gerar explosões de magnitude similar à de bombas atômicas por pura energia cinética transformada em energia térmica.

Aplicando a Navalha de Ockam, o que é mais plausível?

Humanos convivendo com alienígenas que voavam em naves espaciais equipados com armas nucleares e dotados de péssima pontaria, ou humanos descrevendo eventos de impacto de meteoritos e asteroides com base naquilo que viam, não entendiam, e tentavam descrever com base no seu cotidiano? 

Qual a explicação mais plausível para ser elaborada por um cidadão há milhares de anos?

"Poderosos seres alados travam uma batalha nos céus e lançam dardos de fogo, suas armas causam morte e destruição na terra."

"Rochas caem do céu a grande velocidade, se inflamam devido ao atrito com a atmosfera e explodem com grande energia causando morte e destruição na terra."

Pois é, não havia conhecimento científico suficiente para elaborar a segunda hipótese pelo menos até 200 anos atrás, que dirá há 12.000 anos, ou mesmo há 5.000 anos...

Em Konkan, assim como em Gobekli Tepe, também não faltam referências à morte.

Pelo menos uma figura humana é representada no que parece ser uma cova, ou caída no solo, com genitais arrancados. 

Aparentemente, sua cabeça também está desconectada do corpo, a mesma representação da morte usada no templo natufiano. 

Não sabemos se isso resulta da intenção do autor ou de vandalismo de culturas posteriores, mas é inegável a representação do corpo com braços estendidos, posição típica de vítimas de carbonização:

Esse suposto monumento funerário se localiza na área dos petroglifos, que é uma ampla clareira com a aparência de rocha calcinada:

Arqueólogos precisariam investigar essa possibilidade de encontrar rochas vitrificadas — talvez Konkan seja outro marco dos sobreviventes de um evento similar a Abu Hureyra e outros vilarejos natufianos.

Eventualmente até mesmo fragmentos de meteoritos estejam espalhados pela região...

A trajetória entre o radiante aparente dos eventos de Younger Dryas e Konkan está alinhada com o lago Lonar, indiscutivelmente uma cratera de impacto com diâmetro de 1,8 km na mesma província de Maharashtra:

A cratera Lonar foi datada por geólogos como tendo aproximadamente 75.000 anos. 

Certamente eu gostaria de ver novos estudos para essa datação — talvez estimativas mais recentes, tipo 12.000 anos, tenham sido descartadas porque não se encaixavam no quadro arqueológico conhecido para a região.

No entender deles, nada tão recente poderia ter acontecido sem deixar registros nas culturas que já habitavam a Índia ao final de Idade do Gelo, e não havia registros com essa idade naquela região.

Mas os petroglifos de Konkan só foram descobertos por volta de 2015... seria interssante reavaliar todos os dados sob essa nova luz.

Outro ponto interessante nesse alinhamento entre Konkan e a cratera Lonar está no Nepal, aos pés da cordilheira do Himalaia.

Mais especificamente, na região ocidental do Nepal, chamado na Antiguidade de Reino de Gorkha.

Gurkha e gurkhali é o nome dados aos habitantes dessa região, e também é o nome da entidade que disparou a arma da destruição nunca vista.

Seria a interpretação de que Gurkha seria um ente semidivino um erro de tradução?

Será que no mito original a arma lançada por Gurkha na verdade queria dizer que ela veio da direção de Gorkha/Gurkha?

Porque essa é exatamente a direção esperada para meteoritos da rajada de 12900 a.C..
O reino de Gorkha era delimitado pelos rios Marshyangdi a oeste e Trishuli a leste, no atual Nepal.
Uma linha reta entre a cratera Lonar e os petroglifos de Konkan.

























O reino de Gorkha conhecido pelos historiadores foi fundado há cerca de 500 anos, e seus reis e história são bem conhecidos — mas qual a antiguidade do nome Gorkha? Ele pode ter origens muito mais antigas. 

O Paraná somente foi oficializado como província (futuramente estado) em 1853, mas os tupis já chamavam essa região por esse nome, sabe-se lá há quantos milhares de anos — isso não ficou registrado na História.

Cometas, calamidades, religiões e apocalipses

Afinal, o que são cometas?

Cometas são sinal do fim do mundo?


É uma tradição muito antiga associar cometas a pevisões apocalípticas: iminência de catástrofes, desgraças e fim do mundo.

Cometa Halley ilustrado na Tapeçaria de Bayeux, século XI d.C.
A que se deve tamanha má-fama para um espetáculo visual tão bonito?

Bem, bonito para nós hoje, que dispomos de informação. Mas naquela época, as coisas eram muito diferentes.


Hoje já enviamos sondas a cometas que mostraram sua verdadeira face: enormes blocos de gelo de até 100 km que emitem gases ao se aproximar do Sol.
Cometa 67P Churyumov-Gerasimenko fotografado pela sonda Rosetta 
As fotos mostraram que além do bloco principal, o cometa transporta rochas agregadas pela gravidade, e não  há motivo para não pensarmos que existam outras incrustadas no gelo:
Cometa 67P Churyumov-Gerasimenko em detalhes  
Imagine que você é um caçador/coletor da Era do Gelo.

Você vive em um mundo em que todos os dias e noites são iguais: caçar, colher, plantar, cantar e contar histórias ao redor da fogueira, se encantar com o céu noturno.

Nada é diferente disso até que uma noite aparece no céu uma "estrela" um pouco mais brilhante.


Passam-se as semanas e fica evidente que ela está crescendo lentamente, e em sua volta se forma um halo translúcido... uma "cabeleira" fantasmagórica — muito maior do que todas as estrelas e planetas, maior até do que a Lua — e que se move lentamente nos céus.

Cometa Hale-Bopp, 1997
E essa é a origem da palavra cometa, do grego κομήτης, significando "que tem cabelos longos" — cometa é uma "estrela cabeluda".

Ora, quem tem cabelos longos são apenas os homens e mulheres, então só pode ser uma entidade luminosa espreitando nos céus — algo apavorante e suspeito, quais suas intenções?


E cometas surgem e vão embora, o mito da aparição misteriosa é contado de geração em geração, cai no esquecimento, aí outro cometa aparece, o ciclo recomeça, e segue a vida.

Até que um dia o cometa Encke se aproxima mais que os outros, enchendo o céu e mostrando a maior cabeleira que a humanidade já viu.


E junto com ele, vem uma chuva de pedras de fogo e enxofre — um elemento comum em vários meteoritos — de cheiro pungente. 


Ninguém iria comentar que o cometa trouxe uma chuva de ferro, porque eles ainda não forjavam metais. Nem uma chuva de irídio, porque não conheciam o cheiro do irídio derretido. Aliás, nem eu.

Enxofre eles conheciam, cheira mal, e a história registrou que cidades e populações inteiras foram devastadas por chuvas de fogo, e não só em Sodoma e Gomorra, ou em Tell al Haramm.


Qual a explicação para tamanha ira divina? 


Ora, aquelas pessoas foram castigadas porque todas desagradaram aos deuses ou deus local. Lógico e coerente para quem recém saiu das cavernas, para quem estava começando a construir as civilizações. Civilização quer dizer construir cidades.


Que deuses vinham do céu carregando morte e destruição pelo fogo?


Inúmeros. Os maias, a civilização com o conhecimento de astronomia mais avançado da América, tinham fascinação pela representação de um deus caindo dos céus carregando uma tocha...









Algo impressionante como um cometa.
Este antigo catálogo chinês mostra variadas formas de cometas observados ao longo de sua civilização milenar.

Algumas formas lembram o Candelabro de Paracas... e a última ilustração não se parece com nenhuma das outras.


Carl Sagan aventou a hipótese de que essa "suástica" seria a representação de um cometa vindo em direção à Terra: em vez de vermos sua cauda estendida no espaço, vemos 4 caudas emanando de um núcleo, mas sua extensão é menor porque elas se dobram para trás em relação à trajetória do cometa.


Ou seja, algo que você veria se um cometa viesse em nossa direção e que passasse muito perto da Terra, algo para ficar registrado de maneira marcante na História de todos os povos.


Veja as figuras abaixo:

Petroglifo natufiano, Turquia ou Síria / Candelabro de Paracas, Peru / Ídolo hinduísta, Índia

O que estas três figuras têm em comum? O que elas lembram?

À primeira vista, a representação de um cacto? Um candelabro daqueles de colocar velas? Um sapo sem pernas?


É difícil entender porque alguém se daria ao trabalho de representar a mesma forma básica em lugares tão diferentes do mundo e em épocas aparentemente tão disparatadas.


Por que um cidadão natufiano de Gobekli Tepe se daria ao trabalho de gravar na pedra uma planta que não existe na Turquia?


Por que habitantes do litoral do Peru se dariam ao trabalho de escavar a imagem de um candelabro com 180 metros de altura em uma encosta desértica?


Por que habitantes da Índia idolatrariam um ser tão estranho aparentemente associando-o ao céu?


Por que aborígenes da Austrália temeriam um gigantesco ser em forma de candelabro?

Se minha interpretação estiver correta, eles procuram refúgio no alto das árvores, talvez na tentativa de fugir de tsunamis trazidos pela poderosa entidade?

O impacto de grandes meteoritos no oceano é capaz de provocar grandes tsunamis... 

Como poderiam civilizações tão distantes uma da outra compartilhar a mesma ideia exótica? A menos que cogitemos que todos eles viram algo muito impressionante com essa forma.

Sabemos que corpos celestes se aproximando do nosso planeta se desintegram e podem se transformar em uma chuva de meteoros.


Uma chuva atípica ocorreu em 1913 e foi testemunhada em vários locais do mundo:


A procissão de meteoros de 1913 não liberou estrelas cadentes porque foi um pequeno asteroide que se desintegrou ao tangenciar nossa atmosfera.


Os vários meteoros formaram uma fila luminosa que percorreu toda essa extensão, talvez até mais, porque não há tantos navios no Atlântico Sul. 


Mas, e se ao invés de um pequeno asteroide, fosse um cometa se desintegrando?


Apesar do conceito de que cometas seriam apenas enormes blocos de gelo sujo, as leis da gravitação regem que formar um grande corpo celeste envolve uma massa central capaz de atrair muito material à sua volta.


A ideia que fazemos é que cometas liberam apenas poeira e fragmentos minúsculos enquanto o gelo é sublimado pela radiação solar, porque é isso que vemos pelo telescópio e nas chuvas de meteoros — a imensa maioria deles se queima na atmosfera sem atingir o solo, sem virar meteoritos.


Será que sempre foi assim?


Se a teoria de Napier estiver correta, e eu creio que está, o cometa Encke ao se fragmentar liberou blocos de seu interior, blocos de tamanho bem mais significativo: asteroides metálicos.


Cada vez mais entendemos o processo de aglomeração que leva à formação de asteroides e cometas, e ambos não são diferentes — apenas que os asteroides se formam mais próximos ao Sol, portanto são mais rochosos/metálicos com pouco gás congelado.


Cometas se formam na região mais externa e fria do sistema solar, onde há mais gases e poeira cósmica, formando as tais bolas de gelo sujo — mas seu núcleo é mais denso, caso contrário não haveria aglomeração.


Mas por que haveriam asteroides metálicos no exterior do sistema solar? Eles não se formaram devido ao calor solar, que fundiu os metais?


É verdade, os metais foram fundidos pelo calor de uma estrela, mas não foi o nosso Sol.


Todo o ferro, níquel, cobalto, paládio, irídio, etc. que temos na Terra se originou do colapso de uma estrela muito mais antiga que o nosso Sol — Carl Sagan sintetizou poeticamente esse fato com a frase poética de que somos todos feitos de poeira das estrelas.


Ferro e outros metais só se formam no interior de uma estrela, e quando ela morre, explode e libera seu material para o espaço, dando origem a nebulosas que se condensam em novos sistemas solares ao longo de milhões de anos.


Nosso Sol e nossos planetas se formaram agregando esses fragmentos, e quanto mais próximo da atração gravitacional de nossa estrela, maior a densidade média dos planetas como Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. 


Mas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno também têm núcleos rochosos capazes de atrair gravitacionalmente enormes atmosferas de gás.


Suas luas são compostas principalmente de gelo, mas também têm um núcleo sólido.


Tritão, lua de Netuno, é praticamente idêntica a Plutão, em uma órbita mais externa, assim como muitos outros planetas-anões daquela região onde está a nossa maior reserva de cometas — por qual motivo eles não teriam núcleos rochosos/metálicos, se esses materiais literalmente vieram de fora do sistema solar?


Então a fragmentação do cometa Encke (ou mais corretamente, de seu antecessor), ao passar muito próximo da Terra, desencadeou as maiores chuvas de meteoros e meteoritos que a humanidade testemunhou, e nem todos sobreviveram ao cataclisma.


Já os sobreviventes trataram de registrar o evento não apenas para ilustrar, mas para relatá-lo para a posteridade, na forma de monumentos e tradições orais.


Uma dessas tradições era a de que o surgimento de cometas era prenúncio de catástrofe.


Com o passar de gerações, perceberam que o fenômeno se repetia ciclicamente, e como eram tão inteligentes quanto nós, trataram de desenvolver tecnologias para salvar suas populações.


O conhecimento astronômico permitiu saber e prever a época do ano em que os cometas apareceriam.


As construções megalíticas foram feitas para servir de abrigos contra a chuva de pedras do céu, enviada por um deus punitivo e vingativo insatisfeito com o comportamento dos homens.



A lenda suméria/babilônica de Inanna e sua irmã Ereshkigal é interessante:
Inanna, rainha do céu, e Ereshkigal, rainha do mundo inferior em representações suméria e babilônica (mais moderna)
Novamente, deusas voadoras que evocam a forma do "candelabro" das tradições milenares dos povos daquela região. 

Ao visitar Ereshkigal no mundo inferior, Inanna foi morta e seu cadáver pendurado em um gancho para todo mundo ver. O ministro de Inanna, Ninshubur, no entanto, pediu a Enki e Enki concordou em resgatar Inanna do mundo inferior. 

Enki mandou dois enviados para o submundo a fim de reviver Inanna e escoltá-la de volta, mas um bando de demônios a seguiu, exigindo levar alguém para o mundo inferior como substituto dela.  

Quando Inanna descobriu que seu marido Dumuzid não lamentou sua morte, ela se irritou e ordenou que os demônios o levassem como seu substituto.

Seria uma parábola sobre uma deusa retornando à Terra e causando a morte de um pecador que não a honrou em sua ausência?


Religiões com esse tipo de conceito foram se tornando cada vez mais complexas, e como simples orações e cânticos não detinham a ameça, a interpretação lógica e coerente (para eles) era que seu(s) deus/deuses insatisfeitos queriam ainda mais sacrifícios.

Surgem cultos religiosos que demandam sacrifícios cada vez maiores, chegando ao ponto de praticar mortes rituais no intuito de agradar aos deuses. Em todos os continentes, incluindo a Oceania.


[revisar e integrar]
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A teoria sobre a desintegração de um cometa há cerca de 20 mil anos nas proximidades da Terra foi apresentada pelo astrônomo inglês Charles Napier. O cometa Encke teria se fragmentado ao passar muito próximo do campo gravitacional terrestre, liberando blocos de rochas e gelo que continuaram sua trajetória que permanentemente cruza com a órbita de nosso planeta.

O cometa Encke é um dos mais frequentes, completando uma órbita solar aproximadamente a cada 3 anos. Por causa das diferentes velocidades do planeta e do astro, nem sempre esse cruzamento ocorre nas proximidades do planeta, mas há um ciclo repetitivo quando as órbitas se interceptam em nossas proximidades.

Ao atravessar a órbita do cometa duas vezes por ano, a Terra é atingida por várias chuvas de meteoros (e eventualmente meteoritos), chamadas Tauridas, Beta Tauridas e Aquaridas; recebem esses nomes porque seu radiante (o ponto no céu de onde os meteoros parecem se originar) se localiza nas constelações de Touro e Aquário.

Quando o cruzamento ocorre nas proximidades do que restou do núcleo do Encke, ocorrem as mais intensas chuvas de meteoros que a humanidade já assistiu, com vários dias de duração. Um fenômeno tão maravilhoso e aterrador que ficou registrado em inúmeros monumentos pré-históricos e tradições há dezenas de milhares de anos.

Esse evento que se repetia todos os anos foi o que levou a humanidade a desenvolver o interesse pelo que ocorria nos céus; a necessidade de prever a ocorrência da próxima chuva de meteoros e enormes meteoritos, a fim de buscar abrigo nos dias de fúria da natureza. Ou dos deuses.

Inicialmente esse abrigo ocorria em cavernas, onde um dia registraram o que viam nos céus e em cenas de seu cotidiano. Faziam isso porque ainda eram incapazes de construir abrigos suficientemente resistentes para suportar um eventual impacto; logo técnicas foram desenvolvidas para a construção das enigmáticas muralhas de pedras gigantescas que até hoje causam admiração em locais tão distantes como Japão, Coreia, Índia, Egito, boa parte da Europa, Peru e Bolívia.

Concordo com a teoria do pesquisador australiano xxxxxxxxxxx: 

Também temos um observatório astronômico comparável a Stonehenge próximo ao rio Calçoene no Amapá.
Esse observatório também põe abaixo a teoria mais aceita de que observatórios astronômicos foram criados devido à necessidade de criar calendários para definir as estações do ano para fins de plantação — o único cultivo praticado pelos nativos em terras brasileiras era a mandioca, e nosso clima tropical não influencia a época do plantio. Saudemos a mandioca!

Mover e alinhar pedras enormes requer tempo, tremendo esforço conjunto e força física, um luxo para pessoas que passavam a maior parte do tempo cuidando de encontrar e cultivar a alimentação.

Então, a prática da astronomia, a criação de observatórios astronômicos e a construção de abrigos com pedras maciças, recobertos por terra ou não, foram movidas por necessidades imperativas — sobrevivência.



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O primeiro registro astronônico da humanidade aparece nas pinturas das cavernas de Lascaux.

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Carnac

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Dólmens

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Long burrows

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Gobekli Tepe, o monumento à lembrança do cataclisma.



Islândia, um impacto na Dorsal Mesoatlântica

A Islândia é uma grande ilha situada exatamente na fratura entre os continentes da América e Eurásia-África.

Esses blocos continentais vêm se separando há centenas de milhões de anos e enormes fluxos de lava ocorreram ao longo de sua extensão, mas nenhum deles foi suficientemente grande para gerar uma ilha no meio do Atlântico, exceto a Islândia.

Por que a exceção?

Se a Islândia foi criada por um evento geológico normal, por que não há várias outras ilhas ao longo da Dorsal Mesoatlântica?

A resposta está em um impacto ocorrido há aproximadamente 58 milhões de anos.

O impacto ocorreu exatamente sobre a fratura, o que facilitou o derrame de lava das proporções necessárias para fazer surgir do fundo oceânico um complexo vulcânico com 103 mil km2 de área emersa e uma plataforma vulcânica com aproximadamente o triplo disso.

Essa torre vulcânica mostra um formato oval, mas se descontarmos a expansão devido à deriva continental, teremos um astroblema perfeitamente circular com diâmetro aproximado de 500 km.


Conforme a Wikipedia em inglês, a ilha é composta principalmente de basalto, uma lava de baixo teor de sílica associada a vulcanismo efusivo, como ocorre também no Havaí. 

Ora, o Havaí é o melhor exemplo de vulcanismo gerado por impacto como demonstrado na explicação sobre a proposta Cratera Rohe, um dos principais impactos que determinou a extinção Cretácea.

Há evidências de um impacto?

Sim, a começar pela datação da origem da ilha, estimada entre 57 e 53 milhões de anos.

Não houve nenhuma extinção comparável à do Cretáceo há 57 milhões de anos, mas ocorreu uma extinção significativa que marca a divisão entre o Paleoceno e o Eoceno há 58 milhões de anos.

Esse evento extremamente significativo é chamado de Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (MTPE).
Em inglês, Paleocene–Eocene Thermal Maximum (PETM), "Eocene thermal maximum 1" (ETM1), ou "Initial Eocene" ou "Late Paleocene Thermal Maximum".

Houve um pico da temperatura oceânica que depois se prolongou durante o período eocênico.

Esse aquecimento posterior pode ser explicado como consequência do intenso vulcanismo que gerou a Islândia, mas como explicar o pico repentino que caracteriza a extinção do Paleoceno-Eoceno?

Há alguma evidência concreta de um impacto?

Sim. 

Essa teoria foi proposta no estudo "A case for a comet impact trigger for the Paleocene/Eocene thermal maximum and carbon isotope excursion" pelos pesquisadores D.V. Kent, B.S. Cramer, L. Lanci, D. Wang, J.D. Wright, R. Van der Voo em 2002.

Uma das evidências é a anomalia de irídio, um forte indicador de impactos extraterrestres, na região de Zumaia, Espanha. 

Também foi encontrado um teor de irídio acima da média em Nova Jérsei, do outro lado do Atlântico, além de microtectitas (esférulas vítreas formadas em impactos). Sem falar em uma camada típica como aquela associada ao evento de Chicxulub.

Esses pesquisadores chegaram a estimar a massa de um suposto bólido, mas reconheceram uma discordância entre os valores propostos e a espessura relativamente fina da camada encontrada — 100 Gigatoneladas apenas de carbono para justificar o efeito estufa calculado.

Para eles, essa massa, atribuível a um cometa, deveria ter afetado o planeta em uma escala comparável à extinção do final do Cretáceo, o que não se verificou. Mas é algo que pode ser explicado pela absorção do impactador pela fratura já existente.

Esse mecanismo explica o pico de temperatura inicial pela energia do impacto em si. Também permite interpretar o volume de lava excepcional que fez surgir a Islândia e a ausência de uma cordilheira vulcânica associada ao impacto: 

A ilha é a soma de todos os vulcões que constituiriam uma cordilheira, mas concentrados no ponto de separação entre duas placas tectônicas.

O grande problema desses cálculos é que eles são feitos tomando por base o único evento de grande impacto analisado pelos cientistas, Chicxulub.

Ora, as evidências apontadas em meus outros estudos mostram que Chicxulub foi um impacto relativamente pequeno.

Outros impactos da extinção cretácea ocorreram nas Américas do Sul e do Norte, e provavelmente no Caribe, em uma rajada desde o Atlântico Sul até possivelmente o norte do Pacífico — sem contar a outra possível rajada das crateras propostas Shiva, Rohe e possivelmente Spratly.

A teoria dos múltiplos impactos estabelece uma proporcionalidade entre os níveis de mortalidade da extinção cretácea correlacionada à extinção permiana, bem como a possível rajada das crateras propostas Shoemaker-Levy (placa tectônica de Nova Scotia) e Alvarez (arco vulcânico do Caribe com hotspot em Cabo Verde, no centro da província ígnea do Atlântico Central).

A teoria do impacto sobre a Dorsal Mesoatlântica permite explicar não somente a anomalia do PETM e a anomalia de irídio observada, mas também o vulcanismo atípico que formou o planalto da Islândia.

Esse fenômeno só encontra comparação com o planalto e vulcanismo da Meseta de Kerguelen, no sul do oceano Índico, que por sua vez pode ser associado à cratera de Wilkes Land na Antártida.

Datações estimadas para Wilkes Land tentam atribuir o impacto à crise do Permiano, mas se considerarmos a data estimada para as rochas de Kerguelen, veremos que esse impacto ocorreu possivelmente há 117 milhões de anos, um evento de microextinção que marca o período Cenomaniano.

A Cratera de Wilkes Land tem um diâmetro estimado de 550 km, algo que pesquisadores pensam que poderia justificar a extinção permiana, mas uma confirmação irá demorar porque ela se encontra abaixo de quilômetros de gelo e somente foi identificada por varredura de radar.

Se considerarmos as propostas crateras Wegener, Tarim e Bedout como causadoras da extinção permiana (sendo que o impacto de Wegener resultou no derrame antipodal na Sibéria), veremos que os 550 km da cratera de Wilkes Land e intenso vulcanismo de Kerguelen são compatíveis com uma pequena extinção.

O viés está na menor massa terrestre encontrada no hemisfério sul, menor biomassa existente e menor atividade de pesquisa de fósseis e possíveis impactos extraterrestres. 

Esta é uma corrente de pensamento que vai de encontro à opinião acadêmica reinante, a qual levará décadas para ser revertida.

Isso ocorrerá somente quando datações precisas forem atribuídas aos impactos propostos confirmando as teorias, da mesma maneira que a teoria de Wegener sobre a deriva continental somente foi reconhecida quando surgiram evidências das fraturas do fundo oceânico que delimitam as placas tectônicas.


A case for a comet impact trigger for the Paleocene/Eocene thermal maximum and carbon isotope excursion
D.V. Kent a;b;, B.S. Cramer a;c, L. Lanci a;d, D. Wang e, J.D. Wright a, R. Van der Voo e

a Department of Geological Sciences, Rutgers University, Piscataway, NJ 08854, USA
b Lamont-Doherty Earth Observatory, Palisades, NY 10964, USA
c Institute of Geology and Paleontology, Tohoku University, Sendai 980-8578, Japan
d Instituto di Dinamica Ambientale, Universita' di Urbino, 61029 Urbino, Italy
e Department of Geological Sciences, University of Michigan, Ann Arbor, MI 48109, USA

Received 25 June 2002; received in revised form 22 March 2003; accepted 31 March 2003