Este trabalho é a pesquisa da minha vida. Está programado para ser publicado automaticamente no caso de eu não poder fazer isso por mim mesmo (estou velho, posso apagar a qualquer momento, é a vida...)
Caso você leia esta postagem, por favor, divulgue para que chegue aos ouvidos dos caras que entendem do assunto — tentei por anos, mas nem quiseram ver o que eu tinha para mostrar... apresentações com imagens de todas as crateras, porque foi por análise de imagens no Google Earth e pesquisa em sites de Geologia na internet que cheguei até este resultado.
É uma teoria espinhosa para o pessoal: um cara de fora da academia chega e vira de cabeça para baixo algumas coisas estabelecidas há séculos... mas Ciência é isso, um olhar novo permite descobrir verdades impensadas.
Espero que você se divirta tanto quanto eu ao pesquisar este assunto.
O primeiro impacto nem conta, é mais do que manjado. Mas os outros começam a ficar interessantes.
Ga = Giga-anos = bilhão de anos
Ma = Milhão de anos
LIP = Large Igneous Province, grande província ígnea (grandes erupções vulcânicas com derrame de basalto)
A escala de magnitude de impacto ainda não foi refinada, serve apenas para dar uma ideia geral.
Hadeano
4,5 Ga Colisão
tangencial de Gaia e Theia Impacto
confirmado Magnitude: Z Diâmetro da cratera central (CC): 12.000 km?
LIP/anomalias: Continentes terrestres e Lua
Impacto da criação da Lua que
causou a distribuição irregular da crosta terrestre. O reaquecimento do manto deu
origem à tectônica de placas, algo inexistente nos demais planetas rochosos do
sistema solar. O impacto do planeta anão Theia gerou energia para a Terra
manter seu manto fundido por mais tempo do que Mercúrio, Vênus ou Marte. Como
consequência, a Terra é o único planeta rochoso com placas tectônicas ativas,
fator fundamental para a manutenção e evolução da vida em seus oceanos e
superfície. Além de dar origem à Lua, o impacto causou um desequilíbrio na
distribuição da capa rochosa superficial de nosso planeta que, somado à maior
fluidez do manto, fez com que os continentes iniciassem um movimento repetitivo
de colisão e afastamento mútuo que se estabilizou há cerca de 1,8 bilhão de
anos. Teve início o período apelidado de Boring Billion (“bilhão maçante”).
Supercontinentes Columbia e Rodínia
Arqueano
4,0 – 2,5 Ga ? Zimbábue 2.100 km LIP:
Uplift/cráton Zimbabwe Região:
Zimbábue
Transição do
Arqueano-Proterozóico
2,67 Ga Tumucumaque? Impacto proposto Magnitude: 9 Diâmetro CC: 900 km Centro:
2°8’N 54°43’W
LIP/anomalias: Serra de Tumucumaque Região:
Amapá (BR) e Guiana
Conforme o estudo
Geochronology of the Archean Tumucumaque Complex, Amapá Terrane, Amazonian
Craton, Brazil de Setembro de 2018 publicado no Journal of South American Earth
Sciences 88 por Cristiano Borghetti, Ruy P. Philipp, Persio Mandetta e Itiana
B. Hoffmann, a idade estimada deste maciço é de 2,8 bilhões de anos, sendo
registrado um evento intrusivo anorogênico no Neoarqueano há 2,67 Ga. A cratera
foi estimada com diâmetro de 900 km e deduzida a partir da forma circular do
planalto na região. Este evento possivelmente teria sido simultâneo ao impacto
de Beríngia.
2,40 Ga Suavjärvi Impacto confirmado Magnitude: 1 Diâmetro CC: 3 km Centro:
63°7′N 33°23′E Região: Rússia
Suavjärvi é a cratera de
impacto mais antiga oficialmente conhecida, precedendo Vredefort por 300 Ma.
Apresenta-se na forma de um lago com diâmetro de apenas 3 km.
2,40 Ga Suavjärvi
B Impacto proposto Magnitude: 5 Diâmetro CC: 270 km Centro:
63°2′N 3°03′E Região: Rússia e
Finlândia
Uma anomalia circular com
270 km perfeitamente centrada no lago de Suavjärvi é perfeitamente visível.
Suavjärvi B é um ótimo exemplo de como a pesquisa geológica se focaliza no
ponto de descoberta das rochas sem ampliar o horizonte da busca por crateras de
grande tamanho. Como curiosidade, esta anomalia se encontra ao lado da proposta
cratera Ukko, possivelmente associada à extinção do Eoceno-Oligoceno, que
também não é reconhecida como tal, mas interpretada como depósito de rochas
transportadas por geleiras. Os eventos de impacto foram muito mais comuns do
que o percebido até agora, contribuindo enormemente para o processo de formação
da crosta terrestre, razão pela qual não são percebidos; são elementos que não
destoam da paisagem e, mesmo quando destoam, são atribuídos a processos naturais
de progressão lenta.
Paleoproterozóico
2,02 Ga Vredefort
Impacto confirmado Magnitude: 5 Diâmetro CC: 300 km Região:
África do Sul
LIP/anomalias: Minérios metálicos da África do Sul
Vredefort é a maior cratera
de impacto conhecida até esta data.
1,8 Ga Jötunheimr
e Greyslandia Impacto proposto Magnitude: 11 Diâmetro CC: 1.500 km Diâmetro
AS: Complexo
Centro: 67°53’N 76°22′W LIP/anomalias: Plutonismo do Escudo Canadense, diques
intrusivos Mackenzie
Região: Groenlândia e Arquipélago Ártico
Este impacto durante o
período Paleoproterozóico formou a bacia central da Groenlândia, a qual
posteriormente derivou para longe do continente. Em seu lugar, o hotspot
permaneceu extremamente ativo e formou uma região anelar. Neste trabalho, a
cratera afastada do continente será referida como Greyslandia, enquanto a nova
formação geológica no local do impacto e hotstpot será referida como cratera Jötunheimr
(reino dos gigantes de gelo na mitologia nórdica).
Este evento permite explicar
a aglutinação dos vários crátons que hoje integram o Escudo Canadense por
cinturões de basalto durante o Paleoproterozóico. Os diques intrusivos
Mackenzie mostram um padrão concêntrico centrado na cratera do impacto de
Jötunheimr/Greyslandia. A teoria de impacto originando diques concêntricos
apresenta uma explicação melhor do que a atual, a qual propõe o centro da
elevação de uma pluma mantélica na região da Baía Darnley, ponto de
convergência a oeste (atual) dos diques. Pela teoria de impacto, a maior
proximidade dos diques naquela região seria indicadora da direção do impacto, e
não de origem da pluma. A pluma mantélica verdadeiramente se elevou no ponto
correspondente à Bacia de Foxe (coordenadas acima) e sua eclosão está
evidenciada pelo conjunto anelar de ilhas e continente no centro do arco.
A cratera Greysland está
bastante deformada por causa da orogênese posterior da Cordilheira Oriental da
Groenlândia com o impacto de Thunderbird 2 (ocorrido na transição do
Ordoviciano para o Siluriano). Sua formação por impacto apresenta características
comuns a outros eventos estudados: a região de picos vulcânicos extintos da
área central da Bacia da Groenlândia (picos também vistos nos impactos de Sunda
(Ilhas Spratly), Fiore (solo oceânico no Atlântico associado ao impacto
ocorrido no Brasil quando ainda integrado a Gondwana/Rodínia) e
Prometeu/Grécia).
A cratera recém-formada de Greyslandia
derivou para longe do continente. No local do impacto o hotspot e sua pluma
continuaram ativos e se elevou o derrame de basalto de Jötunheimr que
atualmente constitui as ilhas de Nunavut e uplifts circundantes da Bacia de
Foxe. A ausência de rochas na região central desta bacia é característica de
contração do material por resfriamento como visto em massalotes de processos
industriais de fundição. O grande tamanho e evidência do material expelido
neste impacto se explicam pela maior fluidez do manto há 1,8 Ga, o que explica
as condições peculiares deste evento. O impacto de Jötunheimr foi o último
evento geológico marcante do período, que foi seguido pelo apelidado Boring
Billion, sem registro de grandes mudanças na história do planeta.
1,1 Ga Keweenawan
(em estudo) Magnitude: 17 Diâmetro CC: 1.800 km Diâmetro AS: 7.500 km Centro:
42°30’N 87°W
LIP/anomalias: Iron Range e Falha Keweenawan Região: EUA e Canadá
Impacto formou a bacia dos
Grandes Lagos? O lago Michigan marca o local do impacto? A borda da cratera
formou a orogenia Penokeana. O anel secundário externo formou placas de Cocos e
Juan de Fuca.
Wikipedia: “A orogenia
paleoproterzóica Penokeana se desenvolveu em um embainhamento na margem sul do
Cráton Superior. Estende-se a leste de Minnesota até o orógeno Grenville perto
do Lago Huron e ao sul até a Planície Central em Wisconsin. É composto por dois
domínios separados pela Zona de Falha do Niágara: o domínio interno ao sul, os
Terranos Magmáticos de Wisconsin, consiste em rochas de arco toleíticas e
calcário-alcalinas do Paleoproterzóico e rochas plutônicas cálcio-alcalinas; o
domínio externo do norte consiste em uma bacia de foreland da margem
continental cobrindo um embasamento arqueano e inclui as rochas supracrustais
do Grupo Animikie e do Supergrupo da Cordilheira de Marquette. A colisão entre
os dois domínios em torno de 1,88-1,85 Ga resultou em impulsos e dobramentos
direcionados para o norte do domínio norte. Antes desse episódio, a área era
uma margem continental passiva ocupada por um mar raso, que criava grandes
depósitos sedimentares, incluindo as formações ferríferas bandadas de Iron
Range (Cordilheira do Ferro). A orogenia aconteceu em duas fases. Primeiro, um
arco de ilhas denominado terrano Pembine-Wausau colidiu com o antigo cráton
norte-americano junto com vulcões formados em sua bacia de arco posterior. A
segunda fase envolveu um microcontinente chamado terrane Marshfield, que hoje
faz parte de Wisconsin e Minnesota. O episódio durou cerca de 10 milhões de
anos. Centenas de milhões de anos depois, a Falha Keweenawan ocorreu na mesma
área criando a bacia que viria a se tornar o Lago Superior. Os vestígios dessa
orogenia podem ser vistos hoje como as cordilheiras de ferro de Minnesota e
Ontário, as terras altas do norte de Wisconsin e a península superior de
Michigan.”
Appalachian Inliers:
“Imagens de elétrons retroespalhados de titanitos de gnaisse félsico e granito
biotita foliado revelam que muitos dos grãos contêm núcleos, mantos
intermediários e bordas. A microssonda eletrônica que atravessa os grãos
zoneados mostra variações regulares na composição. As idades de SHRIMP para
titanita do granito biotita foliado são 374 ± 8, 336 ± 8 e 301 ± 12 Ma. A idade
aproximada de 374 Ma sugere o crescimento da titanita durante um evento térmico
seguindo a orogenia Acadiana, ao passo que as idades de crescimento da titanita
do Paleozóico tardio podem ser devido a reações de substituição de fácies de
xisto verde associadas com metamorfismo e deformação Alleghaniana.”
Essas idades coincidem com
os impactos de Tonopah em 377-378 Ma e de Prometeu + eventual cratera americana
há 305 Ma.
1,1 Ga ? Arco
Nastapoka Impacto proposto Magnitude 6 Diâmetro CC: 480 km 56°41’N
80°33’W
LIP/anomalia: ? Região:
Canadá
Talvez coincidente com o
impacto de Keweenawan? O Arco
Nastapoka é uma fração remanescente de cratera localizado na Baía de Hudson.
Sua formação por impacto foi proposta por Beals em 1968. As Ilhas Belcher
aparentam ser um uplift de rochas paleoproterozóicas, mas formações de
estromatólitos podem ter antiguidade de bilhões de anos. Se fosse um caso raro
de impacto duplo de um asteroide e seu
satélite, poderia ter ocorrido juntamente com Keweenawan, Thunderbird 1 ou Thunderbird
2. A análise apenas por imagens de satélite não permite conclusões. Necessita
pesquisa complementar que permita atribuir sua idade.
Criogeniano
723 Ma? Sunda Impacto proposto Magnitude: 15 Diâmetro
CC: 1.300 km Diâmetro AS: 4.400 km
Centro: 9°38’N, 115°0′E LIP: Arquipélago da Indonésia Região: Sudeste Asiático
O impacto de Sunda coincidiria
com o final do período Boring Billion ao causar a rápida fragmentação do
supercontinente de Panotia, talvez por impacto antipodal. O evento desencadeou
intensa atividade vulcânica [pesquisar consequências]. O ponto de impacto de
Sunda, aparentemente no hotspot extinto das ilhas Spratly, teria gerado o Arco
Vulcânico da Indonésia bem como o arquipélago característico da região. A
cratera Sunda é antipodal à Placa de Nazca por uma diferença aproximada de
2.500 km, distância compatível com o desvio esperado para antípodas geológicos
equatoriais (estimativa baseada no estudo de Princeton para o antípoda de
Chicxulub). Pode ter sido o fator desencadeador do vulcanismo intenso que levou
à Glaciação de Sturt. Não confundir com a Placa de Sunda. A placa de Sunda
definida atualmente (não por este estudo) inclui elementos da cratera Andaman.
Há uma sutura tectônica ao fim da península Malaia separando as duas crateras e
a extremidade sul da península juntamente com a costa nordeste da ilha de
Bornéu integram a cratera central (CC) de Sunda com diâmetro de 1.000 km, sendo
o Arco Vulcânico da Indonésia seu anel secundário (AS) com diâmetro de 4.700
km.
723 Ma Afloramento
de Victoria Magnitude: 5 Diâmetro CC: 300 km LIP/anomalia: LIP Franklin Região:
Canadá
O afloramento de Victoria da
orogênese da LIP Franklin há 723 Ma pode ter sido reação antipodal ao impacto
de Sunda e deu origem a diques intrusivos nas ilhas de Ellesmere, Victoria,
Devon e Nunavut, além das ocorrências vulcânicas dos afloramentos basálticos de
Kikiktak, Pleasant Creek e Mount Harper no continente. A ilha Victoria
apresenta uma formação circular que poderia ser interpretada como um afloramento
vulcânico diretamente associado às intrusões de Franklin talvez contemporâneo ao
impacto de Sunda. O vulcanismo extremo causado por este impacto teria dado
início à glaciação do Criogeniano há 723 Ma que resultou em uma capa de gelo
global (Terra Bola de Neve). Uma glaciação anormal requer uma causa
extraordinária como um grande impacto causando grande vulcanismo. Pesquisar
evidências.
Criogeniano ou Transição do Criogeniano-Ediacarano
650 Ma ou 635 Ma? Fiore Magnitude: 10 Diâmetro CC: 1.100 km Diâmetro
AS: 3.000 km Centro: 14°12’S 46°44′W
LIP/anomalia: Serra Geral, Jalapão, minérios metálicos de Brasil e África Região: Brasil
Nome é homenagem ao geólogo Ottaviano de Fiore, coordenador da publicação
História dos Três Reinos da Natureza, inspiração fundamental para esta
pesquisa. O impacto de Fiore na região central do Brasil pode ter dado início à
glaciação no de Marino no período Criogeniano ao desencadear vulcanismo intenso
(formação do Planalto Central e derrame da Serra Geral e Jalapão, um típico
derrame passível de associação com impacto). A cratera formou uma anomalia
circular de rochas plutônicas com diâmetro de 1.000 km que se estende pelos
estados de Goiás, Tocantins, Bahia e Minas Gerais. Grandes minas de ferro e
outros metais importantes se localizam em círculos concêntricos no Brasil e na
África a um raio de 2.000 km. A grande Anomalia Magnética de Bangui, na África,
está diretamente associada a esta cratera como evidenciado pela análise de
paleomapas. A hipótese de origem extraterrestre para esta anomalia foi proposta
por Green em 1976 e Girdler em 1992. A presença de “carbonados” (agregados de
diamantes microcristalinos formados por impacto) é um Indício da origem e já
havia sido proposta a existência de um grande impacto ainda por ser descoberto
na Bahia para explicar os granulitos, charnockitos, cinturões de rochas verdes
e basaltos metamorfoseados encontrados em Bangui (Patrick T. Taylor). O hotspot
originado por este impacto ainda continuava suficientemente ativo após centenas
de milhões de anos e formou a cadeia vulcânica de Camarões (vulcão ativo de
Santa Helena) durante a fragmentação do continente de Gondwana. Diâmetro do AS
avaliado com base na distribuição em arco concêntrico evidenciado pelas minas
de ferro de Simandou, Mayoko, Malanje, Bié, Huambo e Huíla na África.
Extinção/Transição do
Ediacarano-Cambriano? Nível de extinção: 60% a 99%?
545 Ma? MAPCIS Massive Australian Pre-Cambrian
Cambrian Impact Structure Nível 7 Impacto confirmado
Diâmetro CC: 600 km Diâmetro
AS: 2.000 km Centro: 25°33′S 131°23′E Região: Austrália
A estrutura de impacto
MAPCIS foi proposta por pesquisadores australianos, apresenta diâmetro de 600
km ou 2.000 km e está claramente visível recobrindo parte significativa do
continente. Não é uma cratera, mas um uplift, algo que seria esperado de um
impacto antipodal. Segundo os autores, este impacto direto apresenta evidências
de impactitos e anomalia de irídio.
MAPCIS teria sido a causa da
primeira extinção de seres vivos complexos, causando o desaparecimento quase
completo das formas de vida ediacaranas e abrindo novos nichos a serem
explorados pelos sobreviventes, resultando posteriormente na Explosão Cambriana
(541 Ma). O próprio nível de extinção não está definido, pode se tratar de um
evento somente biológico, mas a transformação radical das formas de vida
ediacaranas parece apontar para um evento de impacto, pois ocorreu em uma
escala que não se repetiu na história do planeta.
“A hipótese de pulso de
turnover foi proposta por Vrba (1985a, p. 232) nos seguintes termos: A
especiação não ocorre a menos que forçada (iniciada) por mudanças no ambiente
físico. Da mesma forma, forçar pelo ambiente físico é necessário para produzir
extinções e a maioria dos eventos de migração. Assim, a maior parte do turnover
de linhagem na história da vida ocorreu em pulsos, quase (geologicamente)
síncronos em diversas filogenias e em sincronia com mudanças no ambiente
físico.”
Um evento de impacto com
magnitude 7 não poderia explicar esta extinção. Uma cratera com 600 km é
insuficiente para uma extinção em massa, seu tamanho é comparável ao impacto de
Shoemaker-Levy do período Toarciano, evento que resultou na extinção de apenas
10% da vida marinha. Uma estrutura de impacto com cratera central de 2.000 km
seria compatível com tamanho nível de extinção, caso motivada por fatores não
biológicos e se realmente ocorrida; entretanto, faltam evidências para um
impacto dessa magnitude como o arco vulcânico e derrame basáltico esperados
para tal ocorrência — isso leva a crer que MAPCIS apresente diâmetro CC de 600
e diâmetro AS de 2.000 km. Há que se considerar que MAPCIS impactou um cráton
sólido sem causar vulcanismo significativo. Há que se considerar que o impacto MAPCIS
ocorreu em solo continental firme, enquanto o impacto de Shoemaker-Levy ocorreu
no Atlântico Sul, talvez no ponto correspondente à fratura tríplice entre
América do Sul, África e Antártida. Este evento pode estar relacionado à
Glaciação de Baikonur, apesar da falta de indícios de vulcanismo intenso que
podem ser melhor atribuídos ao impacto proposto de Pasárgada.
Extinção/Transição do
Ediacarano-Cambriano? Nível de extinção: 60% a 99%?
545 Ma? Pasárgada Magnitude: 15 Diâmetro CC: 1.600 km Diâmetro AS: 5.000 km Centro:
31°55′N 61°35′E
LIP/anomalia: Microcontinente da Ciméria Região: Irã e Afeganistão
Pasárgada seria uma cratera
extremamente deformada, o que denuncia sua antiguidade. Estaria associada ao
grande arco vulcânico de Paleotétis. O derrame/uplift da cratera central seria
atualmente o maciço montanhoso do Irã. Seu anel externo no trecho sul teria
constituído o microcontinente da Ciméria. A teoria de impacto fornece uma
solução para o enigma do surgimento dessa faixa estreita de terrenos.
Aparentemente o local do impacto aconteceu mais ao sul, tendo o conjunto das
placas derivado para o norte. O arco vulcânico gerado por Pasárgada coincide
geograficamente e em diâmetro com a anomalia circular inicialmente atribuída à
reação antipodal ao impacto de Rohe. Há que se considerar que o impacto de Rohe
seria insuficiente para causar o tamanho dessa anomalia, estranhamente
coincidente com o diâmetro e local do impacto estimados para Pasárgada, o que
levanta a hipótese de o evento cretáceo apenas ter reativado uma região do
manto que ainda estava abalada pelo impacto ocorrido 480 milhões de anos antes
da extinção cretácea. O diâmetro da cratera central foi estimado com base no
uplift da plataforma continental ao sul do Irã. O diâmetro do anel secundário
foi estimado com base no trecho de arco localizado no Cazaquistão Oriental,
concêntrico, melhor visualizado nas coordenadas 49° N, 80° E. Essa seção
apresenta comprimento de apenas 750 km, mas a dimensão é compatível com uma
cratera central de 1.600 km, haja vista os casos da cratera Wegener com
diâmetro de 1.500 km e anel secundário com 4.600 km, e da cratera Sunda com
diâmetro de 1.300 km e anel secundário com 4.400 km. A magnitude do impacto
também seria compatível com o nível da extinção do Ediacarano-Cambriano, se
realmente ocorrida, mesmo sem ajuda de MAPCIS.
? Sinian Em estudo Diâmetro CC: 500 km LIP/anomalia: Bacia Sinian
Requer pesquisa. Evento pode
ser anterior à extinção EC.
Cambriano (Botomiano)
513 Ma ? Mamaragan Em estudo 1.200
km Kalkarindji 41% Austrália
Derrame de basalto na região
norte da Austrália. Até o momento não foi encontrada evidência de cratera
associada a este evento vulcânico.
Cambriano ou Ordoviciano?
510 Ma ou 485 Ma? Williston Impacto proposto Magnitude: 10 Diâmetro CC: 1.200 km
LIP/anomalia: Cordilheira da costa leste americana Região: Canadá e EUA
A bacia Williston é
concêntrica com a inexplicada cordilheira dos Apalaches formada na costa leste
americana atribuída à abertura do mar de Iapetus. Essa cordilheira poderia ser
mais bem explicada como o anel secundário da cratera Williston. Diversos
eventos se somaram na orogênese dessa cordilheira e eles podem ser atribuídos
aos impactos posteriores sobre a placa Norteamericana. Aquele continente possui
uma história de impactos extremamente rica como será mostrado ao longo deste
estudo. Apresenta depósitos cambrianos, portanto pode estar relacionada às
quatro grandes extinções associadas àquele período (Ediacarano-Cambriano,
Cambriano Médio, Final do Cambriano e extinção do Cambriano-Ordoviciano).
Considerando seu tamanho avaliado inicialmente, é particularmente compatível
com o evento da extinção do Cambriano-Ordoviciano há 485 Ma. Novos estudos
poderão relacionar melhor os eventos.
Ordoviciano Médio Nível de extinção: 15%
467 Ma Evento
meteorítico Impactos confirmados Magnitude: 1 LIP/anomalia:
Meteoritos Região: Canadá e EUA
467 Ma ? Akimiski (ilha/uplift) Impacto proposto Magnitude: 4 Diâmetro
CC: 200 km 53°N 80°W Região: Canadá
467 Ma ? Akpatok
(ilha/uplift) Impacto proposto Magnitude: 4 Diâmetro CC: 230 km 59°44’N
67°27’W Região: Canadá
Durante o Ordoviciano há
467,5 ± 0,28 Ma caíram meteoritos condríticos em quantidade 100 vezes maior que
a média atual e ficaram incrustados nas camadas rochosas como fósseis. Quatro
impactos localizados na América parecem alinhados (meteoritos e/ou astroblemas
de Slate Island, Rock Elm, Decorah e Ames) enquanto dois outros impactos na
Europa (cratera Granby e Estrutura Hummeln) estão muito próximos. O estudo de
um possível alinhamento entre as ocorrências na América aponta para duas
anomalias geológicas de tamanho significativo passíveis de serem interpretadas
como crateras de impacto: Baía de James localizada contígua à Baía de Hudson, e
Baía de Ungava no litoral norte do Canadá. Estas duas anomalias estão
perfeitamente alinhadas com os impactos menores e apresentam características
típicas de cratera de impacto: forma circular e uplift central. Do norte para o
sul encontramos as propostas crateras Akimiski e Akpatok com as respectivas
ilhas/uplifts usadas para nomear as anomalias. A Ilha Akimiski pertence à
Formação Attawapiskat que contém somente fósseis silurianos. Não foram
encontrados registros geológicos anteriores ao Ordoviciano para a Ilha Akpatok.
Transição do
Ordoviciano-Siluriano Nível de
extinção: 13%
457 Ma Thunderbird
1 Impacto proposto Magnitude: 8 CC: 700
km Diâmetro AS: 1.700 km 44°20’N
84°56’W
LIP/anomalia: Grupo Vulcânico Deicke e Millbrig Região: EUA e Canadá
Pássaro-trovão da mitologia
dos nativos norteamericanos. Crateras encontradas na região foram numeradas
subsequentemente com o mesmo nome. Há 457,1 ± 1,0 Ma ocorreu um evento atípico,
a suposta erupção de um supervulcão que estendeu o depósito de cinzas do Grupo
Vulcânico Deicke e Millbrig por aproximadamente um terço da área continental
dos EUA. Mas o evento é considerado um mistério porque não existem vestígios
desse vulcão que estaria situado longe das bordas da placa tectônica americana.
A área do depósito aponta para a região dos atuais Grandes Lagos, e a geologia
da Península de Michigan apresenta formação circular atribuível a uma cratera
de impacto com diâmetro aproximado de 700 km. A magnitude deste impacto é
insuficiente para causar uma grande extinção. O diâmetro do anel secundário
(duvidoso) foi estimado grosseiramente com base na anomalia em forma de trecho
de arco concêntrico melhor visualizada nas coordenadas 44° 30’ N, 73° 18’ W.
453 Ma Thunderbird
2 Impacto proposto Magnitude: 10 CC
interna: 950 km CC borda: 2.000 km 59°50’N 85°46’W
AS1: 4.000 km AS2:
10.000 km LIP/anomalia:
Orogênese de Avalonia, Grupo Vulcânico Borrowdale Região: Canadá
Um impacto sobre escudo
maciço capaz de criar uma cratera deste porte pode ter sido muito mais energético
do que a média (o mesmo pode ter acontecido em Tarim). Thunderbird 2 seria uma
cratera complexa com dois anéis secundários. A parte mais visível é o centro da
cratera com diâmetro aproximado de 950 km representado pela Baía de Hudson. A
borda da cratera central é constituída pelo afloramento de basalto concêntrico
que circunda a baía e integrou as placas antigas do Escudo Canadense ao seu
redor dentro do diâmetro de 2.000 km. O impacto sobre o escudo maciço causou
diques de basalto locais e em círculos concêntricos com diâmetros escalonados
que resultaram na orogênese de Avalonia. O primeiro anel secundário resultou na
orogênese de Avalonia na placa americana (Schuylerville, etc.) enquanto o
segundo anel secundário criou a fratura circular da crosta que deu início à
orogênese de Avalonia na placa europeia. Os derrames de lava dos anéis
secundários ocorreram de maneira progressiva justamente nas áreas de maior
riqueza de vida litorânea do período. Este impacto oferece uma explicação
lógica para o desencadeamento das erupções que destruíram progressivamente o
habitat dos mares rasos existentes. O gráfico das condições ecológicas dos
períodos Ordoviciano e Siluriano Evidencia este impacto exatamente no ponto de
origem das grandes províncias ígneas surgidas imediatamente antes da extinção.
Os paleomapas mostram a perfeita concentricidade das orogêneses na América e
futura Europa em relação a esta cratera. Diâmetro do AS avaliado com base em
anomalia circular concêntrica melhor visualizada nas coordenadas 50° N 73° W. O
vale do rio São Lourenço aparenta ser falha geológica em forma de arco a
exemplos dos possivelmente formados pelas crateras Sakha (rio Yenisei) e
Alvarez (rio Amazonas).
444 Ma Extinção do Ordoviciano-Siluriano Nível de extinção: 30%
Caracterizada por anóxia e
glaciação. A grande extinção do Ordoviciano-Siluriano é atribuída a uma série
de eventos vulcânicos de grande intensidade seguida por uma glaciação. O
impacto de Thunderbird 2 teria causado as orogêneses da Cordilheira Oriental da
Groenlândia, Península Escandinava, Polônia, Alemanha e Ilhas Britânicas, bem
como da costa leste da futura América do Norte. Essa região é chamada pelos
geólogos de microcontinente de Avalonia. No trecho americano de Avalonia, na
então Laurentia, encontramos os basaltos de Schuylerville e a península de
Avalon na Terra Nova, que deu nome à formação geológica. No lado europeu
encontramos o Grupo Vulcânico Borrowdale, e a província vulcânica de Lake
District nas Ilhas Britânicas. Na interpretação atual dos geólogos, eles teriam
se formado como restos de um arco vulcânico de ±450 Ma — na verdade, trata-se
do anel secundário de uma cratera complexa. A hipótese vigente de um
microcontinente propõe uma explicação complexa para a formação de duas regiões
similares em margens opostas do mar de Iapetus, bem como seu formato peculiar
que é típico de um anel secundário de uma cratera de impacto, uma explicação
mais simples e lógica para o surgimento repentino de LIPs ao redor do ponto
central do impacto de Thunderbird 2. O vulcanismo continuado de TB2, talvez
somado às consequências em longo prazo de TB1, resultou na grande Glaciação
Andeana-Sahareana que caracteriza esta extinção.
Extinções do Final do
Devoniano 1
377 Ma Evento(s)
Kellwasser Nível
de extinção: 23/*%
Sakha Impacto proposto Magnitude: 10 Diâmetro CC: 1.050 km Diâmetro
AS: 3.600 km 63°N 124°E
LIP/anomalia: Viluy Região:
Rússia
O impacto
da cratera Sakha teria ocorrido na latitude aproximada de 70° norte há 376,7 ±
3,4 Ma, data mais antiga das erupções de Viluy. Atualmente essa cratera está
localizada na região de Sakha na Sibéria Oriental, Rússia, no extremo nordeste
do continente asiático. O primeiro anel secundário da cratera Sakha está
claramente visível com diâmetro de ± 1.050 km, dos quais 3/4 estão bem
preservados com exceção da fração situada a nordeste, deformada pela
cordilheira Verkhoyansk. O segundo anel secundário é representado pela anomalia
circular concêntrica claramente visível com diâmetro de 3.600 km na região de
Krasnoyarsk que constitui o vale do rio Yenisei. O derrame basáltico central de
formato indefinido constitui a LIP Viluy, cujas erupções vulcânicas foram
datadas com boa precisão. Essa província ígnea se encontra exatamente no centro
da anomalia geológica circular. Na época do impacto, a placa da Sibéria se
encontrava isolada dos demais continentes em uma região que atualmente
corresponde à região do Atlântico Norte. Entre as sequelas notáveis desse
impacto, além do derrame vulcânico e da cratera em si mesmos, a perturbação do
manto terrestre gerou a anomalia gravitacional e a pluma mantélica que hoje se
encontra sob a Groenlândia, e possivelmente originou o microcontinente Jan
Mayen. Esse fenômeno pode ter tido influência na dinâmica do impacto eocênico
de Muspell, abordado em tópico específico. A reativação do vulcanismo em Sakha
por volta de 364,4 ± 3,4 Ma ou 363,2 ± 2,0 Ma atrás (evento Hangenberg) pode
ter sido causada pelo impacto de Mogollon devido a sua posição quase antipodal.
377-378 Ma Tonopah Magnitude: ? Impacto coincidente na região Diâmetro
CC: 1.300 km ? Diâmetro AS:
4.600 km
40°N, 116°W LIP/anomalia:
Planalto de Tonopah Região: Nevada /
EUA
O planalto de Tonopah é uma
anomalia geológica associada ao evento do Impacto do Bólido de Alamo em Pahranagat
Valley, ocorrido há 377-378 Ma, para o qual não foi encontrada cratera. A
orogênese de Antler causando o uplift de Tonopah ocorreu no período Devoniano.
Nossa teoria é de que toda a anomalia geológica do planalto de Tonopah
constitui o derrame de uma cratera. Possível causa da Orogênese
Gorda-Califórnia-Nevada. Sua aparência remete a outras duas anomalias
associadas a áreas de impacto, a Escarpa Sigsbee do impacto de Alvarez, e a
Formação Coahuila do impacto de Tlaloc. A ausência de uma anomalia
gravitacional correspondente a Tonopah talvez se explique por ser constituída
de carbonato, uma rocha leve. A Escarpa Sigsbee também não apresenta um
registro gravimétrico notável. Um asteroide condrítico não teria deixado
evidências esperadas de um impacto de asteroide metálico como Chicxulub ou
Falklands. Há uma anomalia de formato oval centrada aproximadamente no uplift
da proposta cratera de Tonopah que poderia constituir seu anel externo,
deformado pela orogênese da Cordilheira do Pacífico; entretanto, os indícios
parecem muito recentes para um impacto devoniano. Requer mais pesquisa. AS
estimado com base na falha geológica da calha do rio Mississipi e falha
tectônica de New Madrid, Missouri. Calhas de rios podem se formar em bordas de
crateras, como em Sakha (rio Yenisei), Alvarez (rio Amazonas) Thunderbird 2
(rio São Lourenço).
Siljan Ring Impacto
confirmado Magnitude: 3 Diâmetro CC: 52 km Região: Suécia
Kaluga Impacto
confirmado Magnitude: 2 Diâmetro CC: 15 km Região: Rússia
Possível caso de impactos
múltiplos: as crateras confirmadas de Siljan Ring e Kaluga têm datação
coincidente e possivelmente fazem parte de uma rajada conforme os paleomapas.
Também há breccias a algumas centenas de quilômetros destes dois impactos na
região de Kloptsy, o que pode indicar potencialmente a existência de outra
cratera maior do que as duas reconhecidas até o momento.
Extinções do Final do Devoniano
2 Nível de extinção: 21/*%
359 Ma Evento Hangenberg Mogollon Impacto
proposto Magnitude: 5 Diâmetro CC1: 320 km CC2: 750 km
A cratera Mogollon é uma
estrutura circular visível na região de Navajo Country. Seus depósitos
sedimentares são carboníferos e permianos.
Somente
não foi reconhecida como cratera porque os geólogos consideram Chicxulub um
enorme impacto. Pode ter causado a reativação do vulcanismo em Sakha devido a
sua posição quase antipodal.
359 Ma ? Wilkes Land Impacto confirmado Magnitude:
6 Diâmetro CC: 550 km Região: Antártida
Um evento de impacto que
talvez possa ser associado a esta extinção é a de Wilkes Land na Antártida. Sua
idade ainda não foi estabelecida e foi tentativamente atribuída à extinção P-T
por ser até então a única de tamanho maior do que Chicxulub.
No entanto, o impacto de
Wilkes Land sozinho parece insuficiente para causar o nível de extinção que
marca o final do período Devoniano e a interrupção do registro fóssil por 30
milhões de anos, identificada por Romer. O vulcanismo intenso desencadeado por
este e eventualmente outros impactos associados pode ter contribuído para a
Glaciação Karoo. Mais pesquisas são necessárias.
Periodicidade e trajetórias
comuns
O(s) evento(s) Kellwasser
pode(m) ser um caso de impactos múltiplos: as crateras confirmadas de Siljan
Ring e Kaluga têm datação coincidente e possivelmente fazem parte de uma rajada
conforme os paleomapas. O alinhamento das crateras Sakha e Tonopah apresenta a
mesma direção observada para os impactos de TB3 e TB4. Essa é a mesma direção
do impacto de TB1 evidenciada pela distribuição do campo de cinzas vulcânicas.
A mesma direção aparece nos impactos aparentemente múltiplos do Evento
Meteorítico Ordoviciano e da extinção do Eoceno-Oligoceno. Também coincide com
a trajetória apontada para o impactador de Chicxulub. Essa similaridade talvez
indique uma órbita comum para esses asteroides, eventualmente todos poderiam
ter origem em um grande corpo orbitando nosso Sol. Nesse caso a periodicidade
de aproximadamente 26 milhões de anos para eventos de impacto, apontada por
Sepkoski, indicaria uma coincidência da posição da Terra com o caudal principal
de fragmentos. Mesmo que essa trajetória intercepte a órbita de nosso planeta
com maior frequência, o núcleo do caudal com maior concentração de fragmentos
somente apresentaria chance de impactar nosso planeta em um número mínimo
múltiplo comum de órbitas. O grande intervalo de tempo entre os eventos levanta
a hipótese de que esse objeto desagregado seria originário de outro sistema
solar próximo ao nosso e teria se desgarrado em tempos geológicos relativamente
recentes. A distribuição anormal de eventos de impacto nas proximidades dos
polos terrestres, notadamente o polo Sul, apresenta semelhança com as órbitas
dos objetos anômalos do grupo Centauros, com plano orbital praticamente
perpendicular ao do nosso sistema. Os Centauros apresentam características
tanto de asteroides de grande tamanho quanto de cometas, gerando dúvidas dos
pelos astrônomos sobre sua classificação. Objetos provenientes de fora de nosso
sistema solar como os casos recentes dos cometas 1/’Oumuamua e 2/Borisov também
apresentam trajetória em ângulo discordante do nosso plano orbital.
Extinções do Carbonífero Inferior
340 Ma Bohemia Impacto confirmado Magnitude:
5 Nível de extinção: 17/*% Diâmetro CC: 260 km
Região: República Checa
Galileu Galilei descreveu
esta cratera em há 400 anos no seu livro Siderus Nuncius, onde comparou as
crateras da Lua com a anomalia circular encravada na Europa. Suevite e
moldavite são minerais formados por impacto encontrados na região. Há
controvérsia sobre a idade da cratera com alguns pesquisadores propondo sua
origem há 2 bilhões de anos, provavelmente influenciados pela tese de que
grandes crateras não podem ter ocorrido depois do Bombardeio Intenso Tardio. No
entanto, a cratera é visivelmente recente (poucas centenas de milhões de anos).
330 Ma ? Thunderbird 3 Impacto proposto Magnitude: 5 Diâmetro
CC: 300 km 47°N 63°W Região:
Canadá
Thunderbird 4 Impacto proposto Magnitude: 5 Diâmetro
CC: 230 km 42°40’N 69°20’W Região: EUA
LIP/anomalia:
Montes Atlas? (África) Nível de
extinção: 22/*%
O(s) impacto há 330 Ma teria(m)
sido causador(es) de um nível de extinção da vida marinha pouco menor que a do
Evento Hangenberg. Há evidências de uma possível rajada ainda não amparada por
evidências geológicas. A anomalia geológica apontada como a cratera Thunderbird
3 corresponde à reentrância semicircular ao sul da Baía de São Lourenço
delimitada pelo Estreito de Northumberland, que juntamente com a Ilha Príncipe
Eduardo apresenta circularidade notável. Esta ilha apresenta características de
uplift central similar às crateras propostas Akimiski e Akpatok. As rochas mais
antigas de TB3 são carboníferas, indício usado para esta estimativa da datação.
A datação destas duas possíveis crateras é incerta. Devido ao pequeno diâmetro,
estes impactos não precisariam necessariamente estar associados a um evento de
extinção significativo. A suspeita de impacto para Thunderbird 4 decorre não só
do formato grosseiramente semicircular da Baía de Boston, mas principalmente
pelo seu aparente alinhamento com TB3 em uma trajetória nordeste-sudoeste comum
a outros eventos, a qual parece indicar uma órbita preferencial para estes
impactadores.
320 Ma ? Thunderbird 5 Impacto proposto Magnitude: 7 Diâmetro
CC: 700 km ?
As evidências para
Thunderbird 5 são as cidades com leito rochoso datado dessa época no sul dos
EUA: Texarkana, Mexia, Brownwood, Graham e Little Rock num diâmetro aproximado de
700 km. Faltam dados.
Extinções do Carbonífero
Médio
305 Ma Prometeu
Impacto proposto Magnitude: 8 Nível de extinção: 20%
Diâmetro CC: 900 km Diâmetro
AS: 3.000 km 38°34’N,
25°15’E Região: Grécia e
Turquia
Titã da mitologia grega que
criou a humanidade e lhes entregou o fogo e o conhecimento. Prometeu é
claramente uma cratera central com seu relevo de hotspot extinto característico
similar ao de Fiore, Jötunheimr e Sunda. Como visto em outros impactos, anéis
secundários tendem a formar faixas de terreno estreitas que podem se manifestar
como penínsulas, como nos casos de Pasárgada (Ciméria), Wegener (Zelândia) e Keweenawan (Baja California). Corresponde ao
colapso das florestas tropicais do Carbonífero. A datação de 300 Ma é
compatível com o registro de eventos magmáticos intrusivos datados de 298 ± 7
Ma. As rochas mais antigas somente agora encontradas na Grécia (raras) têm
datação coincidente com a erupção da LIP Franklin, ocorrida talvez no
Neoproterozóico (o impacto de Sunda há 800 Ma aparenta ter sido antipodal à LIP
Franklin e não a Prometeu, portanto será necessário analisar um paleomapa capaz
de permitir a visualização dos antípodas naquela época para esclarecer esta
coincidência). A cratera central de Prometeu, pelo seu tamanho, deveria ter
gerado um anel secundário do tamanho da Europa, mas o nível de extinção não
corresponde ao esperado para um evento desta magnitude. Este fato precisa ser
estudado, as extinções do Carbonífero são difíceis de explicar. O proposto isolamento
insular da fauna e flora talvez pudesse ser explicado por um impacto antipodal
causando a fratura do supercontinente, e as evidências físicas deste impacto
teriam sido subduzidas junto com a Placa do Pacífico que apresenta idade máxima
próxima a 300 milhões de anos. Entretanto, tal impacto acarretaria vulcanismo
intenso no hemisfério habitável, e não há evidências. Diâmetro da CC avaliado
com base na plataforma continental e diâmetro de AS avaliado com base em
anomalia de trecho de arco melhor visualizada nas coordenadas 50° N, 30° E.
291 Ma ± 4 Ma Tarim Impacto proposto Magnitude: 8 Nível
de extinção: 28/*% CC: 800 km 34°30’N, 86°E
Diâmetro AS: Incerto CC
deformada: 950 x 450 km 39°N 83°E LIP/anomalia: Bacia Tarim, terras
raras aluviais na Ásia
Região: China (Tibete)
Um impacto sobre escudo
maciço capaz de criar uma cratera deste porte pode ter sido muito mais
energético do que a média (o mesmo pode ter acontecido em Thunderbird 2. A
província ígnea de Tarim é um derrame de basalto picrítico repentino com área
de 300.000 km2, rico em nióbio e tântalo, datado 291 ± 4 Ma (Carbonífero) e 272
± 2 Ma (reativação no Capitaniano). O impacto de Tarim é evidenciado não apenas
pela anomalia geológica elipsoidal visível na Ásia, mas principalmente pelo
círculo de lagos cársticos do Planalto do Tibete que indica o local do impacto.
A borda da cratera posteriormente foi deslocada e deformada em consequência da
orogênese do Himalaia. O impacto de Tarim pode explicar a anomalia da
distribuição de terras raras no planeta com 95% das ocorrências naquela região.
Conforme pesquisado, os depósitos sedimentares na Bacia Tarim são todos
triássicos. A datação é imprecisa, mas atribuo ao final do Capitaniano devido à
magnitude da extinção e ao fato de que a ocorrência aluvial de terras raras não
é compatível com depósitos arqueanos. A explicação tradicional para a anomalia
geológica de Tarim afirma que se trata de um microcontinente agregado à Placa
Asiática com base em rochas arqueanas existentes abaixo dos depósitos
sedimentares triássicos. Esta hipótese de impacto propõe que as rochas
arqueanas encontradas são parte do substrato maciço do local do impacto; se
tivesse ocorrido em região de mar raso ou placa de pequena espessura, teria
havido um derrame de basalto significativo. Além disso, a teoria de
microcontinente agregado não explica a formação perfeitamente circular dos
lagos cársticos cujo perímetro corresponde exatamente à extensão da borda da
bacia oval de Tarim. Lagos cársticos são associados a impactos; o exemplo mais
conhecido é Chicxulub com seu arco de cenotes na península do Yucatán
demarcando a borda da cratera. Encontramos outro exemplo de lagos cársticos
formados por impacto ao redor da cratera Wilkes Land. O arco se formou na atual
Planície de Nullarbor no sul da Austrália quando o continente australiano e a
Antártida ainda integravam Gondwana.
Extinção do Capitaniano Nível de extinção: 36/*%
265 Ma Andaman Impacto proposto Magnitude: 11 CC (impacto): 500 km Diâmetro
AS: 1.300 km
Paleo: 7°06’N, 98°40’E LIP/anomalia:
Emeishan Região: Sudeste
Asiático
Reconhecida recentemente como
uma grande extinção, o evento de vulcanismo associado da LIP de Emeishan na
Malásia é pequeno em comparação com erupções maiores que não causaram o mesmo
nível de extinção. Nossa proposta é de que a LIP Emeishan é o derrame causado
pela cratera Andaman que recobriria a península do Sudeste Asiático. O local de
impacto corresponde ao centro da Península Malaia e os remanescentes do anel
externo no local original da cratera são evidenciados pelo arco das Ilhas
Andaman, discordante do arco do impacto anterior de Sunda. O trecho ocidental
do arco correspondente ao diâmetro de 1.300 km da cratera está visível não
apenas na anomalia geológica das Ilhas Andaman, como no trecho da cordilheira
Indobirmanesa no litoral do Golfo de Bengala. Evidências do arco no lado
oriental estão deformadas, mas são nítidas na forma da cordilheira que percorre
Laos e Vietnã. Há uma cordilheira vulcânica entre o local do impacto e o ponto
de repouso da cratera, conforme estabelecido pela teoria de impacto desta
pesquisa. Há evidências de formação durante o Triássico e a ocorrência de uma
área central de geologia complexa contendo xistos e turbiditos. Xistos se
formam sob grande pressão e temperatura, turbiditos são atribuídos a desmoronamentos
submarinos. Pela ótica da teoria de impacto, ambos podem ser atribuídos a uma
única causa. E turbiditos nada mais seriam do que breccias originadas por
impacto.
Extinção do Final do
Permiano
255 Ma ? ???? Apenas Bedout é
insuficiente para o nível de extinção atingido.
255 Ma ? Bedout Magnitude:
5 Impacto confirmado 250 km LIP/anomalia:
Minas de ferro da Austrália Ocidental Região:
Austrália
A cratera Bedout foi datada
com 250,1 ± 4,5 Ma. No entanto, essa data precisa ser analisada cuidadosamente
porque é grande o viés de se tentar associá-la à extinção permiana. A ideia
geral de que um impacto desse porte seria suficiente para causar aquela extinção
se baseia na falta de conhecimento de impactos maiores do que Chicxulub, ao
qual se atribui um efeito muito maior do que o real em uma tentativa de
conciliar aquele impacto com a magnitude da extinção cretácea.
Grande Extinção do
Permiano-Triássico Nível de
extinção: 52/96%
252 Ma Wegener
Magnitude: 14 Diâmetro CC: 1.500 km Diâmetro AS: 5.000 km
Hotspot (CC0): 80°S 125°W CC1: 17°32’N 140°37’E CC2:
15°50’S 172°50’E
LIP/anomalias: CC0:
Terra de Marie Byrd (local do impacto) CC1:
Placa do Mar das Filipinas CC2: Placa das Novas Hébridas
Derrame
de basalto da Sibéria (antipodal)
Homenagem ao pesquisador
Alfred Wegener e cuja pesquisa revolucionou a Geologia e foi fundamental para
este estudo e o entendimento de nosso planeta. A extinção P-T foi a maior já
registrada (a menos que a Transição do Ediacarano-Cambriano seja confirmada com
a mesma origem) e sua causa foi o maior evento de impacto ocorrido após o
início da vida complexa. A cratera central apresenta diâmetro de 1.500 km e
causou um derrame significativo na região do impacto, que se somou ao derrame
antipodal na Sibéria. O impacto ocorreu na atual região da Terra de Marie Byrd,
Antártida Oriental. A região do impacto se caracteriza pelo vulcanismo intenso,
sendo até hoje a maior província ígnea ativa do planeta. A cratera se
fragmentou em duas metades, uma delas seguiu rumo norte e nordeste com a Placa
do Pacífico e atualmente forma a Placa Tectônica do Mar das Filipinas. A
cordilheira vulcânica submarina permite acompanhar sua trajetória. O impacto
perturbou o manto em boa parte do hemisfério sul trazendo magma rico em ferro
para mais próximo da superfície, o que originou a Anomalia Magnética do
Atlântico Sul concentrada ao redor do impacto e que se estende ao longo do Oceano
Pacífico de acordo com a trajetória da cordilheira vulcânica associada ao
evento. A outra metade da cratera permaneceu por mais tempo na região polar e
teve tempo suficiente para ser colonizada pela fauna e flora então existentes
no continente antártico. Posteriormente essa fração se destacou, seguiu rumo ao
norte e hoje constitui a Placa Tectônica das Novas Hébridas e está levemente
deformada devido à colisão com a Placa Australiana. As ilhas da Nova Zelândia
bem como o subcontinente submerso da Zelândia fazem parte do anel externo dessa
metade da cratera. O arquipélago das Filipinas, a ilha de Taiwan e metade do
arquipélago do Japão integram o anel externo da cratera com diâmetro de 4.600
km. O anel secundário de 4.600 km foi calculado com base no arco formado pelos
arquipélagos mencionados enquanto o diâmetro de 5.000 km toma por base o
contorno do continente antártico centrado em 87°30’S 140°E. Essa linha é a
fratura de Gondwana entre Antártida e Austrália. O evento vulcânico indosiniano
nas Filipinas apresenta datação exata correspondente à extinção: 251,0 ± 2,6
Ma. O anel secundário está visível na região polar na forma da Cordilheira
Transantártica, de formato circular e tamanho coincidente com o mencionado
acima localizado na Ásia. Devido à deriva da placa Antártica, a cordilheira
avançou sobre o derrame da cratera central e ambos deixaram de ser
concêntricos. Este processo de subducção pode ser o responsável pelo
aquecimento enigmático verificado no continente. A formação por impacto como
parte do anel secundário permite explicar a origem da fauna e flora exóticas
das ilhas da Nova Zelândia — são descendentes da vida desaparecida no
continente antártico. Esse grupo de ilhas nunca integrou a Placa Australiana.
Os esfenodontes (tuataras) se originaram no Triássico e se extinguiram no
Cretáceo, somente sobreviveram na NZ por falta de concorrência de outros
animais mais modernos, o que seria impossível se as ilhas algum dia tivessem
feito parte do continente australiano. A formação da Placa da Zelândia contígua
ao continente antártico permite explicar de maneira lógica a Glaciação
Antártica ocorrida a partir do Oligoceno há 34 Ma. O assunto é analisado com
maior detalhe no tópico específico.
Evento Pluvial do Carniano 230 Ma ? Nível de extinção: 12/*%
Hipótese de impacto direto: Wrangellia Impacto:
Litoral da América do Norte Magnitude: ? Diâmetro CC: 1.300 km
LIP/anomalia: Wrangellia Região: Canadá e
Alasca (EUA)
Wrangellia seria um caso de
cratera especial devido à dificuldade de ser reconhecida por causa do grande
volume de basalto expelido, somado à deformação imposta pela deriva da placa
Norteamericana para oeste causando a orogênese da Cordilheira do Pacífico. Uma
anomalia circular aparece em paleomapas aproximadamente no período da orogênese
de Wrangellia. A ela é atribuída a causa do Evento Pluvial Carniano, um período
de chuvas intensas que se arrastou por milhões de anos. A erupção continuada de
Wrangellia em uma bacia de mar raso teria causado a liberação de um enorme
volume de vapor na atmosfera, dando origem ao evento. Veja pontos semelhantes
no impacto de Alvarez.
Hipótese de impacto antipodal: Crocodilo Impacto: Oceano Pacífico Magnitude: 8 Diâmetro CC:
450 km
Diâmetro AS: 1.000 km (deformado) 5°30’S 129°E LIP/anomalia: Wrangellia (antipodal) Região: Mar de Banda
No mito da criação
timorense, o relevo escarpado de Timor teria surgido das costas de um crocodilo
primordial que se transformou na ilha. A proposta cratera Crocodilo corresponde
à anomalia geológica do Mar de Banda, de geologia triássica e interpretada como
uma cratera deformada pela deriva da Placa Australiana. Este impacto teria
causado a elevação de uma pluma antipodal resultando na orogênese de
Wrangellia. O tamanho da cratera Crocodilo está próximo do limite inferior para
causar uma ruptura antipodal da crosta conforme teorizado por Marinova, mas a
coincidência da pluma antipodal com a fronteira ocidental da placa de Laurentia
teria potencializado o derrame de basalto. Impactos próximos ou antipodais a
fraturas continentais se caracterizam pelo volume desproporcional de basalto
expelido, como visto nos impactos de Paraná-Etendeka, Muspell e Thunderbird 6.
Extinção do
Triássico-Jurássico Nível
de extinção: 29/*%
201 Ma Alvarez Impacto proposto Magnitude:
10 Diâmetro CC: 1.200 km Diâmetro
AS: 4.000 km
Impacto (hotspot): 16°N 23°W CC1: 14°N 64°40’W CC2:
26°42’N 92°25’W
LIP/anomalia: Província Magmática do Atlântico Central
(CAMP) Região: Golfo do México (EUA),
Caribe e Venezuela
Homenagem aos geólogos Luiz
e Walther Alvarez que propuseram como causa da extinção cretácea um impacto de
asteroide. O impacto de Alvarez
criou uma cratera de 1.200 km e deu origem ao Golfo do México. O derrame
magmático causou a Província Magmática do Atlântico Central. O hotspot
remanescente e local do impacto é a província vulcânica de Cabo Verde. A
cratera se fragmentou em duas metades da mesma forma que Wegener e seus
remanescentes visíveis são o Arco Vulcânico do Caribe e a Cordillera de la
Costa (Venezuela) na metade oriental. Na metade ocidental derivada para o norte
os indícios são visíveis na Formação Eagle Mills (EUA) e Escarpa Sigsbee, ambas
circulares e localizadas na região litorânea do Golfo do México. A Formação
Eagle Mills tem datação contemporânea com a extinção TJ e a formação salina de
Sigsbee tem datação jurássica, portanto posterior ao evento TJ. A cratera
Alvarez permite explicar o acúmulo anormal de sal da formação Sigsbee por esta
cratera/bacia isolada do oceano apresentar níveis de evaporação extremamente
elevados devido ao vulcanismo remanescente do impacto. Trata-se de um fenômeno
similar ao ocorrido na bacia de Wrangellia. O diâmetro do anel secundário foi
estimado considerando a calha do Rio Amazonas como falha geológica causada pelo
impacto, a exemplo dos vales em arco das crateras Sakha (rio Yenisei) e
Thunderbird 2 (rio São Lourenço). * Erupção de basalto de picritos em Curaçao e
também Havaí e Reunião/Rohe... investigar
Jurássico (Toarciano) Nível de extinção: 10/*%
183 Ma Shoemaker-Levy Impacto proposto Magnitude: 7 Diâmetro CC: 550 km Diâmetro
AS: 2.800 km 58°S 30°W
Impacto: 55°N 0°W LIP/anomalia:
Placa Nova Scotia, Ilhas Sandwich do Sul e Geórgia do Sul Região: Atlântico Sul
Homenagem ao casal de
geólogos Eugene e Caroline Shoemaker e ao astrônomo David H. Levy. À semelhança
das crateras Wegener e Alvarez, a cratera Shoemaker-Levy se encontra
fragmentada e deformada devido à expansão do solo oceânico no sentido
leste-oeste formando a placa tectônica de Nova Scotia. A cratera também se
deformou em menor grau no sentido norte-sul. O arco vulcânico está ativo. Os
arquipélagos da região se formaram durante o Jurássico. O nome homenageia
pesquisadores que dedicaram suas vidas à teoria de impactos. Eugene Shoemaker
defendeu a teoria da origem por impacto das crateras lunares em uma época que a
origem vulcânica era um pilar da Geologia. Ele se candidatou a uma vaga no
projeto Apolo para comprovar a origem por impacto das rochas lunares, mas
impedido por sua saúde, proporcionou treinamento geológico para astronautas que
foram à Lua. Aposentado da NASA, junto com sua esposa se dedicou à Astronomia
em busca de asteroides próximos à Terra. Aos dois somou-se o astrônomo amador
David Levy, e sua dedicação foi recompensada com a descoberta de inúmeros NEOs
e cometas, entre os quais aquele que se chocou com Júpiter em 1995, provando
que impactos de grande magnitude não são exclusividade do Intenso Bombardeio
Tardio, mas continuam ocorrendo.
Jurássico Médio Nível de extinção: 8/*%
168 Ma ? Falklands Impacto confirmado Magnitude:
5 Diâmetro CC: 250 km Diâmetro AS: 1.300 km
LIP/anomalia: Ilhas Falklands, Formação Chon Aike (Maciço
Deseado) Região: Atlântico
Sul
A cratera Falklands foi
descoberta pelo pesquisador argentino Maximiliano Rocca com base na anomalia
gravitacional encontrada contígua às Ilhas Falklands. As próprias Ilhas seriam
parte do derrame basáltico do impacto. As erupções mais antigas da província
ígnea de Chon Aike nas imediações parecem indicar uma datação possível para o
evento, já que o impacto certamente aconteceu após a ruptura de Gondwana.
Extinção do Final do
Jurássico Nível de
extinção: 13/*%
145 Ma Morokweng Impacto confirmado Diâmetro
CC: 70 km ou 200 km Região:
África do Sul
Morokweng é um impacto
confirmado na África do Sul com cratera de diâmetro 70 km. Entretanto, com base
nas imagens de satélite, esse valor pode estar subestimado.
145 Ma Tlaloc Impacto
proposto Magnitude: 6 Diâmetro CC: 480 km Diâmetro AS: 3.000 km 31°25’N, 99°46’W
Região: EUA
e México
Deus das chuvas na mitologia
asteca, inclusive as chuvas de pedras e de fogo. Tlaloc é uma cratera proposta
com base no mapa gravimétrico dos EUA. Uma anomalia gravimétrica circular na
região do estado do Texas apresenta diâmetro de 480 km. Em um círculo
concêntrico com diâmetro de 900 km encontramos as localidades de Dallas,
Houston, San Antonio, Sonora, Terlingua e Glen Rose, todas com leito rochoso
datado exatamente com 145 Ma. Centrado nessa cratera em um raio de 1.500 km
encontramos o Eixo Vulcânico do México, também chamado de Eixo Neovulcânico,
Eixo Vulcânico Transversal, Cordilheira Neovulcânica ou Cintura Vulcânica
Transmexicana. Essa cadeia de vulcões é mais um dos fenômenos que o modelo
ortodoxo tem dificuldade de explicar: os vulcões não se alinham conforme
esperado para a subducção de uma placa oceânica pela deriva da Placa Americana.
Mas a teoria de impacto apresenta uma solução elegante para o problema ao
mostrar que o arco de vulcões mexicanos foi determinado pelo impacto desta
cratera associada à extinção do Final do Jurássico. A geologia da região é toda
do início do Cretáceo, inclusive o uplift da Formação Coahuila onde se localiza
a capital mexicana. O relevo da Formação Coahuila é extremamente parecido com o
da Formação Tonopah localizada a 2.000 km, ma a orogênese de Tonopah é
devoniana. Diâmetro do AS com base na Cintura Vulcânica Transmexicana.
Cretáceo (Valanginiano) Nível
de extinção: 8/*%
138 Ma ? Paraná-Etendeka Impacto proposto Magnitude: 7 Diâmetro CC: 600 km Diâmetro
AS: 2.400 km
17°20’S, 16°W LIP/anomalia:
Paraná-Etendeka, anomalia magnética anelar Região:
Angola e Namíbia
A existência de uma cratera
de impacto associada à LIP Paraná-Etendeka é evidenciada pela anomalia
magnética anelar encontrada na divisa entre Angola e Namíbia exatamente ao
final da cordilheira submarina Walvis. Apesar da pequena magnitude do impacto,
sua proximidade com a fratura continental entre as placas da África e América
do Sul, caso tal impacto tenha ocorrido à mesma época, teria potencializado o
derrame de basalto, como visto no possível impacto antipodal a Crocodilo
(Wrangellia) e nos impactos de Muspell e Thunderbird 6. Note que o tipo de
fissura continental entre África e América do Sul é diferente dos outros
exemplos. O ponto de impacto de Paraná-Etendeka é indicado pela Formação Rio
Grande no oceano Atlântico. O diâmetro do anel secundário foi estimado
considerando a anomalia geológica circular melhor visualizada nas coordenadas
23° S, 26° E.
Cretáceo Nível de extinção: 12/*%
125 Ma ? Hipótese La Muerte Impacto em estudo Magnitude: ?
Diâmetro CC: 700 x 120 km (deformada) Diâmetro AS: 2.600 km 37°30’N 120°30′W
LIP/anomalia: Orogênese Sierra Nevada? Região: EUA
A possível cratera central
deformada pela deriva da placa Norteamericana constituiria o atual Vale Central
da California, EUA. Seu anel secundário com diâmetro de 2.600 km constitui um
arco de vulcões que inclui o Campo Vulcânico San Juan (este se encontra na
borda de outra anomalia, o Planalto do Colorado, o qual tem aparência de uplift
de cratera — ainda em estudo). Até o momento, o CV San Juan era interpretado
como uma inexplicável falha geológica intraplaca. Ele foi reativado durante a
extinção do Paleoceno-Eoceno provavelmente pela colisão e subducção da Placa de
Faralon (verificar). O indicativo da idade do impacto de La Muerte é o início
da Sequência Great Valley. Processos de subducção de grandes crateras ocorrem a
pequena profundidade devido à rigidez da placa de basalto formada durante o
impacto. Exemplo: Wegener (placa de Nazca/orogênese andina e altiplanos);
Alvarez (placa do Caribe/comportamento bizarro do processo).
125 Ma ? Hipótese Java Ontong Em estudo
95 Ma ? Hipótese La Tolita Em estudo
http://www.geo.cornell.edu/geology/GalapagosWWW/GalapagosGeology.html
“Como as cordilheiras Carnegie e Cocos desaparecem em zonas de subducção,é
incerta a idade da pluma do manto de Galápagos. Uma expedição oceanográfica de
1990, no entanto, localizou um monte submarino de 8 milhões de anos na
cordilheira Carnegie que certamente já foi uma ilha. Este vulcão, embora agora
1.500 m abaixo do nível do mar, tem paralelepípedos arredondados em um topo
plano, que fornecem evidências claras de erosão das ondas. Portanto, existem
ilhas nas Galápagos há pelo menos 8 milhões de anos. A pluma, entretanto, é
certamente ainda mais antiga. Muitos cientistas acreditam que a pluma do manto
de Galápagos é responsável pelas abundantes rochas vulcânicas de idade cretácea
que ocorrem no Caribe e na margem noroeste da América do Sul. Portanto, a pluma
do manto de Galápagos poderia ter até 90 milhões de anos e pode ter havido
ilhas nesta localidade por tanto tempo.”
Final do Cretáceo
70 Ma Kara Impacto confirmado CC: 65 km ou 120 km Magnitude:
3 ou 4 Região: Rússia
Cratera datada com 70,3 ±
2,2 milhões de anos e diâmetro original estimado em 120 km, este impacto não
provocou extinção significativa.
Extinções do
Cretáceo-Paleogeno
Evento preliminar? Nível
de extinção: 17/*%
66 Ma Chicxulub Magnitude: 5 Impacto confirmado CC: 200 km Região: México
Até esta data, Chicxulub é o
impacto ao qual se atribui a “extinção dos dinossauros” juntamente com o
derrame de lava do Decã. A pequena magnitude desse impacto de não é compatível
com o nível total da extinção cretácea, nem o derrame de lava do Decã difere
significativamente de outros eventos vulcânicos a ponto de explicar o fenômeno,
e mesmo a soma de ambos os eventos é pouco significativa para justificar a
extinção. Chicxulub parece se tratar de um evento preliminar à extinção final
conforme observado no gráfico de porcentagem da vida marinha afetada no evento.
Mesmo assim, seu pequeno tamanho é insuficiente para atingir o nível dessa
pré-extinção.
66 Ma Rohe Magnitude: 10 Impacto proposto Nível
de extinção: 31/75%
Diâmetro CC: +1.200 km Diâmetro
AS: Incerto 19°N 155° W
LIP/anomalia: Hotspot do Havaí, Cordilheira
Havaí-Imperador, Planalto do Decã (antipodal) Região:
Oceano Pacífico
Rohe, esposa de Maui,
semideus criador do Havaí e ilhas polinésias. Desfigurada por ele, se retirou
para o mundo inferior e passou a reinar sobre os mortos. Indícios de outros
impactos além de Chicxulub foram apontados por Hagstrum e geólogos mexicanos na
região do Pacífico. Estudos de Princeton concluíram que o impacto de Chicxulub
não se localiza no ponto antipodal geológico esperado para provocar o derrame
de lava do Decã e que o impacto teria de ter ocorrido milhares de quilômetros a
oeste no oceano Pacífico. O tamanho do impacto teria de ser superior a 1.000 km
para causar ruptura da crosta antipodal conforme preconizado por Marinova. A
proposta cratera Rohe atende a todos os requisitos. O impacto teria criado o
hotspot do Havaí e o derrame do Decã no hemisfério oposto. A trajetória da
cratera evidenciada pela cordilheira vulcânica Havaí-Imperador indica sua
subducção pela Fossa das Aleutas. A datação dos vulcões extintos daquela cordilheira
apontando idade de 72 milhões de anos para os montes mais próximos das Aleutas
é incompatível com esta teoria, já que não ocorreu nenhuma extinção
significativa pouco antes da cretácea e a cratera Rohe se encaixa de maneira
perfeita no modelo proposto. Existe uma possibilidade que deveria ser estudada:
talvez a cratera Rohe não tenha sido subduzida pela fossa das Aleutas... na
verdade, o arquipélago das Aleutas e o arco vulcânico de Kamchatka e ilhas
Kuriru (Kurilas), estendendo-se até a ilha de Hokaido no arquipélago do Japão,
talvez esses arquipélagos sejam o próprio anel secundário da cratera Rohe... o
processo de fratura poderia ter ocorrido durante o deslocamento para leste até
que a metade ocidental do anel atingisse a Ásia, revertendo a direção da deriva
para o norte até a metade oriental atingir a América. Nesse caso, o centro da
cratera se encontraria exatamente no ponto de encontro dos arcos... De fato, cheguei à conclusão de que o arco
das Aleutas e o arco das Kurilas constituem verdadeiramente os remanescentes do
anel secundário da cratera Rohe. Ela teria se fragmentado de norte para sul, se
abrindo na medida em que se deslocava para o norte. A fragmentação ocorreu na
linha do hotspot conforme mostrado pelo percurso da cadeia Havaí-Imperador. O
motivo da fratura exótica contraintuitiva provavelmente foi o “empurrão”
recebido pela cratera Wegener (arco do anel secundário com os arquipélagos do
Japão (metade oeste até a fissura da placa de Honshu) e Filipinas, acompanhado
pela fração da cratera central do Arco das Marianas. Se esta teoria estivar
correta, serão encontradas evidências de que a idade real das rochas mais
antigas desses dois arcos vulcânicos coincide com a extinção cretácea... A
média atual da velocidade da Placa do Pacífico é de 11 cm/ano. Não se pode
imaginar uma causa física possível para uma suposta mudança de velocidade da
Placa do Pacífico com a magnitude indicada pela datação do trecho Imperador da
cordilheira. Essa divergência precisa ser investigada, mas os indícios a favor
da hipótese da cratera Rohe são contundentes. O impacto de Rohe teria originado
a anomalia circular da fratura da África Oriental e Oceano Índico com diâmetro
de 4.000 km e que sofreu deformação pelos impactos posteriores de Shira há 2,5
milhões de anos e Nam Lolwe Ukerewe há 400 mil anos. Se esse diâmetro antipodal
corresponder ao anel secundário no local do impacto, a relação de 3:1 entre
diâmetro do anel secundário e diâmetro da cratera central implica em uma
cratera no Oceano Pacífico com diâmetro de cerca de 1.300 km. O magma do
hotspot do Havaí é rico em mercúrio, fator importante durante a extinção
cretácea. O derrame do Decã não contém nível significativo deste elemento.
* Erupção de basalto de picritos em Havaí e
Reunião e também Curaçao/Alvarez... investigar
66 Ma Idaho Magnitude: 8 Diâmetro
CC: 500 km Diâmetro AS: 3.000 km 45°N 114°30’W
LIP/anomalia: Maior parte do estado de Idaho Região: EUA
A cratera de Idaho é
claramente visível no mapa gravimétrico dos EUA. A geologia da anomalia
circular do estado é composta de derrames terciários, portanto posteriores a
esta extinção. Uma cratera com diâmetro de 800 km é suficiente para causar um
nível de extinção significativo, e o único momento possível anterior ao
Paleogeno corresponde à idade de 66 milhões de anos. A magnitude do impacto de
Idaho somado ao de Chicxulub permite atingir o nível da extinção preliminar ao
impacto da cratera Rohe. Conforme o gráfico de extinções, o nível de
mortalidade da extinção preliminar atingiu 17%, um valor que Chicxulub sozinha
não poderia causar. O impacto de Rohe causou nível de mortalidade de 31% da
vida marinha. O diâmetro do anel secundário da cratera Idaho foi estimado
considerando a anomalia geológica circular melhor visualizada nas coordenadas
53° N, 98° W. Um primeiro anel secundário aparenta estar localizado a um raio
de 1.100 km (diâmetro de 2.200 km) referente à província vulcânica do
Alinhamento Jemez. O impacto da cratera Idaho parece estar associado a uma
rajada que varreu os continentes norte e sulamericano, veja o comentário
abaixo.
Problema: Dento da área da
cratera Idaho encontramos outra cratera mais antiga. “A cratera Beaverhead é uma estrutura de
impacto que abrange os estados americanos de Idaho e Montana. Estimada em 60
quilômetros de diâmetro, é uma das maiores crateras de impacto da Terra. Com
uma idade estimada de 600 milhões de anos (...)”
Hipótese de impactos
simultâneos a Chicxulub
A possibilidade de uma
rajada única para os eventos de impacto da pré-extinção do Cretáceo não pode
ser descartada. A plotagem daqueles impactos em um paleomapa permite traçar uma
linha que passa em perfeito alinhamento pelos impactos de Idaho e Chicxulub e
pela cratera de Vichada (50 km) na Colômbia (descoberta pelo pesquisador
argentino Maximiliano Rocca e atribuída ao final do Cretáceo). O impacto de
Vichada é rico em nióbio, um metal relativamente comum em meteoritos. A
continuação dessa linha passa por anomalias geológicas no Brasil que requerem
investigação, como o uplift de Araxá, com alto teor de nióbio e terras raras; o
uplift de Poços de Caldas, com alto teor de urânio e terras raras; e o
Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, onde o minério de ferro apresenta
pureza incomum e aparece associado a reservas de platina e paládio, metais
raros na crosta terrestre, porém comuns em objetos extraterrestres. A anomalia
magnética do QF é similar às encontradas nas crateras de Chicxulub e Falklands,
e o grau de concentração de seu minério poderia ser explicado pelo impacto de
um asteroide rico em ferro sobre aquela região rica em bauxita de Minas Gerais.
O asteroide vaporizado teria iniciado uma reação exotérmica com o óxido de
alumínio (um processo de termite natural), refinando o minério para o grau de
pureza ali encontrado. Outra mina com riqueza de minério de ferro de alta pureza
similar ao QF se encontra na outra extremidade desta linha: Iron County, Idaho,
EUA. Iron County e QF são extremamente parecidas e sua origem pode estar
relacionada a asteroides ricos em ferro.
Há outro indício importante para impacto naquela região de MG: a cadeia
vulcânica submarina de Trindade-Martim Vaz. Cadeias vulcânicas se formam com a
passagem da placa tectônica sobre um hotspot gerado por impacto. A região do QF
se encontrava onde hoje se localiza o hotspot de Trindade-Martim Vaz e a
cordilheira vulcânica segue em linha reta pela distância correspondente à
deriva da Placa Sulamericana desde o final do Cretáceo. Conforme deduzido a
partir dos inúmeros exemplos desta pesquisa, somente crateras com diâmetro
superior a 250-300 km são capazes de gerar hotspots detectáveis por suas
cadeias vulcânicas. Existe uma anomalia circular com diâmetro aproximado de 300
km centrada aproximadamente em Brumadinho, no Quadrilátero Ferrífero. No
entanto, os estudos geológicos feitos no local são muito detalhados e nunca
apontaram evidências de impacto. Mas a soma de evidências apresentadas nesta
pesquisa não encontra explicação no modelo ortodoxo; tantos indícios e
anomalias geológicas rigorosamente alinhadas serem apenas mera coincidência nos
parece algo bastante improvável.
Cretáceo-Paleogeno ou
Paleoceno-Eoceno (MTPE)
66 Ma ou 56 Ma Chukchi Impacto proposto Magnitude: ? Diâmetro CC: 550 x 230 km Diâmetro
AS: 2.000 km
76°26’ 160°0’W LIP/anomalia:
Bacia Chukchi Região: Oceano
Ártico
Esta anomalia geológica
talvez possa ser interpretada como uma cratera de impacto criada por um objeto
em trajetória rasante. O eixo maior de seu formato oval aponta diretamente na
direção do impacto de Muspell e dos diques concêntricos no Reino Unido. Menos
provável, a orientação do eixo maior também está aproximadamente na direção do
Havaí considerando a deriva continental no período, o que poderia indicar uma
rajada integrada com Rohe. Mais estudos são necessários. Os dados geológicos
apontam para uma origem entre 60 e 65 milhões de anos, o que o coloca como um
evento possível de estar associado tanto ao evento do MTPE quanto à extinção
cretácea. A hipótese do impacto de Chukchi pode ajudar a explicar a pluma
mantélica da Groenlândia há 60 milhões de anos. Diâmetro do AS avaliado com
base em anomalia circular concêntrica melhor visualizada nas coordenadas 68°N,
152°W. Mais estudos são necessários.
66 Ma ou 56 Ma Makarov
Impacto proposto Magnitude: ? Diâmetro CC: 500 km
LIP/anomalia: Bacia Makarov Região: Oceano
Ártico
Esta anomalia é representada
pela Bacia Makarov margeada pelas cordilheiras submarinas Lomonosov e Alpha.
Estudo recente aponta a região como foco de diques radiais datados entre 135 e
75 milhões de anos, mas essas cordilheiras, assim como o Oceano Ártico, são de
datação mais recente. “Embora a idade e os mecanismos de abertura da Bacia de
Amerásia ainda sejam difíceis de estabelecer em detalhes, as lajes subduzidas
interpretadas que residem no manto inferior do Alto Ártico apontam para um ou
dois episódios de subducção que consumiram a crosta possivelmente do Jurássico
Superior-Cretáceo. A origem da principal atividade ígnea durante o Cretáceo no
Ártico central (a Cadeia Alfa-Mendeleyev) e na proximidade das margens raiadas
(a chamada Grande Província Ígnea do Alto Ártico - HALIP) ainda é debatida.”
Precisa ser investigada.
Paleoceno-Eoceno (MTPE) Nivel de extinção: 4/*%
60 Ma ou 56 Ma Muspell Impacto proposto Magnitude: 7 Impacto proposto Diâmetro
CC: 500 km
LIP/anomalia: LIP Atlântico Norte, Islândia Região: Islândia
Reino dos gigantes de fogo
guardado por Surtur e sua espada de fogo na mitologia nórdica. O surgimento da
ilha da Islândia por um evento de impacto ocorrido coincidente com a Dorsal
Mesoatlântica permite explicar a inexistência de qualquer outra ilha ao longo
dessa fissura intercontinental. Também explica o evento repentino da LIP do
Atlântico Norte, a origem da pluma mantélica circular sob a Islândia e
Groenlândia. O afastamento das placas Americana e Eurasiática transformou o
derrame circular em uma forma oblonga no sentido leste-oeste. A presença de
esférulas de vidro (microtectitos e microkristitos) no norte da Europa e costa
leste da América, a anomalia de irídio na Eslovênia Ocidental (Dolenec et al.,
2000) a 2.800 km e Zumaya, Espanha (Schmitz et al., 1997) a 2.600 km do
impacto, a anomalia de osbornita (vanádio) na ilha de Skye, Escócia, a
distribuição anormal de vanádio na Europa, Oriente Médio e África (onde foi
encontrado na forma de poeira a 5.000 km de distância) são fortes indícios de
impacto extraterrestre para o qual ainda não se determinou uma origem.
Principalmente, o impacto de Muspell fornece uma explicação satisfatória para a
o evento do Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (PETM). Impactos sobre fissuras
continentais potencializam o volume de magma expelido, conforme visto no
possível impacto antipodal a Crocodilo (Wrangellia) e nos impactos de
Paraná-Etendeka e Thunderbird 6. A ocorrência de diques intrusivos em forma de
arco da Escócia, Irlanda, Gales e Inglaterra concêntricos e centrados no
impacto de Muspell conforme os paleomapas de Christopher Scotese.
Extinção do Eoceno-Oligoceno Nível de extinção: 12%/*
34 Ma Popigai Impacto confirmado Magnitude: 4 Diâmetro CC: 120 km Região:
Rússia
Ukko Impacto proposto Magnitude: 5 Diâmetro CC: 300 km Região:
Finlândia
Chesapeake
Bay Impacto confirmado Magnitude: 3 Diâmetro CC: 85 km Região:
EUA
Toms
Canyon Impacto
confirmado Magnitude: 2 Diâmetro CC: 23 km Região: EUA
Tlaloc
2 Impacto
proposto Magnitude: 4? Diâmetro CC: 250 km Região Litoral do México
Esta extinção progressiva afetou
principalmente a fauna de mamíferos europeia, que foram substituídos por uma
fauna até então asiática, e pode estar relacionada a uma temporada de
bombardeio de asteroides metálicos e condríticos resultantes da desintegração
de um cometa. O turnover da fauna denota uma ocorrência localizada na Europa. A
cratera Popigai se localiza na Ásia, ao norte da Sibéria, e seu tamanho é
insuficiente para causar o nível de extinção atingido, muito menos afetar a
fauna europeia sem prejudicar a asiática. A hipótese em estudo acrescenta a
possível cratera Ukko (deus do céu e trovão na mitologia finlandesa,
relacionado a Thor na mitologia nórdica escandinava), localizada na Finlândia e
com diâmetro de 300 km. A ocorrência de um impacto relativamente pequeno na
Europa explicaria a extinção localizada. O baixo nível de extinção é compatível
com a magnitude de um impacto dessas proporções. Essa formação circular é vista
atualmente como apenas um depósito glacial, e não foi localizado mapa geológico
que ateste evidência de impacto. Entretanto, os impactos comprovados de
Popigai, Chesapeake Bay e Toms Canyon evidenciam uma sequência de impactos de
asteroides condríticos, isentos ou quase isentos de metais. Meteoritos desse
tipo são praticamente indistinguíveis de rochas comuns, e a formação circular
pode ter sido identificada como depósito glacial porque a hipótese de impacto
era impensável à época. A cratera Suavjärvi B, ao lado de Ukko, parece indicar
esse fato. A divergência entre as crateras de tamanho similar de Chicxulub e
Ukko pode ser explicada pela diferença de energia cinética entre um asteroide
metálico (impactador de Chicxulub) e um asteroide condrítico (Ukko). Considerar
a anomalia geológica de Ukko como evento de impacto oferece uma solução lógica
para a extinção da fauna europeia durante a transição do Eoceno-Oligoceno.
Glaciação Antártica
A extinção do
Eoceno-Oligoceno coincide com um período de resfriamento do planeta que cobriu
de gelo um continente inteiro de maneira permanente, a Glaciação Antártica. Ao
contrário dos outros eventos de glaciações desencadeadas por vulcanismo intenso
originado por impacto, este fenômeno não se encaixa na sequência
impacto/vulcanismo/glaciação. Também não encontra explicação dentro do modelo
clássico, que atribui o congelamento da Antártida ao início da circulação de
águas polares ao seu redor, mas não explica o mecanismo pelo qual esse processo
teria acontecido somente em tempos recentes. Os ciclos de Milankovitch também
não explicam o caso único do congelamento da Antártida.
A peça-chave para
entendermos o que aconteceu está na extinção do Permiano-Triássico há 252 Ma:
uma de suas consequências tardias será esta glaciação. Explicando: o modelo
ortodoxo coloca as ilhas da Nova Zelândia se separando do continente
australiano, o que não permite oferecer uma explicação coerente para o
congelamento repentino de todo um continente já que, se elas tivessem se
situado sempre próximas da latitude em que Austrália e as ilhas neozelandesas
se encontram atualmente, o arquipélago nunca teria influído sobre o fluxo das
águas polares mais ao sul.
Mas a teoria de impacto
oferece uma explicação elegante, ao mesmo tempo em que valida seu modelo:
Vimos no evento de impacto
da extinção P-T que a Nova Zelândia foi criada como parte do anel secundário da
cratera Wegener. Ao permanecerem unidos à Antártida desde sua formação, por 200
milhões de anos o arquipélago e sua placa tectônica constituíram uma barreira
que impedia a circulação das águas frias ao redor do continente e constituíram
a Península Antártica Neozelandesa. Como se vê ao longo desta pesquisa,
impactos explicam o surgimento desse tipo de anomalia “peninsular” associada a
impactos: Pasárgada/Ciméria, Keweenawan/Baja California, Wegener/Zelândia,
Prometeu/Itália)
Mas ao se desconectar da
Antártida e derivar para o norte, a agora independente placa da Zelândia deixou
de bloquear o fluxo das águas geladas, transformando o até então verdejante continente
no bloco de gelo que conhecemos. A Glaciação Antártica é mais uma glaciação
decorrente de impacto, mas desta vez por meio de um mecanismo totalmente
diferente.
Mioceno Médio (OTMM)
22 Ma Thunderbird
6 Impacto proposto Magnitude: 5 CC: 300 km
LIP/anomalia: Planalto Columbia River 4/*% EUA
Vários autores levantaram a
suspeita de impacto para a origem do derrame de basalto do Rio Columbia e do
hotspot de Yellowstone. A origem repentina e volume anormal da erupção apontam
para uma pluma mantélica causada pela coincidência de um evento de impacto com
a borda de uma placa tectônica, potencializando os efeitos vulcânicos como
visto no impacto de Muspell e eventualmente a própria cratera (se confirmada) Paraná-Etendeka.
A passagem da placa tectônica Americana sobre o hotspot de Yellowstone criou
uma cadeia continental de caldeiras vulcânicas da mesma maneira que outros
eventos de impacto criaram cordilheiras vulcânicas submarinas.
Final do Plioceno
2,5 Ma Eltanin
3 Impacto confirmado Magnitude:
3 CC: 35 km Região: Pacífico Sul Meh.
Pleistoceno
800 ka Bolaven Impacto confirmado Magnitude: 1 15 km Cratera e campo
vulcânico Região: Laos
800 ka Campo
de tectitos: +8.000 km Impacto confirmado Magnitude: 3 Região: Australásia
Campo de impactitos
atribuído a uma cratera com diâmetro de 15 km recentemente localizada no
planalto de Bolaven, Laos. Há derrames de lava em forma de arco ao sul da
cratera enterrada, o que é estranho para uma cratera tão pequena. Entretanto,
ao norte do local estudado, na região de Savannakhet, existe uma anomalia
circular que pode representar uma cratera com diâmetro de 80 km. Esta possível
cratera de maior diâmetro apresenta melhor alinhamento com o derrame de lava ao
sul. Carece de investigação.
800 ka? Savannakhet Impacto proposto Magnitude: 2 Diâmetro
CC: 80 km Possível segunda cratera associada ao evento de
Bolaven.
30 ka Rajada
Kadlu Impacto confirmado Magnitude: 3 Meteoritos
LIP/anomalia: Lagos na Sibéria Região: EUA (Alasca) e Rússia (Sibéria)
Deusa das tempestades na
mitologia dos nativos Inuit. A descoberta de ossos de mamutes e bisões com
fragmentos magnéticos de meteoritos no Alasca e na Sibéria por Fischer apontou
um evento de impacto por desintegração de asteroide sobre a região polar norte.
O evento pode ter sido de proporções muito maiores do que até agora
reconhecidas. Este estudo encontrou várias dezenas de lagos de formato oval na
região de Chelyabinsk, a mesma do meteorito de 2013 (sem relação com este
evento). Os lagos maiores, considerados como de formação glacial, chegam a 8 km
de extensão por 5 km de largura e todos apresentam proporção similar. A
orientação destes supostos lagos glaciais aponta diretamente para a região do
Alasca onde foram encontrados os ossos de mamute incrustados na América. O
campo de lagos ovais na Sibéria se estende por mais de 1.000 km. Essa anomalia
geológica sugere que os lagos podem ter sido criados por impactos de grandes
meteoritos em trajetória rasante após a desintegração de um fragmento de cometa
ou meteorito sobre o Alasca. Essa suposta rajada Alasca-Chelyabinsk
apresentaria extensão de pelo menos 6.300 km.
Holoceno
13 ka Hiawatha Impacto confirmado Magnitude: 3 CC: 31 km Região:
Groenlândia
13 ka? Groenlândia
2 Impacto confirmado Magnitude: 3 CC: 35 km Região Groenlândia
Hiawatha é uma cratera de
impacto confirmada e cuja datação aponta para a coincidência com o evento de
Younger Dryas. Nas imediações também foi encontrada outra cratera de tamanho
semelhante, mas supostamente mais antiga. Ambas as datações aguardam
confirmação. Nas proximidades dessas crateras foi encontrado o meteorito de
Cape York, mais de 60 toneladas. O evento de impacto ou airburst de Nechako
teria aproximadamente 400 km, é defendido pelo geólogo Randall Carlson e teria
ocorrido sobre a capa de gelo naquela região da Columbia Britânica, causando a
grande cabeça de água atribuída ao rompimento da barragem de gelo do lago
Missoula e uma anomalia geológica de padrão radial. O impacto de Saginaw foi
proposto por Davias e Gilbride e é defendido por Antonio Zamora, que explicou o
mecanismo de criação das crateras rasas ovais das Nebraska Bays e Carolina Bays
pela ocorrência de um impacto sobre a capa de gelo da última glaciação causando
um ejecta de grandes blocos de gelo que caíram sobre solo de charco. A cratera
de impacto com aproximadamente 300 km corresponderia à Baía de Saginaw na
Península de Michigan. Esta teoria se opõe à da extinção causada por ação
humana. O evento de Nechako, o impacto de Saginaw e a(s) cratera(s) da
Groenlândia seriam os causadores da extinção da megafauna e também da cultura
Clovis que prosperava na América do Norte. Ambas as teorias apresentam
problemas. Os argumentos de datação da progressão da extinção conforme o avanço
da colonização humana é um forte argumento. Mas a mudança radical dos
ecossistemas com o fim da glaciação não pode ser atribuído à ação humana,
provavelmente foram causas concorrentes.
13ka? Meteoritos
Cape York e Willamette Impactos confirmados
Magnitude: 1 Região: Groenlândia e EUA
Nechako
Impacto proposto CC: 400 km Região: Canadá
Saginaw Impacto proposto CC: 300 km Região: EUA
Abu
Hureyra Airburst confirmado Magnitude: 1 Rochas vitrificadas e microtectitos Região: Síria
Comunidade neolítica
destruída por impacto ou airburst. Encontradas esférulas de vidro meteorítico e
vitrificações no solo. Evento contemporâneo ao templo/monumento de Gobekli Tepe
que supostamente descreve o impacto com indicações astronômicas e datação contemporânea
com a extinção da megafauna no período Younger Dryas. Há um alinhamento entre
Abu Hureyra e os eventos na América do Norte sugerindo uma possível rajada com
extensão de 10.050 km.
Konkan Airburst
ou impacto proposto Magnitude: 1 Rochas calcinadas Região: Índia
Petroglifos datados da mesma
época que o monumento/templo de Gobekli Tepe parecem fazer alusão a um evento
catastrófico similar ao ocorrido em Abu Hureyra. A região dos petroglifos
apresenta aparência calcinada. Os petroglifos aparentemente descrevem nuvens em
forma de cogumelo e poderiam estar relacionados aos registros hindus das
“guerras celestiais” quando os deuses lançavam dardos de fogo contra a Terra,
causando maremotos e explosões tão intensas quanto o brilho do sol e que, antes
do conhecimento da dinâmica dos impactos, foram interpretados erroneamente como
bombas atômicas, assim como os deuses voando nos céus foram interpretados como
indicativos de uma civilização mais avançada que a atual, quando uma
perspectiva mais equilibrada aponta para meteoros e meteoritos. As evidências
se encontram em vídeos publicados na internet.
Pilauco Impacto confirmado Magnitude: 1 Tectitos Região:
Chile Impacto contemporâneo a
Younger Dryas na América do Sul.
15 ka? Rio
Cuarto Impactos confirmados Magnitude: 1 Meteoritos Campo de crateras Região: Argentina
O alinhamento da direção de
Campo del Cielo aponta para a cratera de Umm al Binni aproximadamente na
direção de seu eixo longitudinal. Os meteoritos de CdC são metálicos. O
meteorito de Umm al Binni ainda não foi encontrado. As crateras de Rio Cuarto
apresentam meteoritos condríticos com datação incerta e aparentemente
discordante de CdC. Na hipótese de todos estes impactos confirmados e possíveis
impactos serem contemporâneos, seria possível explicar o fenômeno pela
desagregação de um asteroide do tipo Ryugu ou Bennu, composto de rochas
aglomeradas por gravidade, algumas metálicas e outras condríticas. Uma
hipotética rajada Umm al Binni a Campo del Cielo apresentaria extensão de pelo
menos 13.200 km.
5 ka Umm
al Binni Impacto confirmado Magnitude:
1 CC: 3,5 km Região: Iraque
5ka? Campo
del Cielo Impactos confirmados
Magnitude: 1 Campo de meteoritos e crateras Região:
Argentina
5 ka? Campo
de Iruña Impactos propostos Magnitude: 1 Campo de crateras Região:
Paraguai
Muito próximo ao alinhamento
mencionado acima o pesquisador brasileiro Gabriel André Werlang identificou um
campo de crateras aparentemente originadas por impacto na região de Iruña,
Paraguai. A região ainda sendo avaliada contém cerca de 15 crateras por km2
com diâmetro médio de 15 metros. A extensão do evento ainda está sendo
pesquisada. Até agora não foram encontrados meteoritos metálicos, o que pode
indicar uma chuva de meteoritos condríticos. Idade incerta. Pesquisa em
andamento.