Cometas são sinal do fim do mundo?
É uma tradição muito antiga associar cometas a pevisões apocalípticas: iminência de catástrofes, desgraças e fim do mundo.
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| Cometa Halley ilustrado na Tapeçaria de Bayeux, século XI d.C. |
Bem, bonito para nós hoje, que dispomos de informação. Mas naquela época, as coisas eram muito diferentes.
Hoje já enviamos sondas a cometas que mostraram sua verdadeira face: enormes blocos de gelo de até 100 km que emitem gases ao se aproximar do Sol.
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| Cometa 67P Churyumov-Gerasimenko fotografado pela sonda Rosetta |
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| Cometa 67P Churyumov-Gerasimenko em detalhes |
Você vive em um mundo em que todos os dias e noites são iguais: caçar, colher, plantar, cantar e contar histórias ao redor da fogueira, se encantar com o céu noturno.
Nada é diferente disso até que uma noite aparece no céu uma "estrela" um pouco mais brilhante.
Passam-se as semanas e fica evidente que ela está crescendo lentamente, e em sua volta se forma um halo translúcido... uma "cabeleira" fantasmagórica — muito maior do que todas as estrelas e planetas, maior até do que a Lua — e que se move lentamente nos céus.
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| Cometa Hale-Bopp, 1997 |
Ora, quem tem cabelos longos são apenas os homens e mulheres, então só pode ser uma entidade luminosa espreitando nos céus — algo apavorante e suspeito, quais suas intenções?
E cometas surgem e vão embora, o mito da aparição misteriosa é contado de geração em geração, cai no esquecimento, aí outro cometa aparece, o ciclo recomeça, e segue a vida.
Até que um dia o cometa Encke se aproxima mais que os outros, enchendo o céu e mostrando a maior cabeleira que a humanidade já viu.
E junto com ele, vem uma chuva de pedras de fogo e enxofre — um elemento comum em vários meteoritos — de cheiro pungente.
Ninguém iria comentar que o cometa trouxe uma chuva de ferro, porque eles ainda não forjavam metais. Nem uma chuva de irídio, porque não conheciam o cheiro do irídio derretido. Aliás, nem eu.
Enxofre eles conheciam, cheira mal, e a história registrou que cidades e populações inteiras foram devastadas por chuvas de fogo, e não só em Sodoma e Gomorra, ou em Tell al Haramm.
Qual a explicação para tamanha ira divina?
Ora, aquelas pessoas foram castigadas porque todas desagradaram aos deuses ou deus local. Lógico e coerente para quem recém saiu das cavernas, para quem estava começando a construir as civilizações. Civilização quer dizer construir cidades.
Que deuses vinham do céu carregando morte e destruição pelo fogo?
Inúmeros. Os maias, a civilização com o conhecimento de astronomia mais avançado da América, tinham fascinação pela representação de um deus caindo dos céus carregando uma tocha...
Algo impressionante como um cometa.
Este antigo catálogo chinês mostra variadas formas de cometas observados ao longo de sua civilização milenar.
Algumas formas lembram o Candelabro de Paracas... e a última ilustração não se parece com nenhuma das outras.
Carl Sagan aventou a hipótese de que essa "suástica" seria a representação de um cometa vindo em direção à Terra: em vez de vermos sua cauda estendida no espaço, vemos 4 caudas emanando de um núcleo, mas sua extensão é menor porque elas se dobram para trás em relação à trajetória do cometa.
Ou seja, algo que você veria se um cometa viesse em nossa direção e que passasse muito perto da Terra, algo para ficar registrado de maneira marcante na História de todos os povos.
Veja as figuras abaixo:
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| Petroglifo natufiano, Turquia ou Síria / Candelabro de Paracas, Peru / Ídolo hinduísta, Índia |
O que estas três figuras têm em comum? O que elas lembram?
À primeira vista, a representação de um cacto? Um candelabro daqueles de colocar velas? Um sapo sem pernas?
É difícil entender porque alguém se daria ao trabalho de representar a mesma forma básica em lugares tão diferentes do mundo e em épocas aparentemente tão disparatadas.
Por que um cidadão natufiano de Gobekli Tepe se daria ao trabalho de gravar na pedra uma planta que não existe na Turquia?
Por que habitantes do litoral do Peru se dariam ao trabalho de escavar a imagem de um candelabro com 180 metros de altura em uma encosta desértica?
Por que habitantes da Índia idolatrariam um ser tão estranho aparentemente associando-o ao céu?

Por que aborígenes da Austrália temeriam um gigantesco ser em forma de candelabro?
Se minha interpretação estiver correta, eles procuram refúgio no alto das árvores, talvez na tentativa de fugir de tsunamis trazidos pela poderosa entidade?
O impacto de grandes meteoritos no oceano é capaz de provocar grandes tsunamis...
Como poderiam civilizações tão distantes uma da outra compartilhar a mesma ideia exótica? A menos que cogitemos que todos eles viram algo muito impressionante com essa forma.
Sabemos que corpos celestes se aproximando do nosso planeta se desintegram e podem se transformar em uma chuva de meteoros.
Uma chuva atípica ocorreu em 1913 e foi testemunhada em vários locais do mundo:
A procissão de meteoros de 1913 não liberou estrelas cadentes porque foi um pequeno asteroide que se desintegrou ao tangenciar nossa atmosfera.
Os vários meteoros formaram uma fila luminosa que percorreu toda essa extensão, talvez até mais, porque não há tantos navios no Atlântico Sul.
Mas, e se ao invés de um pequeno asteroide, fosse um cometa se desintegrando?
Apesar do conceito de que cometas seriam apenas enormes blocos de gelo sujo, as leis da gravitação regem que formar um grande corpo celeste envolve uma massa central capaz de atrair muito material à sua volta.
A ideia que fazemos é que cometas liberam apenas poeira e fragmentos minúsculos enquanto o gelo é sublimado pela radiação solar, porque é isso que vemos pelo telescópio e nas chuvas de meteoros — a imensa maioria deles se queima na atmosfera sem atingir o solo, sem virar meteoritos.
Será que sempre foi assim?
Se a teoria de Napier estiver correta, e eu creio que está, o cometa Encke ao se fragmentar liberou blocos de seu interior, blocos de tamanho bem mais significativo: asteroides metálicos.
Cada vez mais entendemos o processo de aglomeração que leva à formação de asteroides e cometas, e ambos não são diferentes — apenas que os asteroides se formam mais próximos ao Sol, portanto são mais rochosos/metálicos com pouco gás congelado.
Cometas se formam na região mais externa e fria do sistema solar, onde há mais gases e poeira cósmica, formando as tais bolas de gelo sujo — mas seu núcleo é mais denso, caso contrário não haveria aglomeração.
Mas por que haveriam asteroides metálicos no exterior do sistema solar? Eles não se formaram devido ao calor solar, que fundiu os metais?
É verdade, os metais foram fundidos pelo calor de uma estrela, mas não foi o nosso Sol.
Todo o ferro, níquel, cobalto, paládio, irídio, etc. que temos na Terra se originou do colapso de uma estrela muito mais antiga que o nosso Sol — Carl Sagan sintetizou poeticamente esse fato com a frase poética de que somos todos feitos de poeira das estrelas.
Ferro e outros metais só se formam no interior de uma estrela, e quando ela morre, explode e libera seu material para o espaço, dando origem a nebulosas que se condensam em novos sistemas solares ao longo de milhões de anos.
Nosso Sol e nossos planetas se formaram agregando esses fragmentos, e quanto mais próximo da atração gravitacional de nossa estrela, maior a densidade média dos planetas como Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.
Mas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno também têm núcleos rochosos capazes de atrair gravitacionalmente enormes atmosferas de gás.
Suas luas são compostas principalmente de gelo, mas também têm um núcleo sólido.
Tritão, lua de Netuno, é praticamente idêntica a Plutão, em uma órbita mais externa, assim como muitos outros planetas-anões daquela região onde está a nossa maior reserva de cometas — por qual motivo eles não teriam núcleos rochosos/metálicos, se esses materiais literalmente vieram de fora do sistema solar?
Então a fragmentação do cometa Encke (ou mais corretamente, de seu antecessor), ao passar muito próximo da Terra, desencadeou as maiores chuvas de meteoros e meteoritos que a humanidade testemunhou, e nem todos sobreviveram ao cataclisma.
Já os sobreviventes trataram de registrar o evento não apenas para ilustrar, mas para relatá-lo para a posteridade, na forma de monumentos e tradições orais.
Uma dessas tradições era a de que o surgimento de cometas era prenúncio de catástrofe.
Com o passar de gerações, perceberam que o fenômeno se repetia ciclicamente, e como eram tão inteligentes quanto nós, trataram de desenvolver tecnologias para salvar suas populações.
O conhecimento astronômico permitiu saber e prever a época do ano em que os cometas apareceriam.
As construções megalíticas foram feitas para servir de abrigos contra a chuva de pedras do céu, enviada por um deus punitivo e vingativo insatisfeito com o comportamento dos homens.
A lenda suméria/babilônica de Inanna e sua irmã Ereshkigal é interessante:
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| Inanna, rainha do céu, e Ereshkigal, rainha do mundo inferior em representações suméria e babilônica (mais moderna) |
Novamente, deusas voadoras que evocam a forma do "candelabro" das tradições milenares dos povos daquela região.
Ao visitar Ereshkigal no mundo inferior, Inanna foi morta e seu cadáver pendurado em um gancho para todo mundo ver. O ministro de Inanna, Ninshubur, no entanto, pediu a Enki e Enki concordou em resgatar Inanna do mundo inferior.
Enki mandou dois enviados para o submundo a fim de reviver Inanna e escoltá-la de volta, mas um bando de demônios a seguiu, exigindo levar alguém para o mundo inferior como substituto dela.
Quando Inanna descobriu que seu marido Dumuzid não lamentou sua morte, ela se irritou e ordenou que os demônios o levassem como seu substituto.
Seria uma parábola sobre uma deusa retornando à Terra e causando a morte de um pecador que não a honrou em sua ausência?
Religiões com esse tipo de conceito foram se tornando cada vez mais complexas, e como simples orações e cânticos não detinham a ameça, a interpretação lógica e coerente (para eles) era que seu(s) deus/deuses insatisfeitos queriam ainda mais sacrifícios.
Surgem cultos religiosos que demandam sacrifícios cada vez maiores, chegando ao ponto de praticar mortes rituais no intuito de agradar aos deuses. Em todos os continentes, incluindo a Oceania.
[revisar e integrar]
xxxxx
A teoria sobre a desintegração de um cometa há cerca de 20 mil anos nas proximidades da Terra foi apresentada pelo astrônomo inglês Charles Napier. O cometa Encke teria se fragmentado ao passar muito próximo do campo gravitacional terrestre, liberando blocos de rochas e gelo que continuaram sua trajetória que permanentemente cruza com a órbita de nosso planeta.
O cometa Encke é um dos mais frequentes, completando uma órbita solar aproximadamente a cada 3 anos. Por causa das diferentes velocidades do planeta e do astro, nem sempre esse cruzamento ocorre nas proximidades do planeta, mas há um ciclo repetitivo quando as órbitas se interceptam em nossas proximidades.
Ao atravessar a órbita do cometa duas vezes por ano, a Terra é atingida por várias chuvas de meteoros (e eventualmente meteoritos), chamadas Tauridas, Beta Tauridas e Aquaridas; recebem esses nomes porque seu radiante (o ponto no céu de onde os meteoros parecem se originar) se localiza nas constelações de Touro e Aquário.
Quando o cruzamento ocorre nas proximidades do que restou do núcleo do Encke, ocorrem as mais intensas chuvas de meteoros que a humanidade já assistiu, com vários dias de duração. Um fenômeno tão maravilhoso e aterrador que ficou registrado em inúmeros monumentos pré-históricos e tradições há dezenas de milhares de anos.
Esse evento que se repetia todos os anos foi o que levou a humanidade a desenvolver o interesse pelo que ocorria nos céus; a necessidade de prever a ocorrência da próxima chuva de meteoros e enormes meteoritos, a fim de buscar abrigo nos dias de fúria da natureza. Ou dos deuses.
Inicialmente esse abrigo ocorria em cavernas, onde um dia registraram o que viam nos céus e em cenas de seu cotidiano. Faziam isso porque ainda eram incapazes de construir abrigos suficientemente resistentes para suportar um eventual impacto; logo técnicas foram desenvolvidas para a construção das enigmáticas muralhas de pedras gigantescas que até hoje causam admiração em locais tão distantes como Japão, Coreia, Índia, Egito, boa parte da Europa, Peru e Bolívia.
Concordo com a teoria do pesquisador australiano xxxxxxxxxxx:
Também temos um observatório astronômico comparável a Stonehenge próximo ao rio Calçoene no Amapá.
Esse observatório também põe abaixo a teoria mais aceita de que observatórios astronômicos foram criados devido à necessidade de criar calendários para definir as estações do ano para fins de plantação — o único cultivo praticado pelos nativos em terras brasileiras era a mandioca, e nosso clima tropical não influencia a época do plantio. Saudemos a mandioca!
Mover e alinhar pedras enormes requer tempo, tremendo esforço conjunto e força física, um luxo para pessoas que passavam a maior parte do tempo cuidando de encontrar e cultivar a alimentação.
Então, a prática da astronomia, a criação de observatórios astronômicos e a construção de abrigos com pedras maciças, recobertos por terra ou não, foram movidas por necessidades imperativas — sobrevivência.
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O primeiro registro astronônico da humanidade aparece nas pinturas das cavernas de Lascaux.
Esse observatório também põe abaixo a teoria mais aceita de que observatórios astronômicos foram criados devido à necessidade de criar calendários para definir as estações do ano para fins de plantação — o único cultivo praticado pelos nativos em terras brasileiras era a mandioca, e nosso clima tropical não influencia a época do plantio. Saudemos a mandioca!
Mover e alinhar pedras enormes requer tempo, tremendo esforço conjunto e força física, um luxo para pessoas que passavam a maior parte do tempo cuidando de encontrar e cultivar a alimentação.
Então, a prática da astronomia, a criação de observatórios astronômicos e a construção de abrigos com pedras maciças, recobertos por terra ou não, foram movidas por necessidades imperativas — sobrevivência.
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O primeiro registro astronônico da humanidade aparece nas pinturas das cavernas de Lascaux.
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Carnac
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Dólmens
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Long burrows
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Gobekli Tepe, o monumento à lembrança do cataclisma.










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