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quarta-feira, 30 de junho de 2021

Os impactos que mataram mamutes há 30.000 anos

Uma das melhores surpresas destas pesquisas foi totalmente inesperada:

Enquanto pesquisava a trajetória do meteoro/meteoritos de Cheliabinsk para verificar seu eventual alinhamento em relação a Tunguska, observei centenas de lagos ovais, todos orientados na direção nornordeste.

Ora, isso é caracterísitico de uma rajada de impactos, mas essa orientação não coincidia com nenhum dos radiantes estudados para a fragmentação do cometa Encke...

Então me lembrei do estudo sobre presas de mamute e ossos de bisão com fragmentos de meteoritos incrustados.

Esses ossos foram datados e alguns se relacionam ao evento de Younger Dryas, a rajada descrita em Gobekli Tepe. 

Mas outros ossos e presas foram datados em 30.000 há 34.000 anos atrás, muito velhos para se encaixarem naquele evento.

Voltei àquele estudo (publicado abaixo) e descobri que os fósseis de mamutes foram recuperados da região do lago Sithylemenkat, no Alaska, América do Norte, com uma cratera de impacto confirmada e batizada de Avak, na região — os ossos de bisão foram descobertos na Sibéria, sem maiores detalhes quanto à localização.

Seguem trabalhos de pesquisa sobre os fragmentos de meteorito incrustados:

[falta condensar]
Presas de mamutes mostram chuva de meteoritos

Rex Dalton

Nature, 12 de dezembro de 2007

Fragmentos semelhantes a balas do que se pensa ser uma chuva de meteoritos antiga foram encontrados incrustados em presas de mamutes e ossos de bisões.

A descoberta dos buracos de 2,5 milímetros deixados pelos meteoritos abre uma janela para um evento de impacto que se pensa ter acontecido no Alasca e na Rússia dezenas de milhares de anos atrás. E poderia fornecer uma maneira totalmente nova de mapear os impactos do espaço.

Os fragmentos, encontrados em sete presas de mamute e no crânio e chifres de um bisão siberiano, correspondem à composição geoquímica dos meteoritos de ferro. 

"Acreditamos que os micrometeoritos tenham sido causados pela explosão de um meteoro 30.000 a 34.000 anos atrás", diz Richard Firestone, coautor do estudo e químico do Lawrence Berkeley National Laboratory, na Califórnia. "Acreditamos que uma onda de material meteórico pulverizou a região".


Algumas presas estão salpicadas com centenas de fragmentos, que queimaram sulcos no osso. Todos os pedaços entraram nos ossos nas superfícies voltadas para o céu das presas e do crânio.

Fonte: https://www.nature.com/articles/news.2007.372

[falta condensar]
O mistério das presas gigantescas com recheios de ferro

Ned Rozell

03/06/08

Imagem cedida por Richard Firestone

Partículas de ferro incrustadas cercadas por anéis carbonizados na camada externa de uma presa de mamute do Alasca. A foto no detalhe mostra como um objeto rasgou a presa.

Imagem cedida por Richard Firestone

Uma partícula de ferro incrustada em uma presa de mamute com um anel de queimadura ao seu redor.

Um meteoro gigante pode ter explodido sobre o Alasca há milhares de anos, atirando fragmentos de metal como uma rajada de balas, alguns dos quais ficaram incrustados nas presas de mamutes lanudos e chifres de bisão.

Simultaneamente, uma grande parte do meteoro atingiu o Alasca ao sul de Allakaket, enviando uma nuvem de poeira que escureceu o sol sobre todo o estado e áreas adjacentes, matando a maior parte da vida na área.

Esse é o cenário previsto por Rick Firestone, cientista da equipe do Laboratório National Lawrence Berkeley, na Califórnia. Firestone e seus colegas encontraram presas de mamute e um crânio de bisão com partículas de ferro ricas em níquel de um lado, sugerindo que todos os fragmentos de metal vieram da mesma direção.

A teoria de Firestone surgiu quando seu colega Alan West, de Dewey, Arizona, viu em uma exposição de gemas e minerais em Phoenix uma presa de mamute salpicada de pequenos pedaços de metal. Intrigados, West e Firestone analisaram presas pertencentes ao mesmo comerciante em Calgary.


Photo caption below.


Imagem cedida por Richard Firestone
Partículas de ferro incrustadas cercadas por anéis carbonizados
na camada externa de uma presa de mamute do Alasca.
O detalhe mostra como o fragmento rasgou a presa.
Ao passar um ímã sobre as presas de mamute em Calgary, Firestone e West encontraram sete presas de mamute coletadas em algum lugar perto do rio Yukon e um crânio de bisão da Sibéria que tinha pequenos fragmentos de ferro queimados em sua superfície. Os fragmentos também continham níquel.

"Uma em cada 1.000 presas continha esse material", afirmou Firestone.

Firestone também acha que pode ter encontrado o depósito deixado pelo antigo meteorito, uma cratera de impacto que agora é ocupada por um lago redondo chamado Sithylemenkat, ao longo do rio Kanuti.

"Os riachos que saem do lago são muito ricos em níquel", disse Firestone, referindo-se a um metal associado a meteoritos. "E a forma é consistente com uma cratera de um meteorito que pode ter meio quilômetro de diâmetro — algo bem grande".

Um meteorito tão grande teria incinerado tudo em um raio de 160 quilômetros e poderia ter enterrado os mamutes mais distantes da cratera, preservando as presas atingidas por fragmentos de metal. Firestone disse que a poeira levantada pelo meteoro teria eliminado todos os mamutes que sobreviveram ao impacto do meteoro.

"Provavelmente houve 10.000 anos sem mamutes", disse ele, acrescentando que outros mamutes acabaram migrando de volta para o Alasca.

Photo caption below.
Imagem cedida por Richard Firestone
Uma partícula de ferro embutida em uma presa de mamute 
com um anel de queimadura ao seu redor
Dale Guthrie, um dos poucos especialistas em mamutes do Alasca, disse que acha interessante a teoria de Firestone, mas os cientistas do Alasca que conhecem as crateras de impacto acham que ele provavelmente está desconsiderando que o lago Sithylemenkat é o lugar onde um meteorito gigante caiu cerca de 35.000 anos atrás (a idade aproximada das presas de mamute). 

Os cientistas confirmaram apenas uma cratera de impacto no Alasca, chamada Avak, perto de Barrow — e descobriram apenas cerca de 140 crateras de impacto em todo o planeta.

Buck Sharpton, especialista em crateras de impacto e vice-chanceler de pesquisa da Universidade de Alaska Fairbanks, disse que o lago teria que ter muito mais de 35.000 anos, porque não tem borda associada a crateras de impacto mais recentes e não se parece com uma cratera de impacto. Ele acha que os pedaços de ferro nas presas podem ser cavidades preenchidas "sendo imersas por milênios em poros sedimentares porosos, através dos quais a água rica em ferro penetrou".

Quanto ao lago Sithylemenkat, Gordon Herreid não mencionou um possível impacto meteorológico quando escreveu um relatório de geologia de 1969 no lago para o estado (que ordenou a investigação por causa de possíveis depósitos de níquel lá). Jan Cannon escreveu na revista Science em 1977 que o lago parecia ser a única cratera de impacto visível no Alasca, com base em um estudo de imagens de satélite Landsat. Um ano depois, William Patton, do US Geological Survey, argumentou na Science que geleiras, em vez de meteoritos, haviam criado o lago.

Esta coluna é fornecida como um serviço público pelo Instituto Geofísico da Universidade de Alaska Fairbanks, em cooperação com a comunidade de pesquisa da UAF. Ned Rozell é escritor de ciências no instituto.








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Ora, Cheliabinsk fica na Sibéria e mostra lagos que podem ter sido produzidos por impactos... prolongue a linha seguindo a direção dos eixos maiores dos lagos ovais na região de Cheliabinsk (marcador vermelho à direita na figura), e o que encontramos?




Exatamente o lago Sithylemenkat (marcador vermelho na figura).... rodeado de outra infinidade de lagos dispostos em um padrão semelhante ao que vemos na região de Cheliabinsk, mas menos ovais, o que pode indicar impactos mais verticais:






Somente com a ajuda de astrônomos poderemos saber se essa nova posição está próxima do radiante esperado para uma data tão recuada.

Felizmente, há astrônomos que se dedicam à pesquisa da origem do cometa Encke, mas minha dificuldade é estabelecer contato com eles sem dispor de um email acadêmico.

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Essa rajada inicial também pode ser atribuída à fragmentação do cometa Encke.

Bill Napier propõe que esse evento ocorreu há cerca de 20.000 anos, mas martin Swatman em seu vídeo Prehistory Decoded Part 3 cita o trabalho de pesquisa de D. I. Steel e D. J. Asher, que sugerem que o corpo original que resultou no que hoje conhecemos como cometa Encke foi um asteroide do grupo dos Centauros, conhecido por possuir grandes componentes como o asteroide 10199 Cáriclo, de aproximadamente 250 km.

























Se confirmada essa hipótese, o evento que reduziu a população de mamutes e megafauna na região entre a América do Norte e Sibéria — cerca de 20.000 anos antes de sua extinção definitiva — teria sido um dos primeiros impactos resultantes da fragmentação que resultou no Encke.

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Cometas, calamidades, religiões e apocalipses

Afinal, o que são cometas?

Cometas são sinal do fim do mundo?


É uma tradição muito antiga associar cometas a pevisões apocalípticas: iminência de catástrofes, desgraças e fim do mundo.

Cometa Halley ilustrado na Tapeçaria de Bayeux, século XI d.C.
A que se deve tamanha má-fama para um espetáculo visual tão bonito?

Bem, bonito para nós hoje, que dispomos de informação. Mas naquela época, as coisas eram muito diferentes.


Hoje já enviamos sondas a cometas que mostraram sua verdadeira face: enormes blocos de gelo de até 100 km que emitem gases ao se aproximar do Sol.
Cometa 67P Churyumov-Gerasimenko fotografado pela sonda Rosetta 
As fotos mostraram que além do bloco principal, o cometa transporta rochas agregadas pela gravidade, e não  há motivo para não pensarmos que existam outras incrustadas no gelo:
Cometa 67P Churyumov-Gerasimenko em detalhes  
Imagine que você é um caçador/coletor da Era do Gelo.

Você vive em um mundo em que todos os dias e noites são iguais: caçar, colher, plantar, cantar e contar histórias ao redor da fogueira, se encantar com o céu noturno.

Nada é diferente disso até que uma noite aparece no céu uma "estrela" um pouco mais brilhante.


Passam-se as semanas e fica evidente que ela está crescendo lentamente, e em sua volta se forma um halo translúcido... uma "cabeleira" fantasmagórica — muito maior do que todas as estrelas e planetas, maior até do que a Lua — e que se move lentamente nos céus.

Cometa Hale-Bopp, 1997
E essa é a origem da palavra cometa, do grego κομήτης, significando "que tem cabelos longos" — cometa é uma "estrela cabeluda".

Ora, quem tem cabelos longos são apenas os homens e mulheres, então só pode ser uma entidade luminosa espreitando nos céus — algo apavorante e suspeito, quais suas intenções?


E cometas surgem e vão embora, o mito da aparição misteriosa é contado de geração em geração, cai no esquecimento, aí outro cometa aparece, o ciclo recomeça, e segue a vida.

Até que um dia o cometa Encke se aproxima mais que os outros, enchendo o céu e mostrando a maior cabeleira que a humanidade já viu.


E junto com ele, vem uma chuva de pedras de fogo e enxofre — um elemento comum em vários meteoritos — de cheiro pungente. 


Ninguém iria comentar que o cometa trouxe uma chuva de ferro, porque eles ainda não forjavam metais. Nem uma chuva de irídio, porque não conheciam o cheiro do irídio derretido. Aliás, nem eu.

Enxofre eles conheciam, cheira mal, e a história registrou que cidades e populações inteiras foram devastadas por chuvas de fogo, e não só em Sodoma e Gomorra, ou em Tell al Haramm.


Qual a explicação para tamanha ira divina? 


Ora, aquelas pessoas foram castigadas porque todas desagradaram aos deuses ou deus local. Lógico e coerente para quem recém saiu das cavernas, para quem estava começando a construir as civilizações. Civilização quer dizer construir cidades.


Que deuses vinham do céu carregando morte e destruição pelo fogo?


Inúmeros. Os maias, a civilização com o conhecimento de astronomia mais avançado da América, tinham fascinação pela representação de um deus caindo dos céus carregando uma tocha...









Algo impressionante como um cometa.
Este antigo catálogo chinês mostra variadas formas de cometas observados ao longo de sua civilização milenar.

Algumas formas lembram o Candelabro de Paracas... e a última ilustração não se parece com nenhuma das outras.


Carl Sagan aventou a hipótese de que essa "suástica" seria a representação de um cometa vindo em direção à Terra: em vez de vermos sua cauda estendida no espaço, vemos 4 caudas emanando de um núcleo, mas sua extensão é menor porque elas se dobram para trás em relação à trajetória do cometa.


Ou seja, algo que você veria se um cometa viesse em nossa direção e que passasse muito perto da Terra, algo para ficar registrado de maneira marcante na História de todos os povos.


Veja as figuras abaixo:

Petroglifo natufiano, Turquia ou Síria / Candelabro de Paracas, Peru / Ídolo hinduísta, Índia

O que estas três figuras têm em comum? O que elas lembram?

À primeira vista, a representação de um cacto? Um candelabro daqueles de colocar velas? Um sapo sem pernas?


É difícil entender porque alguém se daria ao trabalho de representar a mesma forma básica em lugares tão diferentes do mundo e em épocas aparentemente tão disparatadas.


Por que um cidadão natufiano de Gobekli Tepe se daria ao trabalho de gravar na pedra uma planta que não existe na Turquia?


Por que habitantes do litoral do Peru se dariam ao trabalho de escavar a imagem de um candelabro com 180 metros de altura em uma encosta desértica?


Por que habitantes da Índia idolatrariam um ser tão estranho aparentemente associando-o ao céu?


Por que aborígenes da Austrália temeriam um gigantesco ser em forma de candelabro?

Se minha interpretação estiver correta, eles procuram refúgio no alto das árvores, talvez na tentativa de fugir de tsunamis trazidos pela poderosa entidade?

O impacto de grandes meteoritos no oceano é capaz de provocar grandes tsunamis... 

Como poderiam civilizações tão distantes uma da outra compartilhar a mesma ideia exótica? A menos que cogitemos que todos eles viram algo muito impressionante com essa forma.

Sabemos que corpos celestes se aproximando do nosso planeta se desintegram e podem se transformar em uma chuva de meteoros.


Uma chuva atípica ocorreu em 1913 e foi testemunhada em vários locais do mundo:


A procissão de meteoros de 1913 não liberou estrelas cadentes porque foi um pequeno asteroide que se desintegrou ao tangenciar nossa atmosfera.


Os vários meteoros formaram uma fila luminosa que percorreu toda essa extensão, talvez até mais, porque não há tantos navios no Atlântico Sul. 


Mas, e se ao invés de um pequeno asteroide, fosse um cometa se desintegrando?


Apesar do conceito de que cometas seriam apenas enormes blocos de gelo sujo, as leis da gravitação regem que formar um grande corpo celeste envolve uma massa central capaz de atrair muito material à sua volta.


A ideia que fazemos é que cometas liberam apenas poeira e fragmentos minúsculos enquanto o gelo é sublimado pela radiação solar, porque é isso que vemos pelo telescópio e nas chuvas de meteoros — a imensa maioria deles se queima na atmosfera sem atingir o solo, sem virar meteoritos.


Será que sempre foi assim?


Se a teoria de Napier estiver correta, e eu creio que está, o cometa Encke ao se fragmentar liberou blocos de seu interior, blocos de tamanho bem mais significativo: asteroides metálicos.


Cada vez mais entendemos o processo de aglomeração que leva à formação de asteroides e cometas, e ambos não são diferentes — apenas que os asteroides se formam mais próximos ao Sol, portanto são mais rochosos/metálicos com pouco gás congelado.


Cometas se formam na região mais externa e fria do sistema solar, onde há mais gases e poeira cósmica, formando as tais bolas de gelo sujo — mas seu núcleo é mais denso, caso contrário não haveria aglomeração.


Mas por que haveriam asteroides metálicos no exterior do sistema solar? Eles não se formaram devido ao calor solar, que fundiu os metais?


É verdade, os metais foram fundidos pelo calor de uma estrela, mas não foi o nosso Sol.


Todo o ferro, níquel, cobalto, paládio, irídio, etc. que temos na Terra se originou do colapso de uma estrela muito mais antiga que o nosso Sol — Carl Sagan sintetizou poeticamente esse fato com a frase poética de que somos todos feitos de poeira das estrelas.


Ferro e outros metais só se formam no interior de uma estrela, e quando ela morre, explode e libera seu material para o espaço, dando origem a nebulosas que se condensam em novos sistemas solares ao longo de milhões de anos.


Nosso Sol e nossos planetas se formaram agregando esses fragmentos, e quanto mais próximo da atração gravitacional de nossa estrela, maior a densidade média dos planetas como Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. 


Mas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno também têm núcleos rochosos capazes de atrair gravitacionalmente enormes atmosferas de gás.


Suas luas são compostas principalmente de gelo, mas também têm um núcleo sólido.


Tritão, lua de Netuno, é praticamente idêntica a Plutão, em uma órbita mais externa, assim como muitos outros planetas-anões daquela região onde está a nossa maior reserva de cometas — por qual motivo eles não teriam núcleos rochosos/metálicos, se esses materiais literalmente vieram de fora do sistema solar?


Então a fragmentação do cometa Encke (ou mais corretamente, de seu antecessor), ao passar muito próximo da Terra, desencadeou as maiores chuvas de meteoros e meteoritos que a humanidade testemunhou, e nem todos sobreviveram ao cataclisma.


Já os sobreviventes trataram de registrar o evento não apenas para ilustrar, mas para relatá-lo para a posteridade, na forma de monumentos e tradições orais.


Uma dessas tradições era a de que o surgimento de cometas era prenúncio de catástrofe.


Com o passar de gerações, perceberam que o fenômeno se repetia ciclicamente, e como eram tão inteligentes quanto nós, trataram de desenvolver tecnologias para salvar suas populações.


O conhecimento astronômico permitiu saber e prever a época do ano em que os cometas apareceriam.


As construções megalíticas foram feitas para servir de abrigos contra a chuva de pedras do céu, enviada por um deus punitivo e vingativo insatisfeito com o comportamento dos homens.



A lenda suméria/babilônica de Inanna e sua irmã Ereshkigal é interessante:
Inanna, rainha do céu, e Ereshkigal, rainha do mundo inferior em representações suméria e babilônica (mais moderna)
Novamente, deusas voadoras que evocam a forma do "candelabro" das tradições milenares dos povos daquela região. 

Ao visitar Ereshkigal no mundo inferior, Inanna foi morta e seu cadáver pendurado em um gancho para todo mundo ver. O ministro de Inanna, Ninshubur, no entanto, pediu a Enki e Enki concordou em resgatar Inanna do mundo inferior. 

Enki mandou dois enviados para o submundo a fim de reviver Inanna e escoltá-la de volta, mas um bando de demônios a seguiu, exigindo levar alguém para o mundo inferior como substituto dela.  

Quando Inanna descobriu que seu marido Dumuzid não lamentou sua morte, ela se irritou e ordenou que os demônios o levassem como seu substituto.

Seria uma parábola sobre uma deusa retornando à Terra e causando a morte de um pecador que não a honrou em sua ausência?


Religiões com esse tipo de conceito foram se tornando cada vez mais complexas, e como simples orações e cânticos não detinham a ameça, a interpretação lógica e coerente (para eles) era que seu(s) deus/deuses insatisfeitos queriam ainda mais sacrifícios.

Surgem cultos religiosos que demandam sacrifícios cada vez maiores, chegando ao ponto de praticar mortes rituais no intuito de agradar aos deuses. Em todos os continentes, incluindo a Oceania.


[revisar e integrar]
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A teoria sobre a desintegração de um cometa há cerca de 20 mil anos nas proximidades da Terra foi apresentada pelo astrônomo inglês Charles Napier. O cometa Encke teria se fragmentado ao passar muito próximo do campo gravitacional terrestre, liberando blocos de rochas e gelo que continuaram sua trajetória que permanentemente cruza com a órbita de nosso planeta.

O cometa Encke é um dos mais frequentes, completando uma órbita solar aproximadamente a cada 3 anos. Por causa das diferentes velocidades do planeta e do astro, nem sempre esse cruzamento ocorre nas proximidades do planeta, mas há um ciclo repetitivo quando as órbitas se interceptam em nossas proximidades.

Ao atravessar a órbita do cometa duas vezes por ano, a Terra é atingida por várias chuvas de meteoros (e eventualmente meteoritos), chamadas Tauridas, Beta Tauridas e Aquaridas; recebem esses nomes porque seu radiante (o ponto no céu de onde os meteoros parecem se originar) se localiza nas constelações de Touro e Aquário.

Quando o cruzamento ocorre nas proximidades do que restou do núcleo do Encke, ocorrem as mais intensas chuvas de meteoros que a humanidade já assistiu, com vários dias de duração. Um fenômeno tão maravilhoso e aterrador que ficou registrado em inúmeros monumentos pré-históricos e tradições há dezenas de milhares de anos.

Esse evento que se repetia todos os anos foi o que levou a humanidade a desenvolver o interesse pelo que ocorria nos céus; a necessidade de prever a ocorrência da próxima chuva de meteoros e enormes meteoritos, a fim de buscar abrigo nos dias de fúria da natureza. Ou dos deuses.

Inicialmente esse abrigo ocorria em cavernas, onde um dia registraram o que viam nos céus e em cenas de seu cotidiano. Faziam isso porque ainda eram incapazes de construir abrigos suficientemente resistentes para suportar um eventual impacto; logo técnicas foram desenvolvidas para a construção das enigmáticas muralhas de pedras gigantescas que até hoje causam admiração em locais tão distantes como Japão, Coreia, Índia, Egito, boa parte da Europa, Peru e Bolívia.

Concordo com a teoria do pesquisador australiano xxxxxxxxxxx: 

Também temos um observatório astronômico comparável a Stonehenge próximo ao rio Calçoene no Amapá.
Esse observatório também põe abaixo a teoria mais aceita de que observatórios astronômicos foram criados devido à necessidade de criar calendários para definir as estações do ano para fins de plantação — o único cultivo praticado pelos nativos em terras brasileiras era a mandioca, e nosso clima tropical não influencia a época do plantio. Saudemos a mandioca!

Mover e alinhar pedras enormes requer tempo, tremendo esforço conjunto e força física, um luxo para pessoas que passavam a maior parte do tempo cuidando de encontrar e cultivar a alimentação.

Então, a prática da astronomia, a criação de observatórios astronômicos e a construção de abrigos com pedras maciças, recobertos por terra ou não, foram movidas por necessidades imperativas — sobrevivência.



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O primeiro registro astronônico da humanidade aparece nas pinturas das cavernas de Lascaux.

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Carnac

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Dólmens

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Long burrows

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Gobekli Tepe, o monumento à lembrança do cataclisma.



Eram os deuses asteroides?

Se você leu o título e entendeu "deuses astronautas", não é coincidência: as duas coisas estão bastante relacionadas. E lendo este trabalho você descobrirá que em determinado momento da história da humanidade, astronautas e asteroides tinham o mesmo significado...

Aster e astro significam a mesma coisa: estrela. 

Sua origem está no grego antigo ἀστήρ (astḗr), enquanto astro é a forma latina da mesma palavra.

Então um astronauta é um nauta das estrelas, um navegante espacial.

Já "oide" quer dizer "em forma de". Um esferoide é algo que lembra uma esfera, mas pode ser ligeiramente imperfeita, como nosso planeta Terra, ligeiramente achatado nos polos — ou gorduchinho na cintura (diga não à gordofobia!)

Um androide tem a forma de um andro (de Άνδροςm, ándrós, 
homem em grego) — parece um ser humano, mas não é. 

A forma feminina do androide é ginoide (palavra que ninguém usa) e vem do grego γυνη, gynē - mulher).

Da mesma forma, um ovoide tem a forma de um ovo, mas não é orgânico. E debiloide é aquele que age sem usar a inteligência, ou seja, semelhante a uma pessoa com deficiência intelectual.

Então asteroide originalmente queria dizer "em forma de estrela". Algo que parece uma estrela, mas não é.

Mas por que tem a forma de uma estrela, se são coisas tão diferentes? Estrelas têm luz própria e asteroides não brilham no céu.

Quer dizer, não brilham, a menos que você olhe com um telescópio. E os primeiros asteroides vistos com essa nova tecnologia não se encaixavam no conhecimento ancestral dos objetos celestes.

Um asteroide parecia uma estrela muito fraca, não um disco como um planeta visto ao telescópio. Mas as estrelas ocupam posições fixas no céu, e os asteroides se moviam da mesma forma que planetas. Também não eram cometas. Nem "estrelas cadentes". Por um bom tempo chegaram a ser chamados de planetoides, e agora recebem nomes diferentes em função do seu tamanho.

Mas por que tantos nomes e tanta confusão?

Para entender, imagine como viviam os homens de antigamente, sem acesso a informações e sem meios de pesquisar na internet ou em livros: era um tempo em que se acreditava no que os outros diziam, geralmente os mais velhos e experientes — aqueles que entendiam melhor o mundo. 

Ou que pensavam que entendiam, porque informação é poder. Explicar um fenômeno misterioso ganhava o respeito da comunidade.

Os conceitos que eles tinham do mundo se baseavam somente naquilo que viam ou que era passado pelas gerações anteriores na forma de histórias e tradições narradas em volta da fogueira.

Tudo no mundo era mistério, então esses "sábios" primitivos usaram seu raciocínio para elaborar conceitos que hoje ninguém mais acredita. 

Conceitos como a terra plana, por exemplo, serviam para explicar "logicamente" a sua realidade de mundo que não era maior que poucas dezenas de quilômetros em volta da sua aldeia. 

Esses homens começaram a dar nomes às coisas de acordo com o seu entendimento, então tudo que viam no céu eram estrelas, o Sol e a Lua.

Mas volta e meia acontecia algo surpreendente: uma estrela saía de sua posição no céu, e se movia rapidamente. Algumas "estrelas" até caíam nas vizinhanças, causando enorme estrondo e terror.

Qual a explicação disso? 

Ora, eram estrelas que caíam do céu, daí "estrela cadente", o astro que cai. Muita gente até hoje chama os meteoros e bolas de fogo por esse nome, e uma boa parcela acredita que realmente são estrelas despencando de lá de cima.

Isso acontecia na atmosfera, a esfera de ar que circunda a Terra. Pois é, há dois mil e quinhentos anos eles sabiam que ela não era plana. 

Meteoro (μετέωρο) era o nome de tudo aquilo que acontece no céu, dentro da atmosfera. Esse estudo se tornou um ramo de estudos da filosofia natural, depois ciência, a meteorologia.

E as "estrelas cadentes", um fenômeno que chamava tanto a atenção que "meteoro" acabou se tornando sinônimo desse tipo de fenômeno celeste.

A meteorologia se tornou algo tão complexo que gerou um ramo de estudos separado; era necessário estudar detalhadamente os astros, dar-lhes nomes para facilitar a comunicação, desenhá-los, transmitir os conhecimentos adquiridos por anos de observação do céu e raciocínio.

Esse estudo se tornou a astrologia, que focava na influência dos fenômenos do céu sobre a vida dos humanos — que nunca serviu para nada, a não ser garantir a sobrevivência financeira de quem a praticava — e a nomeação dos corpos celestes se tornou a astronomia.

Levou muito tempo para que a astronomia fosse vista como algo útil e capaz de dar sustento a seus pesquisadores. Muita gente boa garantiu o prato do dia vendendo horóscopos de dia e estudando o céu com seriedade à noite. Estão aí Tycho Brahe e Johannes Kepler que não me deixam mentir.

E aí entra em cena o meteorito. Meteorito vem da união das palavras meteoro lito, rocha. Por isso, meteorito, a rocha do céu, é sinônimo de aerólito, a rocha aérea.

Quedas de meteoritos foram registradas desde sempre. Alguns até entraram para a História como objetos de adoração, ao redor dos quais construíram templos para apaziguar os deuses que os haviam lançado em um momento de fúria. Ou numa batalha celeste. Ou durante a construção do seu palácio nas nuvens. Ou por mero capricho, porque deuses eram incompreensíveis e imprevisíveis.

Há o registro histórico de um faraó egípcio (dã) que almejava dominar a cidade de Betel porque nela um dos seus deuses — dos egípciosnão dos cananeus — havia colocado os pés quando passeou por lá em pessoa.

Sem contar a tradição bíblica que diz que Jacó sonhou com uma escada para os céus depois de dormir com a cabeça apoiada em umas das pedras que havia por ali — nas traduções mais próximas do hebreu/grego, essa "pedra que estava por ali" era chamada de baetylus, betilo.

Betilos eram fragmentos de meteoritos venerados pela população, assim como há muitos casos semelhantes de meteoritos considerados presentes, lembranças ou ameaças dos deuses em várias e várias religiões.

Como eram objeto de adoração de povos pagãos que precederam os hebreus, tradutores foram eliminando essa palavra da bíblia porque pegava mal venerar pedras em vez de Javé/Deus.

Até dez anos atrás, era possível ver no Google Earth uma depressão circular nos arredores da cidade que perfeitamente poderia ser atribuída a um impacto, cheguei a rascunhar um TCC sobre isso.

Infelizmente, o HD daquele computador foi para o espaço, a anta não tinha backup, abandonei aquela faculdade, e quando retomei esse estudo, já tinham construído um loteamento naquele local e não encontrei mais imagens de satélite daquela época.

Voltarei a falar de meteoritos quando falar sobre antas. E não, essas antas não são os nossos quadrúpedes debiloides. Acredite ou não, estão relacionadas a asteroides... Por que será que a frase "Aaantas no espaçoooo!" me veio à cabeça?

Bom, falamos um pouco dos meteoritos, e voltaremos a tratar deles em breve. E como ficam os planetas e asteroides?

Asteroides não são visíveis a olho nu, portanto os gregos nunca cogitaram a existência do que chamamos hoje de asteroides. Se cogitaram, isso não ficou registrado, perdeu-se na História.

A observação do céu revelou que todas as estrelas se moviam em conjunto, como se estivessem presas a uma redoma de cristal sobre a terra (que era plana pra todo mundo, até que os gregos raciocinaram e provaram que não era).

Mas o movimento dos astros era sempre o mesmo, todos girando em uma única direção ao redor de um ponto que foi batizado de polo norte para eles lá no hemisfério de cima.

E além das "estrelas cadentes" e das "estrelas fixas" — hoje sabemos que todas se movem independentes, mas o espaço é tão grande que o movimento só pode ser detectado depois de muitas gerações por meio de medições e registros precisos — havia outras "estrelas" que se moviam lentamente no céu, vagavam pela esfera celeste em trajetórias erráticas. 

Uma parte do ano iam numa direção, ora em outra, como se tivessem vontade própria e nenhum objetivo na vida. E como quem vagava à toa por aí era um planeta, esse foi o nome que esses astros errantes receberam.

Para a imensa maioria, os astros errantes se moviam à nossa volta presos à mesma esfera de cristal mágico, e essa ideia persiste até os dias de hoje porque foi imortalizada em vários livros sagrados — apesar de Aristarco de Samos ter lançado a hipótese de que a Terra e todos os planetas giravam ao redor do Sol uns 200 anos antes de Cristo. 

Foi somente depois de Galileu aperfeiçoar o telescópio e apontá-lo para a Lua e outros planetas que começou a ficar claro que os planetas não eram apenas luzinhas esquisitas no céu, mas mundos iguais ao nosso. 2220 anos depois de Aristarco e 410 anos depois de Galileu, ainda tem gente que não entendeu a ideia. Ou finge que não entende porque é mais fácil não pensar. 

Asteroides somente foram descobertos com o uso de telescópios, porque são minúsculos comparados aos planetas e apenas refletem a luz do Sol, nem sempre com muita eficiência.

Foi então que se percebeu que meteoritos eram asteroides pequenos, ou fragmentos de asteroides (e até de nossa Lua e outros planetas e suas luas) que caíam na Terra.

No começo se pensou que asteroides eram fragmentos de um planeta desintegrado, mas o consenso hoje é que se tratam de restos dos blocos primordiais que se aglutinaram durante a formação do sistema solar, mas não conseguiram se condensar para formar um planeta ou satélite.

Suas órbitas seguem aproximadamente a dos planetas, mas volta e meia acabam sendo perturbados pela aproximação de outros corpos celestes, acabam colidindo uns com os outros, ou se aproximando demais da atração gravitacional de algum planeta, gerando fragmentos.

Então, para padronizar a linguagem, um pequeno resumo:

Asteroides são fósseis da formação do sistema solar, meteoroides são asteroides minúsculos ou fragmentos que se aproximam de nosso planeta, meteoros são o fenômeno luminoso e às vezes estrondoso quando se queimam em atrito a altíssima velocidade com a atmosfera, e meteoritos são os meteoroides que chegam a atingir o solo.

Quando grandes asteroides se chocam com um planeta o impacto é violentíssimo, capaz de lançar ao espaço fragmentos da crosta do planeta atingido. Já foram encontrados aqui na Terra meteoritos de origem lunar, marciana e até de Mercúrio, além de fragmentos dos grandes asteroides Palas (545 km) e Vesta (530 km) que orbitam entre Marte e Júpiter.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas não falei dos cometas...

Cometas são um capítulo à parte, não dá para falar sobre eles sem entender esses conceitos básicos de astronomia e meteorítica. Pois é, o estudo de meteoritos cresceu tanto que gerou um novo ramo da Ciência.

E a partir daí começa a explicação dos deuses astronautas e deuses asteroides.

Um abraço,

Jeff

terça-feira, 29 de junho de 2021

Todas as crateras e todas as extinções ocorridas em nosso planeta

Este trabalho é a pesquisa da minha vida. Está programado para ser publicado automaticamente no caso de eu não poder fazer isso por mim mesmo (estou velho, posso apagar a qualquer momento, é a vida...)

Caso você leia esta postagem, por favor, divulgue para que chegue aos ouvidos dos caras que entendem do assunto — tentei por anos, mas nem quiseram ver o que eu tinha para mostrar... apresentações com imagens de todas as crateras, porque foi por análise de imagens no Google Earth e pesquisa em sites de Geologia na internet que cheguei até este resultado.

É uma teoria espinhosa para o pessoal: um cara de fora da academia chega e vira de cabeça para baixo algumas coisas estabelecidas há séculos... mas Ciência é isso, um olhar novo permite descobrir verdades impensadas.

Espero que você se divirta tanto quanto eu ao pesquisar este assunto.

O primeiro impacto nem conta, é mais do que manjado. Mas os outros começam a ficar interessantes.

Ga = Giga-anos = bilhão de anos

Ma = Milhão de anos

LIP = Large Igneous Province, grande província ígnea (grandes erupções vulcânicas com derrame de basalto)

A escala de magnitude de impacto ainda não foi  refinada, serve apenas para dar uma ideia geral. 

Hadeano       

4,5 Ga   Colisão tangencial de Gaia e Theia        Impacto confirmado      Magnitude: Z    Diâmetro da cratera central (CC): 12.000 km?

LIP/anomalias: Continentes terrestres e Lua

Impacto da criação da Lua que causou a distribuição irregular da crosta terrestre. O reaquecimento do manto deu origem à tectônica de placas, algo inexistente nos demais planetas rochosos do sistema solar. O impacto do planeta anão Theia gerou energia para a Terra manter seu manto fundido por mais tempo do que Mercúrio, Vênus ou Marte. Como consequência, a Terra é o único planeta rochoso com placas tectônicas ativas, fator fundamental para a manutenção e evolução da vida em seus oceanos e superfície. Além de dar origem à Lua, o impacto causou um desequilíbrio na distribuição da capa rochosa superficial de nosso planeta que, somado à maior fluidez do manto, fez com que os continentes iniciassem um movimento repetitivo de colisão e afastamento mútuo que se estabilizou há cerca de 1,8 bilhão de anos. Teve início o período apelidado de Boring Billion (“bilhão maçante”). Supercontinentes Columbia e Rodínia

 

Arqueano

4,0 – 2,5 Ga        ?             Zimbábue                          2.100 km             LIP: Uplift/cráton Zimbabwe                    Região: Zimbábue

 

Transição do Arqueano-Proterozóico         

2,67 Ga Tumucumaque?              Impacto proposto           Magnitude: 9    Diâmetro CC: 900 km     Centro: 2°8’N 54°43’W

LIP/anomalias: Serra de Tumucumaque                              Região: Amapá (BR) e Guiana

Conforme o estudo Geochronology of the Archean Tumucumaque Complex, Amapá Terrane, Amazonian Craton, Brazil de Setembro de 2018 publicado no Journal of South American Earth Sciences 88 por Cristiano Borghetti, Ruy P. Philipp, Persio Mandetta e Itiana B. Hoffmann, a idade estimada deste maciço é de 2,8 bilhões de anos, sendo registrado um evento intrusivo anorogênico no Neoarqueano há 2,67 Ga. A cratera foi estimada com diâmetro de 900 km e deduzida a partir da forma circular do planalto na região. Este evento possivelmente teria sido simultâneo ao impacto de Beríngia.

 

2,40 Ga Suavjärvi             Impacto confirmado      Magnitude: 1    Diâmetro CC: 3 km         Centro: 63°7′N 33°23′E  Região: Rússia

Suavjärvi é a cratera de impacto mais antiga oficialmente conhecida, precedendo Vredefort por 300 Ma. Apresenta-se na forma de um lago com diâmetro de apenas 3 km.

 

2,40 Ga Suavjärvi B         Impacto proposto           Magnitude: 5    Diâmetro CC: 270 km     Centro: 63°2′N 3°03′E     Região: Rússia e Finlândia

Uma anomalia circular com 270 km perfeitamente centrada no lago de Suavjärvi é perfeitamente visível. Suavjärvi B é um ótimo exemplo de como a pesquisa geológica se focaliza no ponto de descoberta das rochas sem ampliar o horizonte da busca por crateras de grande tamanho. Como curiosidade, esta anomalia se encontra ao lado da proposta cratera Ukko, possivelmente associada à extinção do Eoceno-Oligoceno, que também não é reconhecida como tal, mas interpretada como depósito de rochas transportadas por geleiras. Os eventos de impacto foram muito mais comuns do que o percebido até agora, contribuindo enormemente para o processo de formação da crosta terrestre, razão pela qual não são percebidos; são elementos que não destoam da paisagem e, mesmo quando destoam, são atribuídos a processos naturais de progressão lenta.

 

Paleoproterozóico             

2,02 Ga Vredefort           Impacto confirmado      Magnitude: 5    Diâmetro CC: 300 km     Região: África do Sul

LIP/anomalias: Minérios metálicos da África do Sul

Vredefort é a maior cratera de impacto conhecida até esta data.

 

1,8 Ga   Jötunheimr e Greyslandia          Impacto proposto           Magnitude: 11  Diâmetro CC: 1.500 km Diâmetro AS: Complexo

Centro: 67°53’N 76°22′W             LIP/anomalias: Plutonismo do Escudo Canadense, diques intrusivos Mackenzie

Região: Groenlândia e Arquipélago Ártico

Este impacto durante o período Paleoproterozóico formou a bacia central da Groenlândia, a qual posteriormente derivou para longe do continente. Em seu lugar, o hotspot permaneceu extremamente ativo e formou uma região anelar. Neste trabalho, a cratera afastada do continente será referida como Greyslandia, enquanto a nova formação geológica no local do impacto e hotstpot será referida como cratera Jötunheimr (reino dos gigantes de gelo na mitologia nórdica).

Este evento permite explicar a aglutinação dos vários crátons que hoje integram o Escudo Canadense por cinturões de basalto durante o Paleoproterozóico. Os diques intrusivos Mackenzie mostram um padrão concêntrico centrado na cratera do impacto de Jötunheimr/Greyslandia. A teoria de impacto originando diques concêntricos apresenta uma explicação melhor do que a atual, a qual propõe o centro da elevação de uma pluma mantélica na região da Baía Darnley, ponto de convergência a oeste (atual) dos diques. Pela teoria de impacto, a maior proximidade dos diques naquela região seria indicadora da direção do impacto, e não de origem da pluma. A pluma mantélica verdadeiramente se elevou no ponto correspondente à Bacia de Foxe (coordenadas acima) e sua eclosão está evidenciada pelo conjunto anelar de ilhas e continente no centro do arco.

A cratera Greysland está bastante deformada por causa da orogênese posterior da Cordilheira Oriental da Groenlândia com o impacto de Thunderbird 2 (ocorrido na transição do Ordoviciano para o Siluriano). Sua formação por impacto apresenta características comuns a outros eventos estudados: a região de picos vulcânicos extintos da área central da Bacia da Groenlândia (picos também vistos nos impactos de Sunda (Ilhas Spratly), Fiore (solo oceânico no Atlântico associado ao impacto ocorrido no Brasil quando ainda integrado a Gondwana/Rodínia) e Prometeu/Grécia).

A cratera recém-formada de Greyslandia derivou para longe do continente. No local do impacto o hotspot e sua pluma continuaram ativos e se elevou o derrame de basalto de Jötunheimr que atualmente constitui as ilhas de Nunavut e uplifts circundantes da Bacia de Foxe. A ausência de rochas na região central desta bacia é característica de contração do material por resfriamento como visto em massalotes de processos industriais de fundição. O grande tamanho e evidência do material expelido neste impacto se explicam pela maior fluidez do manto há 1,8 Ga, o que explica as condições peculiares deste evento. O impacto de Jötunheimr foi o último evento geológico marcante do período, que foi seguido pelo apelidado Boring Billion, sem registro de grandes mudanças na história do planeta.

 

1,1 Ga                   Keweenawan (em estudo)        Magnitude: 17  Diâmetro CC: 1.800 km Diâmetro AS: 7.500 km Centro: 42°30’N 87°W

LIP/anomalias: Iron Range e Falha Keweenawan            Região: EUA e Canadá

Impacto formou a bacia dos Grandes Lagos? O lago Michigan marca o local do impacto? A borda da cratera formou a orogenia Penokeana. O anel secundário externo formou placas de Cocos e Juan de Fuca.

Wikipedia: “A orogenia paleoproterzóica Penokeana se desenvolveu em um embainhamento na margem sul do Cráton Superior. Estende-se a leste de Minnesota até o orógeno Grenville perto do Lago Huron e ao sul até a Planície Central em Wisconsin. É composto por dois domínios separados pela Zona de Falha do Niágara: o domínio interno ao sul, os Terranos Magmáticos de Wisconsin, consiste em rochas de arco toleíticas e calcário-alcalinas do Paleoproterzóico e rochas plutônicas cálcio-alcalinas; o domínio externo do norte consiste em uma bacia de foreland da margem continental cobrindo um embasamento arqueano e inclui as rochas supracrustais do Grupo Animikie e do Supergrupo da Cordilheira de Marquette. A colisão entre os dois domínios em torno de 1,88-1,85 Ga resultou em impulsos e dobramentos direcionados para o norte do domínio norte. Antes desse episódio, a área era uma margem continental passiva ocupada por um mar raso, que criava grandes depósitos sedimentares, incluindo as formações ferríferas bandadas de Iron Range (Cordilheira do Ferro). A orogenia aconteceu em duas fases. Primeiro, um arco de ilhas denominado terrano Pembine-Wausau colidiu com o antigo cráton norte-americano junto com vulcões formados em sua bacia de arco posterior. A segunda fase envolveu um microcontinente chamado terrane Marshfield, que hoje faz parte de Wisconsin e Minnesota. O episódio durou cerca de 10 milhões de anos. Centenas de milhões de anos depois, a Falha Keweenawan ocorreu na mesma área criando a bacia que viria a se tornar o Lago Superior. Os vestígios dessa orogenia podem ser vistos hoje como as cordilheiras de ferro de Minnesota e Ontário, as terras altas do norte de Wisconsin e a península superior de Michigan.”

Appalachian Inliers: “Imagens de elétrons retroespalhados de titanitos de gnaisse félsico e granito biotita foliado revelam que muitos dos grãos contêm núcleos, mantos intermediários e bordas. A microssonda eletrônica que atravessa os grãos zoneados mostra variações regulares na composição. As idades de SHRIMP para titanita do granito biotita foliado são 374 ± 8, 336 ± 8 e 301 ± 12 Ma. A idade aproximada de 374 Ma sugere o crescimento da titanita durante um evento térmico seguindo a orogenia Acadiana, ao passo que as idades de crescimento da titanita do Paleozóico tardio podem ser devido a reações de substituição de fácies de xisto verde associadas com metamorfismo e deformação Alleghaniana.”

Essas idades coincidem com os impactos de Tonopah em 377-378 Ma e de Prometeu + eventual cratera americana há 305 Ma.

 

1,1 Ga ?               Arco Nastapoka               Impacto proposto           Magnitude 6     Diâmetro CC: 480 km     56°41’N 80°33’W

LIP/anomalia: ?                               Região: Canadá               

Talvez coincidente com o impacto de Keweenawan? O Arco Nastapoka é uma fração remanescente de cratera localizado na Baía de Hudson. Sua formação por impacto foi proposta por Beals em 1968. As Ilhas Belcher aparentam ser um uplift de rochas paleoproterozóicas, mas formações de estromatólitos podem ter antiguidade de bilhões de anos. Se fosse um caso raro de impacto duplo de  um asteroide e seu satélite, poderia ter ocorrido juntamente com Keweenawan, Thunderbird 1 ou Thunderbird 2. A análise apenas por imagens de satélite não permite conclusões. Necessita pesquisa complementar que permita atribuir sua idade.

 

Criogeniano

723 Ma?              Sunda   Impacto proposto           Magnitude: 15  Diâmetro CC: 1.300 km Diâmetro AS: 4.400 km

Centro: 9°38’N, 115°0′E                LIP: Arquipélago da Indonésia  Região: Sudeste Asiático

O impacto de Sunda coincidiria com o final do período Boring Billion ao causar a rápida fragmentação do supercontinente de Panotia, talvez por impacto antipodal. O evento desencadeou intensa atividade vulcânica [pesquisar consequências]. O ponto de impacto de Sunda, aparentemente no hotspot extinto das ilhas Spratly, teria gerado o Arco Vulcânico da Indonésia bem como o arquipélago característico da região. A cratera Sunda é antipodal à Placa de Nazca por uma diferença aproximada de 2.500 km, distância compatível com o desvio esperado para antípodas geológicos equatoriais (estimativa baseada no estudo de Princeton para o antípoda de Chicxulub). Pode ter sido o fator desencadeador do vulcanismo intenso que levou à Glaciação de Sturt. Não confundir com a Placa de Sunda. A placa de Sunda definida atualmente (não por este estudo) inclui elementos da cratera Andaman. Há uma sutura tectônica ao fim da península Malaia separando as duas crateras e a extremidade sul da península juntamente com a costa nordeste da ilha de Bornéu integram a cratera central (CC) de Sunda com diâmetro de 1.000 km, sendo o Arco Vulcânico da Indonésia seu anel secundário (AS) com diâmetro de 4.700 km.

 

723 Ma                 Afloramento de Victoria             Magnitude: 5    Diâmetro CC: 300 km     LIP/anomalia: LIP Franklin                Região: Canadá

O afloramento de Victoria da orogênese da LIP Franklin há 723 Ma pode ter sido reação antipodal ao impacto de Sunda e deu origem a diques intrusivos nas ilhas de Ellesmere, Victoria, Devon e Nunavut, além das ocorrências vulcânicas dos afloramentos basálticos de Kikiktak, Pleasant Creek e Mount Harper no continente. A ilha Victoria apresenta uma formação circular que poderia ser interpretada como um afloramento vulcânico diretamente associado às intrusões de Franklin talvez contemporâneo ao impacto de Sunda. O vulcanismo extremo causado por este impacto teria dado início à glaciação do Criogeniano há 723 Ma que resultou em uma capa de gelo global (Terra Bola de Neve). Uma glaciação anormal requer uma causa extraordinária como um grande impacto causando grande vulcanismo. Pesquisar evidências.

 

Criogeniano ou Transição do Criogeniano-Ediacarano   

650 Ma ou 635 Ma?        Fiore     Magnitude: 10  Diâmetro CC: 1.100 km Diâmetro AS: 3.000 km Centro: 14°12’S 46°44′W

LIP/anomalia: Serra Geral, Jalapão, minérios metálicos              de Brasil e África             Região:                Brasil

Nome é homenagem ao geólogo Ottaviano de Fiore, coordenador da publicação História dos Três Reinos da Natureza, inspiração fundamental para esta pesquisa. O impacto de Fiore na região central do Brasil pode ter dado início à glaciação no de Marino no período Criogeniano ao desencadear vulcanismo intenso (formação do Planalto Central e derrame da Serra Geral e Jalapão, um típico derrame passível de associação com impacto). A cratera formou uma anomalia circular de rochas plutônicas com diâmetro de 1.000 km que se estende pelos estados de Goiás, Tocantins, Bahia e Minas Gerais. Grandes minas de ferro e outros metais importantes se localizam em círculos concêntricos no Brasil e na África a um raio de 2.000 km. A grande Anomalia Magnética de Bangui, na África, está diretamente associada a esta cratera como evidenciado pela análise de paleomapas. A hipótese de origem extraterrestre para esta anomalia foi proposta por Green em 1976 e Girdler em 1992. A presença de “carbonados” (agregados de diamantes microcristalinos formados por impacto) é um Indício da origem e já havia sido proposta a existência de um grande impacto ainda por ser descoberto na Bahia para explicar os granulitos, charnockitos, cinturões de rochas verdes e basaltos metamorfoseados encontrados em Bangui (Patrick T. Taylor). O hotspot originado por este impacto ainda continuava suficientemente ativo após centenas de milhões de anos e formou a cadeia vulcânica de Camarões (vulcão ativo de Santa Helena) durante a fragmentação do continente de Gondwana. Diâmetro do AS avaliado com base na distribuição em arco concêntrico evidenciado pelas minas de ferro de Simandou, Mayoko, Malanje, Bié, Huambo e Huíla na África.

 

Extinção/Transição do Ediacarano-Cambriano?                   Nível de extinção: 60% a 99%?

545 Ma?              MAPCIS               Massive Australian Pre-Cambrian Cambrian Impact Structure Nível 7 Impacto confirmado               

Diâmetro CC: 600 km     Diâmetro AS: 2.000 km Centro: 25°33′S 131°23′E              Região: Austrália

A estrutura de impacto MAPCIS foi proposta por pesquisadores australianos, apresenta diâmetro de 600 km ou 2.000 km e está claramente visível recobrindo parte significativa do continente. Não é uma cratera, mas um uplift, algo que seria esperado de um impacto antipodal. Segundo os autores, este impacto direto apresenta evidências de impactitos e anomalia de irídio.

MAPCIS teria sido a causa da primeira extinção de seres vivos complexos, causando o desaparecimento quase completo das formas de vida ediacaranas e abrindo novos nichos a serem explorados pelos sobreviventes, resultando posteriormente na Explosão Cambriana (541 Ma). O próprio nível de extinção não está definido, pode se tratar de um evento somente biológico, mas a transformação radical das formas de vida ediacaranas parece apontar para um evento de impacto, pois ocorreu em uma escala que não se repetiu na história do planeta.

“A hipótese de pulso de turnover foi proposta por Vrba (1985a, p. 232) nos seguintes termos: A especiação não ocorre a menos que forçada (iniciada) por mudanças no ambiente físico. Da mesma forma, forçar pelo ambiente físico é necessário para produzir extinções e a maioria dos eventos de migração. Assim, a maior parte do turnover de linhagem na história da vida ocorreu em pulsos, quase (geologicamente) síncronos em diversas filogenias e em sincronia com mudanças no ambiente físico.”

Um evento de impacto com magnitude 7 não poderia explicar esta extinção. Uma cratera com 600 km é insuficiente para uma extinção em massa, seu tamanho é comparável ao impacto de Shoemaker-Levy do período Toarciano, evento que resultou na extinção de apenas 10% da vida marinha. Uma estrutura de impacto com cratera central de 2.000 km seria compatível com tamanho nível de extinção, caso motivada por fatores não biológicos e se realmente ocorrida; entretanto, faltam evidências para um impacto dessa magnitude como o arco vulcânico e derrame basáltico esperados para tal ocorrência — isso leva a crer que MAPCIS apresente diâmetro CC de 600 e diâmetro AS de 2.000 km. Há que se considerar que MAPCIS impactou um cráton sólido sem causar vulcanismo significativo. Há que se considerar que o impacto MAPCIS ocorreu em solo continental firme, enquanto o impacto de Shoemaker-Levy ocorreu no Atlântico Sul, talvez no ponto correspondente à fratura tríplice entre América do Sul, África e Antártida. Este evento pode estar relacionado à Glaciação de Baikonur, apesar da falta de indícios de vulcanismo intenso que podem ser melhor atribuídos ao impacto proposto de Pasárgada.

                              

Extinção/Transição do Ediacarano-Cambriano?                   Nível de extinção: 60% a 99%?

545 Ma?              Pasárgada           Magnitude: 15  Diâmetro CC: 1.600 km                 Diâmetro AS: 5.000 km                                 Centro: 31°55′N 61°35′E

LIP/anomalia: Microcontinente da Ciméria       Região: Irã e Afeganistão

Pasárgada seria uma cratera extremamente deformada, o que denuncia sua antiguidade. Estaria associada ao grande arco vulcânico de Paleotétis. O derrame/uplift da cratera central seria atualmente o maciço montanhoso do Irã. Seu anel externo no trecho sul teria constituído o microcontinente da Ciméria. A teoria de impacto fornece uma solução para o enigma do surgimento dessa faixa estreita de terrenos. Aparentemente o local do impacto aconteceu mais ao sul, tendo o conjunto das placas derivado para o norte. O arco vulcânico gerado por Pasárgada coincide geograficamente e em diâmetro com a anomalia circular inicialmente atribuída à reação antipodal ao impacto de Rohe. Há que se considerar que o impacto de Rohe seria insuficiente para causar o tamanho dessa anomalia, estranhamente coincidente com o diâmetro e local do impacto estimados para Pasárgada, o que levanta a hipótese de o evento cretáceo apenas ter reativado uma região do manto que ainda estava abalada pelo impacto ocorrido 480 milhões de anos antes da extinção cretácea. O diâmetro da cratera central foi estimado com base no uplift da plataforma continental ao sul do Irã. O diâmetro do anel secundário foi estimado com base no trecho de arco localizado no Cazaquistão Oriental, concêntrico, melhor visualizado nas coordenadas 49° N, 80° E. Essa seção apresenta comprimento de apenas 750 km, mas a dimensão é compatível com uma cratera central de 1.600 km, haja vista os casos da cratera Wegener com diâmetro de 1.500 km e anel secundário com 4.600 km, e da cratera Sunda com diâmetro de 1.300 km e anel secundário com 4.400 km. A magnitude do impacto também seria compatível com o nível da extinção do Ediacarano-Cambriano, se realmente ocorrida, mesmo sem ajuda de MAPCIS.

 

?             Sinian   Em estudo          Diâmetro CC: 500 km                    LIP/anomalia: Bacia Sinian

Requer pesquisa. Evento pode ser anterior à extinção EC.

 

Cambriano (Botomiano)

513 Ma ?             Mamaragan                       Em estudo          1.200 km             Kalkarindji                         41%       Austrália

Derrame de basalto na região norte da Austrália. Até o momento não foi encontrada evidência de cratera associada a este evento vulcânico.

 

Cambriano ou Ordoviciano?

510 Ma ou 485 Ma?        Williston            Impacto proposto           Magnitude: 10                 Diâmetro CC: 1.200 km

LIP/anomalia: Cordilheira da costa leste americana      Região: Canadá e EUA

A bacia Williston é concêntrica com a inexplicada cordilheira dos Apalaches formada na costa leste americana atribuída à abertura do mar de Iapetus. Essa cordilheira poderia ser mais bem explicada como o anel secundário da cratera Williston. Diversos eventos se somaram na orogênese dessa cordilheira e eles podem ser atribuídos aos impactos posteriores sobre a placa Norteamericana. Aquele continente possui uma história de impactos extremamente rica como será mostrado ao longo deste estudo. Apresenta depósitos cambrianos, portanto pode estar relacionada às quatro grandes extinções associadas àquele período (Ediacarano-Cambriano, Cambriano Médio, Final do Cambriano e extinção do Cambriano-Ordoviciano). Considerando seu tamanho avaliado inicialmente, é particularmente compatível com o evento da extinção do Cambriano-Ordoviciano há 485 Ma. Novos estudos poderão relacionar melhor os eventos.

 

Ordoviciano Médio            Nível de extinção: 15%

467 Ma                 Evento meteorítico       Impactos confirmados  Magnitude: 1    LIP/anomalia: Meteoritos          Região: Canadá e EUA

467 Ma ?             Akimiski (ilha/uplift)    Impacto proposto           Magnitude: 4    Diâmetro CC: 200 km     53°N 80°W                Região: Canadá               

467 Ma ?             Akpatok (ilha/uplift)     Impacto proposto           Magnitude: 4    Diâmetro CC: 230 km     59°44’N 67°27’W     Região: Canadá

Durante o Ordoviciano há 467,5 ± 0,28 Ma caíram meteoritos condríticos em quantidade 100 vezes maior que a média atual e ficaram incrustados nas camadas rochosas como fósseis. Quatro impactos localizados na América parecem alinhados (meteoritos e/ou astroblemas de Slate Island, Rock Elm, Decorah e Ames) enquanto dois outros impactos na Europa (cratera Granby e Estrutura Hummeln) estão muito próximos. O estudo de um possível alinhamento entre as ocorrências na América aponta para duas anomalias geológicas de tamanho significativo passíveis de serem interpretadas como crateras de impacto: Baía de James localizada contígua à Baía de Hudson, e Baía de Ungava no litoral norte do Canadá. Estas duas anomalias estão perfeitamente alinhadas com os impactos menores e apresentam características típicas de cratera de impacto: forma circular e uplift central. Do norte para o sul encontramos as propostas crateras Akimiski e Akpatok com as respectivas ilhas/uplifts usadas para nomear as anomalias. A Ilha Akimiski pertence à Formação Attawapiskat que contém somente fósseis silurianos. Não foram encontrados registros geológicos anteriores ao Ordoviciano para a Ilha Akpatok.

 

Transição do Ordoviciano-Siluriano  Nível de extinção: 13%

457 Ma                 Thunderbird 1  Impacto proposto           Magnitude: 8    CC: 700 km         Diâmetro AS: 1.700 km                 44°20’N 84°56’W

LIP/anomalia: Grupo Vulcânico Deicke e Millbrig          Região: EUA e Canadá

Pássaro-trovão da mitologia dos nativos norteamericanos. Crateras encontradas na região foram numeradas subsequentemente com o mesmo nome. Há 457,1 ± 1,0 Ma ocorreu um evento atípico, a suposta erupção de um supervulcão que estendeu o depósito de cinzas do Grupo Vulcânico Deicke e Millbrig por aproximadamente um terço da área continental dos EUA. Mas o evento é considerado um mistério porque não existem vestígios desse vulcão que estaria situado longe das bordas da placa tectônica americana. A área do depósito aponta para a região dos atuais Grandes Lagos, e a geologia da Península de Michigan apresenta formação circular atribuível a uma cratera de impacto com diâmetro aproximado de 700 km. A magnitude deste impacto é insuficiente para causar uma grande extinção. O diâmetro do anel secundário (duvidoso) foi estimado grosseiramente com base na anomalia em forma de trecho de arco concêntrico melhor visualizada nas coordenadas 44° 30’ N, 73° 18’ W.

 

453 Ma                 Thunderbird 2  Impacto proposto           Magnitude: 10  CC interna: 950 km         CC borda: 2.000 km                59°50’N 85°46’W

AS1: 4.000 km   AS2: 10.000 km                 LIP/anomalia: Orogênese de Avalonia, Grupo Vulcânico Borrowdale Região:                Canadá

Um impacto sobre escudo maciço capaz de criar uma cratera deste porte pode ter sido muito mais energético do que a média (o mesmo pode ter acontecido em Tarim). Thunderbird 2 seria uma cratera complexa com dois anéis secundários. A parte mais visível é o centro da cratera com diâmetro aproximado de 950 km representado pela Baía de Hudson. A borda da cratera central é constituída pelo afloramento de basalto concêntrico que circunda a baía e integrou as placas antigas do Escudo Canadense ao seu redor dentro do diâmetro de 2.000 km. O impacto sobre o escudo maciço causou diques de basalto locais e em círculos concêntricos com diâmetros escalonados que resultaram na orogênese de Avalonia. O primeiro anel secundário resultou na orogênese de Avalonia na placa americana (Schuylerville, etc.) enquanto o segundo anel secundário criou a fratura circular da crosta que deu início à orogênese de Avalonia na placa europeia. Os derrames de lava dos anéis secundários ocorreram de maneira progressiva justamente nas áreas de maior riqueza de vida litorânea do período. Este impacto oferece uma explicação lógica para o desencadeamento das erupções que destruíram progressivamente o habitat dos mares rasos existentes. O gráfico das condições ecológicas dos períodos Ordoviciano e Siluriano Evidencia este impacto exatamente no ponto de origem das grandes províncias ígneas surgidas imediatamente antes da extinção. Os paleomapas mostram a perfeita concentricidade das orogêneses na América e futura Europa em relação a esta cratera. Diâmetro do AS avaliado com base em anomalia circular concêntrica melhor visualizada nas coordenadas 50° N 73° W. O vale do rio São Lourenço aparenta ser falha geológica em forma de arco a exemplos dos possivelmente formados pelas crateras Sakha (rio Yenisei) e Alvarez (rio Amazonas).

 

444 Ma         Extinção do Ordoviciano-Siluriano                     Nível de extinção: 30%

Caracterizada por anóxia e glaciação. A grande extinção do Ordoviciano-Siluriano é atribuída a uma série de eventos vulcânicos de grande intensidade seguida por uma glaciação. O impacto de Thunderbird 2 teria causado as orogêneses da Cordilheira Oriental da Groenlândia, Península Escandinava, Polônia, Alemanha e Ilhas Britânicas, bem como da costa leste da futura América do Norte. Essa região é chamada pelos geólogos de microcontinente de Avalonia. No trecho americano de Avalonia, na então Laurentia, encontramos os basaltos de Schuylerville e a península de Avalon na Terra Nova, que deu nome à formação geológica. No lado europeu encontramos o Grupo Vulcânico Borrowdale, e a província vulcânica de Lake District nas Ilhas Britânicas. Na interpretação atual dos geólogos, eles teriam se formado como restos de um arco vulcânico de ±450 Ma — na verdade, trata-se do anel secundário de uma cratera complexa. A hipótese vigente de um microcontinente propõe uma explicação complexa para a formação de duas regiões similares em margens opostas do mar de Iapetus, bem como seu formato peculiar que é típico de um anel secundário de uma cratera de impacto, uma explicação mais simples e lógica para o surgimento repentino de LIPs ao redor do ponto central do impacto de Thunderbird 2. O vulcanismo continuado de TB2, talvez somado às consequências em longo prazo de TB1, resultou na grande Glaciação Andeana-Sahareana que caracteriza esta extinção.

 

Extinções do Final do Devoniano 1  

               

377 Ma                 Evento(s) Kellwasser                 Nível de extinção: 23/*%          

Sakha                    Impacto proposto           Magnitude: 10  Diâmetro CC: 1.050 km Diâmetro AS: 3.600 km 63°N 124°E         

LIP/anomalia: Viluy       Região: Rússia

O impacto da cratera Sakha teria ocorrido na latitude aproximada de 70° norte há 376,7 ± 3,4 Ma, data mais antiga das erupções de Viluy. Atualmente essa cratera está localizada na região de Sakha na Sibéria Oriental, Rússia, no extremo nordeste do continente asiático. O primeiro anel secundário da cratera Sakha está claramente visível com diâmetro de ± 1.050 km, dos quais 3/4 estão bem preservados com exceção da fração situada a nordeste, deformada pela cordilheira Verkhoyansk. O segundo anel secundário é representado pela anomalia circular concêntrica claramente visível com diâmetro de 3.600 km na região de Krasnoyarsk que constitui o vale do rio Yenisei. O derrame basáltico central de formato indefinido constitui a LIP Viluy, cujas erupções vulcânicas foram datadas com boa precisão. Essa província ígnea se encontra exatamente no centro da anomalia geológica circular. Na época do impacto, a placa da Sibéria se encontrava isolada dos demais continentes em uma região que atualmente corresponde à região do Atlântico Norte. Entre as sequelas notáveis desse impacto, além do derrame vulcânico e da cratera em si mesmos, a perturbação do manto terrestre gerou a anomalia gravitacional e a pluma mantélica que hoje se encontra sob a Groenlândia, e possivelmente originou o microcontinente Jan Mayen. Esse fenômeno pode ter tido influência na dinâmica do impacto eocênico de Muspell, abordado em tópico específico. A reativação do vulcanismo em Sakha por volta de 364,4 ± 3,4 Ma ou 363,2 ± 2,0 Ma atrás (evento Hangenberg) pode ter sido causada pelo impacto de Mogollon devido a sua posição quase antipodal.

 

 

377-378 Ma        Tonopah             Magnitude: ?    Impacto coincidente na região Diâmetro CC: 1.300 km ?             Diâmetro AS: 4.600 km            

40°N, 116°W      LIP/anomalia: Planalto de Tonopah       Região: Nevada / EUA

O planalto de Tonopah é uma anomalia geológica associada ao evento do Impacto do Bólido de Alamo em Pahranagat Valley, ocorrido há 377-378 Ma, para o qual não foi encontrada cratera. A orogênese de Antler causando o uplift de Tonopah ocorreu no período Devoniano. Nossa teoria é de que toda a anomalia geológica do planalto de Tonopah constitui o derrame de uma cratera. Possível causa da Orogênese Gorda-Califórnia-Nevada. Sua aparência remete a outras duas anomalias associadas a áreas de impacto, a Escarpa Sigsbee do impacto de Alvarez, e a Formação Coahuila do impacto de Tlaloc. A ausência de uma anomalia gravitacional correspondente a Tonopah talvez se explique por ser constituída de carbonato, uma rocha leve. A Escarpa Sigsbee também não apresenta um registro gravimétrico notável. Um asteroide condrítico não teria deixado evidências esperadas de um impacto de asteroide metálico como Chicxulub ou Falklands. Há uma anomalia de formato oval centrada aproximadamente no uplift da proposta cratera de Tonopah que poderia constituir seu anel externo, deformado pela orogênese da Cordilheira do Pacífico; entretanto, os indícios parecem muito recentes para um impacto devoniano. Requer mais pesquisa. AS estimado com base na falha geológica da calha do rio Mississipi e falha tectônica de New Madrid, Missouri. Calhas de rios podem se formar em bordas de crateras, como em Sakha (rio Yenisei), Alvarez (rio Amazonas) Thunderbird 2 (rio São Lourenço).

 

Siljan Ring          Impacto confirmado      Magnitude: 3    Diâmetro CC: 52 km       Região: Suécia

Kaluga                  Impacto confirmado      Magnitude: 2    Diâmetro CC: 15 km       Região: Rússia 

Possível caso de impactos múltiplos: as crateras confirmadas de Siljan Ring e Kaluga têm datação coincidente e possivelmente fazem parte de uma rajada conforme os paleomapas. Também há breccias a algumas centenas de quilômetros destes dois impactos na região de Kloptsy, o que pode indicar potencialmente a existência de outra cratera maior do que as duas reconhecidas até o momento.

 

Extinções do Final do Devoniano 2   Nível de extinção: 21/*%

359 Ma                 Evento Hangenberg      Mogollon           Impacto proposto           Magnitude: 5    Diâmetro CC1: 320 km  CC2: 750 km

A cratera Mogollon é uma estrutura circular visível na região de Navajo Country. Seus depósitos sedimentares são carboníferos e permianos.

Somente não foi reconhecida como cratera porque os geólogos consideram Chicxulub um enorme impacto. Pode ter causado a reativação do vulcanismo em Sakha devido a sua posição quase antipodal.

 

359 Ma ?             Wilkes Land      Impacto confirmado      Magnitude: 6    Diâmetro CC: 550 km     Região: Antártida

Um evento de impacto que talvez possa ser associado a esta extinção é a de Wilkes Land na Antártida. Sua idade ainda não foi estabelecida e foi tentativamente atribuída à extinção P-T por ser até então a única de tamanho maior do que Chicxulub.

No entanto, o impacto de Wilkes Land sozinho parece insuficiente para causar o nível de extinção que marca o final do período Devoniano e a interrupção do registro fóssil por 30 milhões de anos, identificada por Romer. O vulcanismo intenso desencadeado por este e eventualmente outros impactos associados pode ter contribuído para a Glaciação Karoo. Mais pesquisas são necessárias.

 

Periodicidade e trajetórias comuns

O(s) evento(s) Kellwasser pode(m) ser um caso de impactos múltiplos: as crateras confirmadas de Siljan Ring e Kaluga têm datação coincidente e possivelmente fazem parte de uma rajada conforme os paleomapas. O alinhamento das crateras Sakha e Tonopah apresenta a mesma direção observada para os impactos de TB3 e TB4. Essa é a mesma direção do impacto de TB1 evidenciada pela distribuição do campo de cinzas vulcânicas. A mesma direção aparece nos impactos aparentemente múltiplos do Evento Meteorítico Ordoviciano e da extinção do Eoceno-Oligoceno. Também coincide com a trajetória apontada para o impactador de Chicxulub. Essa similaridade talvez indique uma órbita comum para esses asteroides, eventualmente todos poderiam ter origem em um grande corpo orbitando nosso Sol. Nesse caso a periodicidade de aproximadamente 26 milhões de anos para eventos de impacto, apontada por Sepkoski, indicaria uma coincidência da posição da Terra com o caudal principal de fragmentos. Mesmo que essa trajetória intercepte a órbita de nosso planeta com maior frequência, o núcleo do caudal com maior concentração de fragmentos somente apresentaria chance de impactar nosso planeta em um número mínimo múltiplo comum de órbitas. O grande intervalo de tempo entre os eventos levanta a hipótese de que esse objeto desagregado seria originário de outro sistema solar próximo ao nosso e teria se desgarrado em tempos geológicos relativamente recentes. A distribuição anormal de eventos de impacto nas proximidades dos polos terrestres, notadamente o polo Sul, apresenta semelhança com as órbitas dos objetos anômalos do grupo Centauros, com plano orbital praticamente perpendicular ao do nosso sistema. Os Centauros apresentam características tanto de asteroides de grande tamanho quanto de cometas, gerando dúvidas dos pelos astrônomos sobre sua classificação. Objetos provenientes de fora de nosso sistema solar como os casos recentes dos cometas 1/’Oumuamua e 2/Borisov também apresentam trajetória em ângulo discordante do nosso plano orbital.

 

Extinções do Carbonífero Inferior

340 Ma                 Bohemia             Impacto confirmado      Magnitude: 5    Nível de extinção: 17/*%           Diâmetro CC: 260 km

Região: República Checa

Galileu Galilei descreveu esta cratera em há 400 anos no seu livro Siderus Nuncius, onde comparou as crateras da Lua com a anomalia circular encravada na Europa. Suevite e moldavite são minerais formados por impacto encontrados na região. Há controvérsia sobre a idade da cratera com alguns pesquisadores propondo sua origem há 2 bilhões de anos, provavelmente influenciados pela tese de que grandes crateras não podem ter ocorrido depois do Bombardeio Intenso Tardio. No entanto, a cratera é visivelmente recente (poucas centenas de milhões de anos).

 

330 Ma ?             Thunderbird 3  Impacto proposto           Magnitude: 5    Diâmetro CC: 300 km     47°N 63°W                          Região: Canadá

                                Thunderbird 4  Impacto proposto           Magnitude: 5    Diâmetro CC: 230 km     42°40’N 69°20’W                Região: EUA

                               LIP/anomalia: Montes Atlas? (África)   Nível de extinção: 22/*%

O(s) impacto há 330 Ma teria(m) sido causador(es) de um nível de extinção da vida marinha pouco menor que a do Evento Hangenberg. Há evidências de uma possível rajada ainda não amparada por evidências geológicas. A anomalia geológica apontada como a cratera Thunderbird 3 corresponde à reentrância semicircular ao sul da Baía de São Lourenço delimitada pelo Estreito de Northumberland, que juntamente com a Ilha Príncipe Eduardo apresenta circularidade notável. Esta ilha apresenta características de uplift central similar às crateras propostas Akimiski e Akpatok. As rochas mais antigas de TB3 são carboníferas, indício usado para esta estimativa da datação. A datação destas duas possíveis crateras é incerta. Devido ao pequeno diâmetro, estes impactos não precisariam necessariamente estar associados a um evento de extinção significativo. A suspeita de impacto para Thunderbird 4 decorre não só do formato grosseiramente semicircular da Baía de Boston, mas principalmente pelo seu aparente alinhamento com TB3 em uma trajetória nordeste-sudoeste comum a outros eventos, a qual parece indicar uma órbita preferencial para estes impactadores.

                                              

320 Ma ?             Thunderbird 5  Impacto proposto           Magnitude: 7    Diâmetro CC: 700 km                    ?            

As evidências para Thunderbird 5 são as cidades com leito rochoso datado dessa época no sul dos EUA: Texarkana, Mexia, Brownwood, Graham e Little Rock num diâmetro aproximado de 700 km. Faltam dados.

 

Extinções do Carbonífero Médio      

305 Ma                 Prometeu           Impacto proposto           Magnitude: 8    Nível de extinção: 20%

Diâmetro CC: 900 km     Diâmetro AS: 3.000 km                 38°34’N, 25°15’E              Região: Grécia e Turquia

Titã da mitologia grega que criou a humanidade e lhes entregou o fogo e o conhecimento. Prometeu é claramente uma cratera central com seu relevo de hotspot extinto característico similar ao de Fiore, Jötunheimr e Sunda. Como visto em outros impactos, anéis secundários tendem a formar faixas de terreno estreitas que podem se manifestar como penínsulas, como nos casos de Pasárgada (Ciméria), Wegener (Zelândia) e Keweenawan (Baja California). Corresponde ao colapso das florestas tropicais do Carbonífero. A datação de 300 Ma é compatível com o registro de eventos magmáticos intrusivos datados de 298 ± 7 Ma. As rochas mais antigas somente agora encontradas na Grécia (raras) têm datação coincidente com a erupção da LIP Franklin, ocorrida talvez no Neoproterozóico (o impacto de Sunda há 800 Ma aparenta ter sido antipodal à LIP Franklin e não a Prometeu, portanto será necessário analisar um paleomapa capaz de permitir a visualização dos antípodas naquela época para esclarecer esta coincidência). A cratera central de Prometeu, pelo seu tamanho, deveria ter gerado um anel secundário do tamanho da Europa, mas o nível de extinção não corresponde ao esperado para um evento desta magnitude. Este fato precisa ser estudado, as extinções do Carbonífero são difíceis de explicar. O proposto isolamento insular da fauna e flora talvez pudesse ser explicado por um impacto antipodal causando a fratura do supercontinente, e as evidências físicas deste impacto teriam sido subduzidas junto com a Placa do Pacífico que apresenta idade máxima próxima a 300 milhões de anos. Entretanto, tal impacto acarretaria vulcanismo intenso no hemisfério habitável, e não há evidências. Diâmetro da CC avaliado com base na plataforma continental e diâmetro de AS avaliado com base em anomalia de trecho de arco melhor visualizada nas coordenadas 50° N, 30° E.

               

291 Ma ± 4 Ma                  Tarim    Impacto proposto           Magnitude: 8    Nível de extinção: 28/*%           CC: 800 km                34°30’N, 86°E

Diâmetro AS: Incerto    CC deformada: 950 x 450 km      39°N 83°E            LIP/anomalia: Bacia Tarim, terras raras aluviais na Ásia

Região: China (Tibete)

Um impacto sobre escudo maciço capaz de criar uma cratera deste porte pode ter sido muito mais energético do que a média (o mesmo pode ter acontecido em Thunderbird 2. A província ígnea de Tarim é um derrame de basalto picrítico repentino com área de 300.000 km2, rico em nióbio e tântalo, datado 291 ± 4 Ma (Carbonífero) e 272 ± 2 Ma (reativação no Capitaniano). O impacto de Tarim é evidenciado não apenas pela anomalia geológica elipsoidal visível na Ásia, mas principalmente pelo círculo de lagos cársticos do Planalto do Tibete que indica o local do impacto. A borda da cratera posteriormente foi deslocada e deformada em consequência da orogênese do Himalaia. O impacto de Tarim pode explicar a anomalia da distribuição de terras raras no planeta com 95% das ocorrências naquela região. Conforme pesquisado, os depósitos sedimentares na Bacia Tarim são todos triássicos. A datação é imprecisa, mas atribuo ao final do Capitaniano devido à magnitude da extinção e ao fato de que a ocorrência aluvial de terras raras não é compatível com depósitos arqueanos. A explicação tradicional para a anomalia geológica de Tarim afirma que se trata de um microcontinente agregado à Placa Asiática com base em rochas arqueanas existentes abaixo dos depósitos sedimentares triássicos. Esta hipótese de impacto propõe que as rochas arqueanas encontradas são parte do substrato maciço do local do impacto; se tivesse ocorrido em região de mar raso ou placa de pequena espessura, teria havido um derrame de basalto significativo. Além disso, a teoria de microcontinente agregado não explica a formação perfeitamente circular dos lagos cársticos cujo perímetro corresponde exatamente à extensão da borda da bacia oval de Tarim. Lagos cársticos são associados a impactos; o exemplo mais conhecido é Chicxulub com seu arco de cenotes na península do Yucatán demarcando a borda da cratera. Encontramos outro exemplo de lagos cársticos formados por impacto ao redor da cratera Wilkes Land. O arco se formou na atual Planície de Nullarbor no sul da Austrália quando o continente australiano e a Antártida ainda integravam Gondwana.

 

Extinção do Capitaniano               Nível de extinção: 36/*%

265 Ma                 Andaman            Impacto proposto           Magnitude: 11  CC (impacto): 500 km    Diâmetro AS: 1.300 km                

Paleo: 7°06’N, 98°40’E                  LIP/anomalia: Emeishan             Região: Sudeste Asiático

Reconhecida recentemente como uma grande extinção, o evento de vulcanismo associado da LIP de Emeishan na Malásia é pequeno em comparação com erupções maiores que não causaram o mesmo nível de extinção. Nossa proposta é de que a LIP Emeishan é o derrame causado pela cratera Andaman que recobriria a península do Sudeste Asiático. O local de impacto corresponde ao centro da Península Malaia e os remanescentes do anel externo no local original da cratera são evidenciados pelo arco das Ilhas Andaman, discordante do arco do impacto anterior de Sunda. O trecho ocidental do arco correspondente ao diâmetro de 1.300 km da cratera está visível não apenas na anomalia geológica das Ilhas Andaman, como no trecho da cordilheira Indobirmanesa no litoral do Golfo de Bengala. Evidências do arco no lado oriental estão deformadas, mas são nítidas na forma da cordilheira que percorre Laos e Vietnã. Há uma cordilheira vulcânica entre o local do impacto e o ponto de repouso da cratera, conforme estabelecido pela teoria de impacto desta pesquisa. Há evidências de formação durante o Triássico e a ocorrência de uma área central de geologia complexa contendo xistos e turbiditos. Xistos se formam sob grande pressão e temperatura, turbiditos são atribuídos a desmoronamentos submarinos. Pela ótica da teoria de impacto, ambos podem ser atribuídos a uma única causa. E turbiditos nada mais seriam do que breccias originadas por impacto.

Extinção do Final do Permiano          

255 Ma ?             ????      Apenas Bedout é insuficiente para o nível de extinção atingido.

 

255 Ma ?             Bedout                 Magnitude: 5    Impacto confirmado      250 km LIP/anomalia: Minas de ferro da Austrália Ocidental           Região: Austrália

A cratera Bedout foi datada com 250,1 ± 4,5 Ma. No entanto, essa data precisa ser analisada cuidadosamente porque é grande o viés de se tentar associá-la à extinção permiana. A ideia geral de que um impacto desse porte seria suficiente para causar aquela extinção se baseia na falta de conhecimento de impactos maiores do que Chicxulub, ao qual se atribui um efeito muito maior do que o real em uma tentativa de conciliar aquele impacto com a magnitude da extinção cretácea.

 

Grande Extinção do Permiano-Triássico       Nível de extinção: 52/96%

252 Ma                 Wegener            Magnitude: 14                 Diâmetro CC: 1.500 km                 Diâmetro AS: 5.000 km

Hotspot (CC0): 80°S 125°W         CC1: 17°32’N 140°37’E                   CC2: 15°50’S 172°50’E   

LIP/anomalias: CC0: Terra de Marie Byrd (local do impacto)     CC1: Placa do Mar das Filipinas                                CC2: Placa das Novas Hébridas

                               Derrame de basalto da Sibéria (antipodal)

Homenagem ao pesquisador Alfred Wegener e cuja pesquisa revolucionou a Geologia e foi fundamental para este estudo e o entendimento de nosso planeta. A extinção P-T foi a maior já registrada (a menos que a Transição do Ediacarano-Cambriano seja confirmada com a mesma origem) e sua causa foi o maior evento de impacto ocorrido após o início da vida complexa. A cratera central apresenta diâmetro de 1.500 km e causou um derrame significativo na região do impacto, que se somou ao derrame antipodal na Sibéria. O impacto ocorreu na atual região da Terra de Marie Byrd, Antártida Oriental. A região do impacto se caracteriza pelo vulcanismo intenso, sendo até hoje a maior província ígnea ativa do planeta. A cratera se fragmentou em duas metades, uma delas seguiu rumo norte e nordeste com a Placa do Pacífico e atualmente forma a Placa Tectônica do Mar das Filipinas. A cordilheira vulcânica submarina permite acompanhar sua trajetória. O impacto perturbou o manto em boa parte do hemisfério sul trazendo magma rico em ferro para mais próximo da superfície, o que originou a Anomalia Magnética do Atlântico Sul concentrada ao redor do impacto e que se estende ao longo do Oceano Pacífico de acordo com a trajetória da cordilheira vulcânica associada ao evento. A outra metade da cratera permaneceu por mais tempo na região polar e teve tempo suficiente para ser colonizada pela fauna e flora então existentes no continente antártico. Posteriormente essa fração se destacou, seguiu rumo ao norte e hoje constitui a Placa Tectônica das Novas Hébridas e está levemente deformada devido à colisão com a Placa Australiana. As ilhas da Nova Zelândia bem como o subcontinente submerso da Zelândia fazem parte do anel externo dessa metade da cratera. O arquipélago das Filipinas, a ilha de Taiwan e metade do arquipélago do Japão integram o anel externo da cratera com diâmetro de 4.600 km. O anel secundário de 4.600 km foi calculado com base no arco formado pelos arquipélagos mencionados enquanto o diâmetro de 5.000 km toma por base o contorno do continente antártico centrado em 87°30’S 140°E. Essa linha é a fratura de Gondwana entre Antártida e Austrália. O evento vulcânico indosiniano nas Filipinas apresenta datação exata correspondente à extinção: 251,0 ± 2,6 Ma. O anel secundário está visível na região polar na forma da Cordilheira Transantártica, de formato circular e tamanho coincidente com o mencionado acima localizado na Ásia. Devido à deriva da placa Antártica, a cordilheira avançou sobre o derrame da cratera central e ambos deixaram de ser concêntricos. Este processo de subducção pode ser o responsável pelo aquecimento enigmático verificado no continente. A formação por impacto como parte do anel secundário permite explicar a origem da fauna e flora exóticas das ilhas da Nova Zelândia — são descendentes da vida desaparecida no continente antártico. Esse grupo de ilhas nunca integrou a Placa Australiana. Os esfenodontes (tuataras) se originaram no Triássico e se extinguiram no Cretáceo, somente sobreviveram na NZ por falta de concorrência de outros animais mais modernos, o que seria impossível se as ilhas algum dia tivessem feito parte do continente australiano. A formação da Placa da Zelândia contígua ao continente antártico permite explicar de maneira lógica a Glaciação Antártica ocorrida a partir do Oligoceno há 34 Ma. O assunto é analisado com maior detalhe no tópico específico.

                                                                                                                                                                            

Evento Pluvial do Carniano        230 Ma ?             Nível de extinção: 12/*%

Hipótese de impacto direto:     Wrangellia         Impacto: Litoral da América do Norte   Magnitude: ?    Diâmetro CC: 1.300 km

LIP/anomalia: Wrangellia           Região: Canadá                e Alasca (EUA)

Wrangellia seria um caso de cratera especial devido à dificuldade de ser reconhecida por causa do grande volume de basalto expelido, somado à deformação imposta pela deriva da placa Norteamericana para oeste causando a orogênese da Cordilheira do Pacífico. Uma anomalia circular aparece em paleomapas aproximadamente no período da orogênese de Wrangellia. A ela é atribuída a causa do Evento Pluvial Carniano, um período de chuvas intensas que se arrastou por milhões de anos. A erupção continuada de Wrangellia em uma bacia de mar raso teria causado a liberação de um enorme volume de vapor na atmosfera, dando origem ao evento. Veja pontos semelhantes no impacto de Alvarez.

Hipótese de impacto antipodal:                             Crocodilo            Impacto: Oceano Pacífico           Magnitude: 8                    Diâmetro CC: 450 km

Diâmetro AS: 1.000 km (deformado)     5°30’S 129°E       LIP/anomalia: Wrangellia (antipodal)  Região: Mar de Banda 

No mito da criação timorense, o relevo escarpado de Timor teria surgido das costas de um crocodilo primordial que se transformou na ilha. A proposta cratera Crocodilo corresponde à anomalia geológica do Mar de Banda, de geologia triássica e interpretada como uma cratera deformada pela deriva da Placa Australiana. Este impacto teria causado a elevação de uma pluma antipodal resultando na orogênese de Wrangellia. O tamanho da cratera Crocodilo está próximo do limite inferior para causar uma ruptura antipodal da crosta conforme teorizado por Marinova, mas a coincidência da pluma antipodal com a fronteira ocidental da placa de Laurentia teria potencializado o derrame de basalto. Impactos próximos ou antipodais a fraturas continentais se caracterizam pelo volume desproporcional de basalto expelido, como visto nos impactos de Paraná-Etendeka, Muspell e Thunderbird 6.

 

Extinção do Triássico-Jurássico              Nível de extinção: 29/*%          

201 Ma                 Alvarez                Impacto proposto           Magnitude: 10                 Diâmetro CC: 1.200 km                 Diâmetro AS: 4.000 km

Impacto (hotspot): 16°N 23°W  CC1: 14°N 64°40’W         CC2: 26°42’N 92°25’W

LIP/anomalia: Província Magmática do Atlântico Central (CAMP)          Região: Golfo do México (EUA), Caribe e Venezuela

Homenagem aos geólogos Luiz e Walther Alvarez que propuseram como causa da extinção cretácea um impacto de asteroide. O impacto de Alvarez criou uma cratera de 1.200 km e deu origem ao Golfo do México. O derrame magmático causou a Província Magmática do Atlântico Central. O hotspot remanescente e local do impacto é a província vulcânica de Cabo Verde. A cratera se fragmentou em duas metades da mesma forma que Wegener e seus remanescentes visíveis são o Arco Vulcânico do Caribe e a Cordillera de la Costa (Venezuela) na metade oriental. Na metade ocidental derivada para o norte os indícios são visíveis na Formação Eagle Mills (EUA) e Escarpa Sigsbee, ambas circulares e localizadas na região litorânea do Golfo do México. A Formação Eagle Mills tem datação contemporânea com a extinção TJ e a formação salina de Sigsbee tem datação jurássica, portanto posterior ao evento TJ. A cratera Alvarez permite explicar o acúmulo anormal de sal da formação Sigsbee por esta cratera/bacia isolada do oceano apresentar níveis de evaporação extremamente elevados devido ao vulcanismo remanescente do impacto. Trata-se de um fenômeno similar ao ocorrido na bacia de Wrangellia. O diâmetro do anel secundário foi estimado considerando a calha do Rio Amazonas como falha geológica causada pelo impacto, a exemplo dos vales em arco das crateras Sakha (rio Yenisei) e Thunderbird 2 (rio São Lourenço). * Erupção de basalto de picritos em Curaçao e também Havaí e Reunião/Rohe... investigar

 

Jurássico (Toarciano)      Nível de extinção: 10/*%

183 Ma                 Shoemaker-Levy             Impacto proposto           Magnitude: 7    Diâmetro CC: 550 km     Diâmetro AS: 2.800 km         58°S 30°W

Impacto: 55°N 0°W         LIP/anomalia: Placa Nova Scotia, Ilhas Sandwich do Sul e Geórgia do Sul           Região: Atlântico Sul

Homenagem ao casal de geólogos Eugene e Caroline Shoemaker e ao astrônomo David H. Levy. À semelhança das crateras Wegener e Alvarez, a cratera Shoemaker-Levy se encontra fragmentada e deformada devido à expansão do solo oceânico no sentido leste-oeste formando a placa tectônica de Nova Scotia. A cratera também se deformou em menor grau no sentido norte-sul. O arco vulcânico está ativo. Os arquipélagos da região se formaram durante o Jurássico. O nome homenageia pesquisadores que dedicaram suas vidas à teoria de impactos. Eugene Shoemaker defendeu a teoria da origem por impacto das crateras lunares em uma época que a origem vulcânica era um pilar da Geologia. Ele se candidatou a uma vaga no projeto Apolo para comprovar a origem por impacto das rochas lunares, mas impedido por sua saúde, proporcionou treinamento geológico para astronautas que foram à Lua. Aposentado da NASA, junto com sua esposa se dedicou à Astronomia em busca de asteroides próximos à Terra. Aos dois somou-se o astrônomo amador David Levy, e sua dedicação foi recompensada com a descoberta de inúmeros NEOs e cometas, entre os quais aquele que se chocou com Júpiter em 1995, provando que impactos de grande magnitude não são exclusividade do Intenso Bombardeio Tardio, mas continuam ocorrendo.

 

Jurássico Médio     Nível de extinção: 8/*%

168 Ma ?             Falklands            Impacto confirmado      Magnitude: 5    Diâmetro CC: 250 km     Diâmetro AS: 1.300 km

LIP/anomalia: Ilhas Falklands, Formação Chon Aike (Maciço Deseado)               Região: Atlântico Sul    

A cratera Falklands foi descoberta pelo pesquisador argentino Maximiliano Rocca com base na anomalia gravitacional encontrada contígua às Ilhas Falklands. As próprias Ilhas seriam parte do derrame basáltico do impacto. As erupções mais antigas da província ígnea de Chon Aike nas imediações parecem indicar uma datação possível para o evento, já que o impacto certamente aconteceu após a ruptura de Gondwana.

 

Extinção do Final do Jurássico             Nível de extinção: 13/*%

145 Ma                 Morokweng      Impacto confirmado      Diâmetro CC: 70 km ou 200 km                 Região: África do Sul

Morokweng é um impacto confirmado na África do Sul com cratera de diâmetro 70 km. Entretanto, com base nas imagens de satélite, esse valor pode estar subestimado.

145 Ma                 Tlaloc    Impacto proposto           Magnitude: 6    Diâmetro CC: 480 km     Diâmetro AS: 3.000 km                 31°25’N, 99°46’W

Região:                EUA e México  

Deus das chuvas na mitologia asteca, inclusive as chuvas de pedras e de fogo. Tlaloc é uma cratera proposta com base no mapa gravimétrico dos EUA. Uma anomalia gravimétrica circular na região do estado do Texas apresenta diâmetro de 480 km. Em um círculo concêntrico com diâmetro de 900 km encontramos as localidades de Dallas, Houston, San Antonio, Sonora, Terlingua e Glen Rose, todas com leito rochoso datado exatamente com 145 Ma. Centrado nessa cratera em um raio de 1.500 km encontramos o Eixo Vulcânico do México, também chamado de Eixo Neovulcânico, Eixo Vulcânico Transversal, Cordilheira Neovulcânica ou Cintura Vulcânica Transmexicana. Essa cadeia de vulcões é mais um dos fenômenos que o modelo ortodoxo tem dificuldade de explicar: os vulcões não se alinham conforme esperado para a subducção de uma placa oceânica pela deriva da Placa Americana. Mas a teoria de impacto apresenta uma solução elegante para o problema ao mostrar que o arco de vulcões mexicanos foi determinado pelo impacto desta cratera associada à extinção do Final do Jurássico. A geologia da região é toda do início do Cretáceo, inclusive o uplift da Formação Coahuila onde se localiza a capital mexicana. O relevo da Formação Coahuila é extremamente parecido com o da Formação Tonopah localizada a 2.000 km, ma a orogênese de Tonopah é devoniana. Diâmetro do AS com base na Cintura Vulcânica Transmexicana.

 

Cretáceo (Valanginiano)                               Nível de extinção: 8/*%

138 Ma ?             Paraná-Etendeka            Impacto proposto           Magnitude: 7    Diâmetro CC: 600 km     Diâmetro AS: 2.400 km        

17°20’S, 16°W   LIP/anomalia: Paraná-Etendeka, anomalia magnética anelar   Região: Angola e Namíbia

A existência de uma cratera de impacto associada à LIP Paraná-Etendeka é evidenciada pela anomalia magnética anelar encontrada na divisa entre Angola e Namíbia exatamente ao final da cordilheira submarina Walvis. Apesar da pequena magnitude do impacto, sua proximidade com a fratura continental entre as placas da África e América do Sul, caso tal impacto tenha ocorrido à mesma época, teria potencializado o derrame de basalto, como visto no possível impacto antipodal a Crocodilo (Wrangellia) e nos impactos de Muspell e Thunderbird 6. Note que o tipo de fissura continental entre África e América do Sul é diferente dos outros exemplos. O ponto de impacto de Paraná-Etendeka é indicado pela Formação Rio Grande no oceano Atlântico. O diâmetro do anel secundário foi estimado considerando a anomalia geológica circular melhor visualizada nas coordenadas 23° S, 26° E.

 

Cretáceo       Nível de extinção: 12/*%

125 Ma ?             Hipótese La Muerte      Impacto em estudo       Magnitude: ?                   

Diâmetro CC: 700 x 120 km (deformada)             Diâmetro AS: 2.600 km                                37°30’N 120°30′W          

LIP/anomalia: Orogênese Sierra Nevada?          Região: EUA

A possível cratera central deformada pela deriva da placa Norteamericana constituiria o atual Vale Central da California, EUA. Seu anel secundário com diâmetro de 2.600 km constitui um arco de vulcões que inclui o Campo Vulcânico San Juan (este se encontra na borda de outra anomalia, o Planalto do Colorado, o qual tem aparência de uplift de cratera — ainda em estudo). Até o momento, o CV San Juan era interpretado como uma inexplicável falha geológica intraplaca. Ele foi reativado durante a extinção do Paleoceno-Eoceno provavelmente pela colisão e subducção da Placa de Faralon (verificar). O indicativo da idade do impacto de La Muerte é o início da Sequência Great Valley. Processos de subducção de grandes crateras ocorrem a pequena profundidade devido à rigidez da placa de basalto formada durante o impacto. Exemplo: Wegener (placa de Nazca/orogênese andina e altiplanos); Alvarez (placa do Caribe/comportamento bizarro do processo).

 

125 Ma ?             Hipótese Java Ontong Em estudo                                                                                                       

 

95 Ma   ?             Hipótese La Tolita          Em estudo

http://www.geo.cornell.edu/geology/GalapagosWWW/GalapagosGeology.html “Como as cordilheiras Carnegie e Cocos desaparecem em zonas de subducção,é incerta a idade da pluma do manto de Galápagos. Uma expedição oceanográfica de 1990, no entanto, localizou um monte submarino de 8 milhões de anos na cordilheira Carnegie que certamente já foi uma ilha. Este vulcão, embora agora 1.500 m abaixo do nível do mar, tem paralelepípedos arredondados em um topo plano, que fornecem evidências claras de erosão das ondas. Portanto, existem ilhas nas Galápagos há pelo menos 8 milhões de anos. A pluma, entretanto, é certamente ainda mais antiga. Muitos cientistas acreditam que a pluma do manto de Galápagos é responsável pelas abundantes rochas vulcânicas de idade cretácea que ocorrem no Caribe e na margem noroeste da América do Sul. Portanto, a pluma do manto de Galápagos poderia ter até 90 milhões de anos e pode ter havido ilhas nesta localidade por tanto tempo.”

 

Final do Cretáceo

70 Ma   Kara       Impacto confirmado      CC: 65 km ou 120 km      Magnitude: 3 ou 4          Região: Rússia

Cratera datada com 70,3 ± 2,2 milhões de anos e diâmetro original estimado em 120 km, este impacto não provocou extinção significativa.

 

Extinções do Cretáceo-Paleogeno     

Evento preliminar?        Nível de extinção: 17/*%

66 Ma                   Chicxulub           Magnitude: 5    Impacto confirmado                      CC: 200 km         Região: México

Até esta data, Chicxulub é o impacto ao qual se atribui a “extinção dos dinossauros” juntamente com o derrame de lava do Decã. A pequena magnitude desse impacto de não é compatível com o nível total da extinção cretácea, nem o derrame de lava do Decã difere significativamente de outros eventos vulcânicos a ponto de explicar o fenômeno, e mesmo a soma de ambos os eventos é pouco significativa para justificar a extinção. Chicxulub parece se tratar de um evento preliminar à extinção final conforme observado no gráfico de porcentagem da vida marinha afetada no evento. Mesmo assim, seu pequeno tamanho é insuficiente para atingir o nível dessa pré-extinção.

 

66 Ma   Rohe     Magnitude: 10  Impacto proposto           Nível de extinção: 31/75%        

Diâmetro CC: +1.200 km              Diâmetro AS: Incerto    19°N 155° W

LIP/anomalia: Hotspot do Havaí, Cordilheira Havaí-Imperador, Planalto do Decã (antipodal) Região: Oceano Pacífico               

Rohe, esposa de Maui, semideus criador do Havaí e ilhas polinésias. Desfigurada por ele, se retirou para o mundo inferior e passou a reinar sobre os mortos. Indícios de outros impactos além de Chicxulub foram apontados por Hagstrum e geólogos mexicanos na região do Pacífico. Estudos de Princeton concluíram que o impacto de Chicxulub não se localiza no ponto antipodal geológico esperado para provocar o derrame de lava do Decã e que o impacto teria de ter ocorrido milhares de quilômetros a oeste no oceano Pacífico. O tamanho do impacto teria de ser superior a 1.000 km para causar ruptura da crosta antipodal conforme preconizado por Marinova. A proposta cratera Rohe atende a todos os requisitos. O impacto teria criado o hotspot do Havaí e o derrame do Decã no hemisfério oposto. A trajetória da cratera evidenciada pela cordilheira vulcânica Havaí-Imperador indica sua subducção pela Fossa das Aleutas. A datação dos vulcões extintos daquela cordilheira apontando idade de 72 milhões de anos para os montes mais próximos das Aleutas é incompatível com esta teoria, já que não ocorreu nenhuma extinção significativa pouco antes da cretácea e a cratera Rohe se encaixa de maneira perfeita no modelo proposto. Existe uma possibilidade que deveria ser estudada: talvez a cratera Rohe não tenha sido subduzida pela fossa das Aleutas... na verdade, o arquipélago das Aleutas e o arco vulcânico de Kamchatka e ilhas Kuriru (Kurilas), estendendo-se até a ilha de Hokaido no arquipélago do Japão, talvez esses arquipélagos sejam o próprio anel secundário da cratera Rohe... o processo de fratura poderia ter ocorrido durante o deslocamento para leste até que a metade ocidental do anel atingisse a Ásia, revertendo a direção da deriva para o norte até a metade oriental atingir a América. Nesse caso, o centro da cratera se encontraria exatamente no ponto de encontro dos arcos... De fato, cheguei à conclusão de que o arco das Aleutas e o arco das Kurilas constituem verdadeiramente os remanescentes do anel secundário da cratera Rohe. Ela teria se fragmentado de norte para sul, se abrindo na medida em que se deslocava para o norte. A fragmentação ocorreu na linha do hotspot conforme mostrado pelo percurso da cadeia Havaí-Imperador. O motivo da fratura exótica contraintuitiva provavelmente foi o “empurrão” recebido pela cratera Wegener (arco do anel secundário com os arquipélagos do Japão (metade oeste até a fissura da placa de Honshu) e Filipinas, acompanhado pela fração da cratera central do Arco das Marianas. Se esta teoria estivar correta, serão encontradas evidências de que a idade real das rochas mais antigas desses dois arcos vulcânicos coincide com a extinção cretácea... A média atual da velocidade da Placa do Pacífico é de 11 cm/ano. Não se pode imaginar uma causa física possível para uma suposta mudança de velocidade da Placa do Pacífico com a magnitude indicada pela datação do trecho Imperador da cordilheira. Essa divergência precisa ser investigada, mas os indícios a favor da hipótese da cratera Rohe são contundentes. O impacto de Rohe teria originado a anomalia circular da fratura da África Oriental e Oceano Índico com diâmetro de 4.000 km e que sofreu deformação pelos impactos posteriores de Shira há 2,5 milhões de anos e Nam Lolwe Ukerewe há 400 mil anos. Se esse diâmetro antipodal corresponder ao anel secundário no local do impacto, a relação de 3:1 entre diâmetro do anel secundário e diâmetro da cratera central implica em uma cratera no Oceano Pacífico com diâmetro de cerca de 1.300 km. O magma do hotspot do Havaí é rico em mercúrio, fator importante durante a extinção cretácea. O derrame do Decã não contém nível significativo deste elemento.

* Erupção de basalto de picritos em Havaí e Reunião e também Curaçao/Alvarez... investigar 

66 Ma   Idaho    Magnitude: 8    Diâmetro CC: 500 km     Diâmetro AS: 3.000 km                 45°N 114°30’W

LIP/anomalia: Maior parte do estado de Idaho                Região: EUA

A cratera de Idaho é claramente visível no mapa gravimétrico dos EUA. A geologia da anomalia circular do estado é composta de derrames terciários, portanto posteriores a esta extinção. Uma cratera com diâmetro de 800 km é suficiente para causar um nível de extinção significativo, e o único momento possível anterior ao Paleogeno corresponde à idade de 66 milhões de anos. A magnitude do impacto de Idaho somado ao de Chicxulub permite atingir o nível da extinção preliminar ao impacto da cratera Rohe. Conforme o gráfico de extinções, o nível de mortalidade da extinção preliminar atingiu 17%, um valor que Chicxulub sozinha não poderia causar. O impacto de Rohe causou nível de mortalidade de 31% da vida marinha. O diâmetro do anel secundário da cratera Idaho foi estimado considerando a anomalia geológica circular melhor visualizada nas coordenadas 53° N, 98° W. Um primeiro anel secundário aparenta estar localizado a um raio de 1.100 km (diâmetro de 2.200 km) referente à província vulcânica do Alinhamento Jemez. O impacto da cratera Idaho parece estar associado a uma rajada que varreu os continentes norte e sulamericano, veja o comentário abaixo.

Problema: Dento da área da cratera Idaho encontramos outra cratera mais antiga.  “A cratera Beaverhead é uma estrutura de impacto que abrange os estados americanos de Idaho e Montana. Estimada em 60 quilômetros de diâmetro, é uma das maiores crateras de impacto da Terra. Com uma idade estimada de 600 milhões de anos (...)”

 

Hipótese de impactos simultâneos a Chicxulub

A possibilidade de uma rajada única para os eventos de impacto da pré-extinção do Cretáceo não pode ser descartada. A plotagem daqueles impactos em um paleomapa permite traçar uma linha que passa em perfeito alinhamento pelos impactos de Idaho e Chicxulub e pela cratera de Vichada (50 km) na Colômbia (descoberta pelo pesquisador argentino Maximiliano Rocca e atribuída ao final do Cretáceo). O impacto de Vichada é rico em nióbio, um metal relativamente comum em meteoritos. A continuação dessa linha passa por anomalias geológicas no Brasil que requerem investigação, como o uplift de Araxá, com alto teor de nióbio e terras raras; o uplift de Poços de Caldas, com alto teor de urânio e terras raras; e o Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, onde o minério de ferro apresenta pureza incomum e aparece associado a reservas de platina e paládio, metais raros na crosta terrestre, porém comuns em objetos extraterrestres. A anomalia magnética do QF é similar às encontradas nas crateras de Chicxulub e Falklands, e o grau de concentração de seu minério poderia ser explicado pelo impacto de um asteroide rico em ferro sobre aquela região rica em bauxita de Minas Gerais. O asteroide vaporizado teria iniciado uma reação exotérmica com o óxido de alumínio (um processo de termite natural), refinando o minério para o grau de pureza ali encontrado. Outra mina com riqueza de minério de ferro de alta pureza similar ao QF se encontra na outra extremidade desta linha: Iron County, Idaho, EUA. Iron County e QF são extremamente parecidas e sua origem pode estar relacionada a asteroides ricos em ferro.  Há outro indício importante para impacto naquela região de MG: a cadeia vulcânica submarina de Trindade-Martim Vaz. Cadeias vulcânicas se formam com a passagem da placa tectônica sobre um hotspot gerado por impacto. A região do QF se encontrava onde hoje se localiza o hotspot de Trindade-Martim Vaz e a cordilheira vulcânica segue em linha reta pela distância correspondente à deriva da Placa Sulamericana desde o final do Cretáceo. Conforme deduzido a partir dos inúmeros exemplos desta pesquisa, somente crateras com diâmetro superior a 250-300 km são capazes de gerar hotspots detectáveis por suas cadeias vulcânicas. Existe uma anomalia circular com diâmetro aproximado de 300 km centrada aproximadamente em Brumadinho, no Quadrilátero Ferrífero. No entanto, os estudos geológicos feitos no local são muito detalhados e nunca apontaram evidências de impacto. Mas a soma de evidências apresentadas nesta pesquisa não encontra explicação no modelo ortodoxo; tantos indícios e anomalias geológicas rigorosamente alinhadas serem apenas mera coincidência nos parece algo bastante improvável.

Cretáceo-Paleogeno ou Paleoceno-Eoceno (MTPE)         

66 Ma ou 56 Ma               Chukchi               Impacto proposto           Magnitude: ?    Diâmetro CC: 550 x 230 km         Diâmetro AS: 2.000 km

76°26’ 160°0’W                 LIP/anomalia: Bacia Chukchi                     Região: Oceano Ártico

Esta anomalia geológica talvez possa ser interpretada como uma cratera de impacto criada por um objeto em trajetória rasante. O eixo maior de seu formato oval aponta diretamente na direção do impacto de Muspell e dos diques concêntricos no Reino Unido. Menos provável, a orientação do eixo maior também está aproximadamente na direção do Havaí considerando a deriva continental no período, o que poderia indicar uma rajada integrada com Rohe. Mais estudos são necessários. Os dados geológicos apontam para uma origem entre 60 e 65 milhões de anos, o que o coloca como um evento possível de estar associado tanto ao evento do MTPE quanto à extinção cretácea. A hipótese do impacto de Chukchi pode ajudar a explicar a pluma mantélica da Groenlândia há 60 milhões de anos. Diâmetro do AS avaliado com base em anomalia circular concêntrica melhor visualizada nas coordenadas 68°N, 152°W. Mais estudos são necessários.

 

66 Ma ou 56 Ma               Makarov             Impacto proposto           Magnitude: ?    Diâmetro CC: 500 km    

LIP/anomalia: Bacia Makarov                    Região: Oceano Ártico

Esta anomalia é representada pela Bacia Makarov margeada pelas cordilheiras submarinas Lomonosov e Alpha. Estudo recente aponta a região como foco de diques radiais datados entre 135 e 75 milhões de anos, mas essas cordilheiras, assim como o Oceano Ártico, são de datação mais recente. “Embora a idade e os mecanismos de abertura da Bacia de Amerásia ainda sejam difíceis de estabelecer em detalhes, as lajes subduzidas interpretadas que residem no manto inferior do Alto Ártico apontam para um ou dois episódios de subducção que consumiram a crosta possivelmente do Jurássico Superior-Cretáceo. A origem da principal atividade ígnea durante o Cretáceo no Ártico central (a Cadeia Alfa-Mendeleyev) e na proximidade das margens raiadas (a chamada Grande Província Ígnea do Alto Ártico - HALIP) ainda é debatida.” Precisa ser investigada.

 

Paleoceno-Eoceno (MTPE)       Nivel de extinção: 4/*%

60 Ma ou 56 Ma               Muspell              Impacto proposto           Magnitude: 7    Impacto proposto           Diâmetro CC: 500 km

LIP/anomalia: LIP Atlântico Norte, Islândia        Região: Islândia

Reino dos gigantes de fogo guardado por Surtur e sua espada de fogo na mitologia nórdica. O surgimento da ilha da Islândia por um evento de impacto ocorrido coincidente com a Dorsal Mesoatlântica permite explicar a inexistência de qualquer outra ilha ao longo dessa fissura intercontinental. Também explica o evento repentino da LIP do Atlântico Norte, a origem da pluma mantélica circular sob a Islândia e Groenlândia. O afastamento das placas Americana e Eurasiática transformou o derrame circular em uma forma oblonga no sentido leste-oeste. A presença de esférulas de vidro (microtectitos e microkristitos) no norte da Europa e costa leste da América, a anomalia de irídio na Eslovênia Ocidental (Dolenec et al., 2000) a 2.800 km e Zumaya, Espanha (Schmitz et al., 1997) a 2.600 km do impacto, a anomalia de osbornita (vanádio) na ilha de Skye, Escócia, a distribuição anormal de vanádio na Europa, Oriente Médio e África (onde foi encontrado na forma de poeira a 5.000 km de distância) são fortes indícios de impacto extraterrestre para o qual ainda não se determinou uma origem. Principalmente, o impacto de Muspell fornece uma explicação satisfatória para a o evento do Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (PETM). Impactos sobre fissuras continentais potencializam o volume de magma expelido, conforme visto no possível impacto antipodal a Crocodilo (Wrangellia) e nos impactos de Paraná-Etendeka e Thunderbird 6. A ocorrência de diques intrusivos em forma de arco da Escócia, Irlanda, Gales e Inglaterra concêntricos e centrados no impacto de Muspell conforme os paleomapas de Christopher Scotese.

 

Extinção do Eoceno-Oligoceno               Nível de extinção: 12%/*          

34 Ma   Popigai                                                Impacto confirmado      Magnitude: 4    Diâmetro CC: 120 km     Região: Rússia

                Ukko                                     Impacto proposto           Magnitude: 5    Diâmetro CC: 300 km     Região: Finlândia

                Chesapeake Bay              Impacto confirmado      Magnitude: 3    Diâmetro CC: 85 km       Região: EUA     

                Toms Canyon                    Impacto confirmado      Magnitude: 2    Diâmetro CC: 23 km       Região: EUA     

                Tlaloc 2                                               Impacto proposto           Magnitude: 4?  Diâmetro CC: 250 km     Região Litoral do México               

Esta extinção progressiva afetou principalmente a fauna de mamíferos europeia, que foram substituídos por uma fauna até então asiática, e pode estar relacionada a uma temporada de bombardeio de asteroides metálicos e condríticos resultantes da desintegração de um cometa. O turnover da fauna denota uma ocorrência localizada na Europa. A cratera Popigai se localiza na Ásia, ao norte da Sibéria, e seu tamanho é insuficiente para causar o nível de extinção atingido, muito menos afetar a fauna europeia sem prejudicar a asiática. A hipótese em estudo acrescenta a possível cratera Ukko (deus do céu e trovão na mitologia finlandesa, relacionado a Thor na mitologia nórdica escandinava), localizada na Finlândia e com diâmetro de 300 km. A ocorrência de um impacto relativamente pequeno na Europa explicaria a extinção localizada. O baixo nível de extinção é compatível com a magnitude de um impacto dessas proporções. Essa formação circular é vista atualmente como apenas um depósito glacial, e não foi localizado mapa geológico que ateste evidência de impacto. Entretanto, os impactos comprovados de Popigai, Chesapeake Bay e Toms Canyon evidenciam uma sequência de impactos de asteroides condríticos, isentos ou quase isentos de metais. Meteoritos desse tipo são praticamente indistinguíveis de rochas comuns, e a formação circular pode ter sido identificada como depósito glacial porque a hipótese de impacto era impensável à época. A cratera Suavjärvi B, ao lado de Ukko, parece indicar esse fato. A divergência entre as crateras de tamanho similar de Chicxulub e Ukko pode ser explicada pela diferença de energia cinética entre um asteroide metálico (impactador de Chicxulub) e um asteroide condrítico (Ukko). Considerar a anomalia geológica de Ukko como evento de impacto oferece uma solução lógica para a extinção da fauna europeia durante a transição do Eoceno-Oligoceno.

 

Glaciação Antártica           

A extinção do Eoceno-Oligoceno coincide com um período de resfriamento do planeta que cobriu de gelo um continente inteiro de maneira permanente, a Glaciação Antártica. Ao contrário dos outros eventos de glaciações desencadeadas por vulcanismo intenso originado por impacto, este fenômeno não se encaixa na sequência impacto/vulcanismo/glaciação. Também não encontra explicação dentro do modelo clássico, que atribui o congelamento da Antártida ao início da circulação de águas polares ao seu redor, mas não explica o mecanismo pelo qual esse processo teria acontecido somente em tempos recentes. Os ciclos de Milankovitch também não explicam o caso único do congelamento da Antártida.

A peça-chave para entendermos o que aconteceu está na extinção do Permiano-Triássico há 252 Ma: uma de suas consequências tardias será esta glaciação. Explicando: o modelo ortodoxo coloca as ilhas da Nova Zelândia se separando do continente australiano, o que não permite oferecer uma explicação coerente para o congelamento repentino de todo um continente já que, se elas tivessem se situado sempre próximas da latitude em que Austrália e as ilhas neozelandesas se encontram atualmente, o arquipélago nunca teria influído sobre o fluxo das águas polares mais ao sul.

Mas a teoria de impacto oferece uma explicação elegante, ao mesmo tempo em que valida seu modelo:

Vimos no evento de impacto da extinção P-T que a Nova Zelândia foi criada como parte do anel secundário da cratera Wegener. Ao permanecerem unidos à Antártida desde sua formação, por 200 milhões de anos o arquipélago e sua placa tectônica constituíram uma barreira que impedia a circulação das águas frias ao redor do continente e constituíram a Península Antártica Neozelandesa. Como se vê ao longo desta pesquisa, impactos explicam o surgimento desse tipo de anomalia “peninsular” associada a impactos: Pasárgada/Ciméria, Keweenawan/Baja California, Wegener/Zelândia, Prometeu/Itália)

Mas ao se desconectar da Antártida e derivar para o norte, a agora independente placa da Zelândia deixou de bloquear o fluxo das águas geladas, transformando o até então verdejante continente no bloco de gelo que conhecemos. A Glaciação Antártica é mais uma glaciação decorrente de impacto, mas desta vez por meio de um mecanismo totalmente diferente.

 

Mioceno Médio (OTMM)           

22 Ma                   Thunderbird 6  Impacto proposto           Magnitude: 5    CC: 300 km        

LIP/anomalia: Planalto Columbia River                               4/*%     EUA      

Vários autores levantaram a suspeita de impacto para a origem do derrame de basalto do Rio Columbia e do hotspot de Yellowstone. A origem repentina e volume anormal da erupção apontam para uma pluma mantélica causada pela coincidência de um evento de impacto com a borda de uma placa tectônica, potencializando os efeitos vulcânicos como visto no impacto de Muspell e eventualmente a própria cratera (se confirmada) Paraná-Etendeka. A passagem da placa tectônica Americana sobre o hotspot de Yellowstone criou uma cadeia continental de caldeiras vulcânicas da mesma maneira que outros eventos de impacto criaram cordilheiras vulcânicas submarinas.

 

Final do Plioceno 

2,5 Ma                  Eltanin                 3             Impacto confirmado      Magnitude: 3    CC: 35 km            Região: Pacífico Sul       Meh.

 

Pleistoceno

800 ka                   Bolaven               Impacto confirmado      Magnitude: 1    15 km    Cratera e campo vulcânico         Região: Laos               

800 ka                   Campo de tectitos: +8.000 km Impacto confirmado      Magnitude: 3    Região: Australásia

Campo de impactitos atribuído a uma cratera com diâmetro de 15 km recentemente localizada no planalto de Bolaven, Laos. Há derrames de lava em forma de arco ao sul da cratera enterrada, o que é estranho para uma cratera tão pequena. Entretanto, ao norte do local estudado, na região de Savannakhet, existe uma anomalia circular que pode representar uma cratera com diâmetro de 80 km. Esta possível cratera de maior diâmetro apresenta melhor alinhamento com o derrame de lava ao sul. Carece de investigação.

 

800 ka?                 Savannakhet     Impacto proposto           Magnitude: 2    Diâmetro CC: 80 km       Possível segunda cratera associada ao evento de Bolaven.

 

30 ka                     Rajada Kadlu     Impacto confirmado      Magnitude: 3    Meteoritos

LIP/anomalia: Lagos na Sibéria Região: EUA (Alasca) e Rússia (Sibéria)              

Deusa das tempestades na mitologia dos nativos Inuit. A descoberta de ossos de mamutes e bisões com fragmentos magnéticos de meteoritos no Alasca e na Sibéria por Fischer apontou um evento de impacto por desintegração de asteroide sobre a região polar norte. O evento pode ter sido de proporções muito maiores do que até agora reconhecidas. Este estudo encontrou várias dezenas de lagos de formato oval na região de Chelyabinsk, a mesma do meteorito de 2013 (sem relação com este evento). Os lagos maiores, considerados como de formação glacial, chegam a 8 km de extensão por 5 km de largura e todos apresentam proporção similar. A orientação destes supostos lagos glaciais aponta diretamente para a região do Alasca onde foram encontrados os ossos de mamute incrustados na América. O campo de lagos ovais na Sibéria se estende por mais de 1.000 km. Essa anomalia geológica sugere que os lagos podem ter sido criados por impactos de grandes meteoritos em trajetória rasante após a desintegração de um fragmento de cometa ou meteorito sobre o Alasca. Essa suposta rajada Alasca-Chelyabinsk apresentaria extensão de pelo menos 6.300 km.

 

Holoceno     

13 ka                     Hiawatha            Impacto confirmado      Magnitude: 3    CC: 31 km            Região: Groenlândia

13 ka?                   Groenlândia 2  Impacto confirmado      Magnitude: 3    CC: 35 km            Região  Groenlândia     

Hiawatha é uma cratera de impacto confirmada e cuja datação aponta para a coincidência com o evento de Younger Dryas. Nas imediações também foi encontrada outra cratera de tamanho semelhante, mas supostamente mais antiga. Ambas as datações aguardam confirmação. Nas proximidades dessas crateras foi encontrado o meteorito de Cape York, mais de 60 toneladas. O evento de impacto ou airburst de Nechako teria aproximadamente 400 km, é defendido pelo geólogo Randall Carlson e teria ocorrido sobre a capa de gelo naquela região da Columbia Britânica, causando a grande cabeça de água atribuída ao rompimento da barragem de gelo do lago Missoula e uma anomalia geológica de padrão radial. O impacto de Saginaw foi proposto por Davias e Gilbride e é defendido por Antonio Zamora, que explicou o mecanismo de criação das crateras rasas ovais das Nebraska Bays e Carolina Bays pela ocorrência de um impacto sobre a capa de gelo da última glaciação causando um ejecta de grandes blocos de gelo que caíram sobre solo de charco. A cratera de impacto com aproximadamente 300 km corresponderia à Baía de Saginaw na Península de Michigan. Esta teoria se opõe à da extinção causada por ação humana. O evento de Nechako, o impacto de Saginaw e a(s) cratera(s) da Groenlândia seriam os causadores da extinção da megafauna e também da cultura Clovis que prosperava na América do Norte. Ambas as teorias apresentam problemas. Os argumentos de datação da progressão da extinção conforme o avanço da colonização humana é um forte argumento. Mas a mudança radical dos ecossistemas com o fim da glaciação não pode ser atribuído à ação humana, provavelmente foram causas concorrentes.

                              

13ka?    Meteoritos Cape York e Willamette     Impactos confirmados Magnitude: 1     Região: Groenlândia e EUA      

                Nechako             Impacto proposto           CC: 400 km         Região: Canadá               

                Saginaw              Impacto proposto           CC: 300 km         Região: EUA     

                Abu Hureyra     Airburst confirmado      Magnitude: 1    Rochas vitrificadas e microtectitos        Região: Síria     

Comunidade neolítica destruída por impacto ou airburst. Encontradas esférulas de vidro meteorítico e vitrificações no solo. Evento contemporâneo ao templo/monumento de Gobekli Tepe que supostamente descreve o impacto com indicações astronômicas e datação contemporânea com a extinção da megafauna no período Younger Dryas. Há um alinhamento entre Abu Hureyra e os eventos na América do Norte sugerindo uma possível rajada com extensão de 10.050 km.

                Konkan                                Airburst ou impacto proposto  Magnitude: 1    Rochas calcinadas           Região: Índia    

Petroglifos datados da mesma época que o monumento/templo de Gobekli Tepe parecem fazer alusão a um evento catastrófico similar ao ocorrido em Abu Hureyra. A região dos petroglifos apresenta aparência calcinada. Os petroglifos aparentemente descrevem nuvens em forma de cogumelo e poderiam estar relacionados aos registros hindus das “guerras celestiais” quando os deuses lançavam dardos de fogo contra a Terra, causando maremotos e explosões tão intensas quanto o brilho do sol e que, antes do conhecimento da dinâmica dos impactos, foram interpretados erroneamente como bombas atômicas, assim como os deuses voando nos céus foram interpretados como indicativos de uma civilização mais avançada que a atual, quando uma perspectiva mais equilibrada aponta para meteoros e meteoritos. As evidências se encontram em vídeos publicados na internet.

                Pilauco                Impacto confirmado      Magnitude: 1    Tectitos               Região: Chile    Impacto contemporâneo a Younger Dryas na América do Sul.

 

15 ka?   Rio Cuarto          Impactos confirmados  Magnitude: 1    Meteoritos        Campo de crateras         Região: Argentina

O alinhamento da direção de Campo del Cielo aponta para a cratera de Umm al Binni aproximadamente na direção de seu eixo longitudinal. Os meteoritos de CdC são metálicos. O meteorito de Umm al Binni ainda não foi encontrado. As crateras de Rio Cuarto apresentam meteoritos condríticos com datação incerta e aparentemente discordante de CdC. Na hipótese de todos estes impactos confirmados e possíveis impactos serem contemporâneos, seria possível explicar o fenômeno pela desagregação de um asteroide do tipo Ryugu ou Bennu, composto de rochas aglomeradas por gravidade, algumas metálicas e outras condríticas. Uma hipotética rajada Umm al Binni a Campo del Cielo apresentaria extensão de pelo menos 13.200 km.

5 ka        Umm al Binni                    Impacto confirmado      Magnitude: 1    CC: 3,5 km          Região: Iraque 

5ka?      Campo del Cielo             Impactos confirmados Magnitude: 1    Campo de meteoritos e crateras             Região: Argentina          

5 ka?     Campo de Iruña               Impactos propostos       Magnitude: 1    Campo de crateras         Região: Paraguai

Muito próximo ao alinhamento mencionado acima o pesquisador brasileiro Gabriel André Werlang identificou um campo de crateras aparentemente originadas por impacto na região de Iruña, Paraguai. A região ainda sendo avaliada contém cerca de 15 crateras por km2 com diâmetro médio de 15 metros. A extensão do evento ainda está sendo pesquisada. Até agora não foram encontrados meteoritos metálicos, o que pode indicar uma chuva de meteoritos condríticos. Idade incerta. Pesquisa em andamento.